Capa e Editorial da Edição nº: 765

Prosperidade ou Privilégios

Pátria amada, idolatrada, cantada em versos e prosas, sete de setembro é o teu dia, o dia  que se liberta de teus grilhões. Mas o que é a Pátria? Serão as matas verdejantes, o céu azul, os belos rios e cachoeiras, ou serão suas cidades pulsantes? A Pátria amada é tudo isso, mas é bem mais, é sua comida, sua cultura, suas danças, seus costumes. A Pátria amada é tudo isso sim! Sua natureza e sua cultura, mas antes de tudo é sua gente.  Gente que aprecia e usufrui de suas belezas naturais. Pessoas que fazem as cidades pulsar. Sim, sem o povo não há Pátria. Quando dizemos que temos orgulho da Pátria, na verdade estamos dizendo que temos orgulho desse povo que luta,  trabalha, busca a cada dia dar o seu melhor. Somos perfeitos? Não! Somos um povo que ainda não aprendeu a cuidar a respeitar a sua exuberante natureza. Que ainda impera o machismo e a violência doméstica. Somos ainda um povo que condena os políticos corruptos, mas justifica pequenas trapaças, como dar atestado falso na escola dos filhos, se o emprego for para o filho ou parente, não faz mal que seja por baixo dos panos, que se crie a função. Somos ainda um povo que vai às ruas protestar contra a corrupção, mas muito dos que vão às ruas, ganharam em seus pequenos municípios licitações de forma ilícita. Somos ainda um povo que define o que é corrupção pela quantia de valor desviado. Somos ainda um povo que espera as eleições para poder “morder” os candidatos e sonha com prefeitos e vereadores que governem para o povo e com o povo e sem corrupção. Somos um povo imperfeito sim e com muito a aprender. Mas somos um povo que não se nega a estender a mão ao outro. Que traz a alegria e a fé como marca registrada. Que tem uma criatividade invejada e uma cordialidade única. Somos alegres, gostamos de festa, mas não temos medo do trabalho e abraçamos as tecnologias e modernidade sem pestanejar e sem perde nossas raízes.  Mas precisamos romper com os grilhões da corrupção, e o dia dois de outubro é o dia da libertação, do grito de independência. Um grito silencioso, porém, gigantesco. Quando o voto é consciente, é limpo, é livre, é feito em cima de escolhas, da observação dos planos de governo, das falas e posturas dos candidatos no seu viver, aí o grito é mais forte e com muito mais resultado que o próprio grito de D. Pedro I. Votar livre é votar sem troca pelo emprego, pela certeza da licitação garantida, pela conta de luz e água paga, pelo cargo de chefia, caminhão para fazer mudança. Porque quem se amarra a esses grilhões, depois não pode reclamar de uma saúde precária sem médicos e sem remédios, estradas do interior intrafegáveis, escolas sem professores e materiais, município sem desenvolvimento, esporte para poucos, cultura relegada a segundo plano. Porque onde poucos saem no lucro, muitos padecem. Assim, a ação, o pequeno gesto de cada um na hora de votar define se a Pátria vai ser livre e com prosperidade para todos ou um privilégio só dos amigos.

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