Capa e Editorial da Edição nº:879


A realidade dos números

“Os números não mentem! ” É o que dizem os que são apaixonados por matemática. Mas os números podem, com certeza, mascarar uma realidade. Por exemplo, temos na estatística o registro de 45 ocorrências de violência doméstica em 2018, o que já é um número grande e triste, mas muito longe da realidade.

A violência doméstica ainda é cercada de questões sociais e até culturais. Assim, quem acompanha de perto as situações de violência muitas vezes se omite, usando a velha desculpa que em briga de marido e mulher não se mete a colher ou finge não ver.

As mulheres (as maiores vítimas desse tipo de violência) acabam não fazendo a denúncia por infinitos motivos, entre eles: o agressor já a violentou psicologicamente e ela não acredita ser capaz de mudar a situação ou, pior ainda, se considera merecedora de toda aquela violência.

Tais números nos levam a uma pergunta, essas mulheres que tristemente foram espancadas, estão com seus corpos e almas marcadas. Mas, e se esses homens tivessem em seu poder uma arma será que a estatística seria de violência doméstica? Os números ajudam a compreender a realidade em que vivemos.

Pelo alto índice que as violências corporais aparecem, percebemos que em Pinhão a cultura do “não se leva desaforo para casa” ainda é muito presente. Que a capacidade de dialogar e conviver ainda é menor que o controle da raiva e da agressão. Que ainda há um número grande de pessoas com baixa escolaridade.

Que ter IDH baixo não é só um número, é a marca de que se tem muito ainda para fazer principalmente pelas questões sociais, educacionais e culturais. Analisando os números das ocorrências registrada pela PM, verifica-se que as de furtos e roubos ultrapassam 300, mas esses números não expressam que a grande maioria das infrações é cometida por jovens e adolescentes, porém quem acompanha a rotina da PM sabe disso.

Os números não são grandes em relação a drogas, mas, se analisarmos de perto, vamos ver que os furtos e roubos estão muito ligados a elas. Infelizmente os números também mostram outra realidade: a de que muitas pessoas que fazem pose discursando contra a corrupção e são consideradas “pessoas de bem” ajudam nessa estatística tão elevada de furtos e roubos.

Os objetos roubados têm um único objetivo, serem vendidos para comprar drogas. Assim, quem compra esses objetos contribui de forma direta para o aumento da criminalidade e para que os jovens continuem se drogando e marginalizando.

Na verdade, quem compra objeto roubado é tão corrupto quando político que desvia verba da saúde e tão nocivo e prejudicial à sociedade quando os corruptos e marginais.

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