Capa e Editorial da Edição nº: 795

                                                                      Vendaval

            Colocar em circulação uma edição a cada sexta-feira é mais que um trabalho, é um compromisso com os leitores de mantê-los informados. De levar até a comunidade os fatos, os acontecimentos e as emoções de quem viveu os fatos, os acontecimentos. Mas há que se confessar que existem reportagens que são difíceis de fazer, mas precisam ser feitas, pois o leitor espera a informação. Mas, ao mesmo tempo se pensa, como fazer, os fatos até são simples, os dados, as estatísticas e boletins oficiais trazem, mas o leitor quer mais, quer a emoção de quem viveu e ai como e o  que perguntar para quem nem viu, já que estava dormindo e acorda em sua cama, mas sem casa. E ai se pergunta, para quebrar o gelo, “Já se recuperaram do susto”? e a resposta vem rápida e direta, “Não, pois não é fácil acordar e ver que a casa não está mais ali”, essa é a frase, que a proprietária da casa que foi totalmente destruída pelo vento falou a reportagem do Fatos do Iguaçu, uma frase curtinha, mas de um imenso significado, pois ela, além de representar o susto, o medo de ver o que era o porto seguro ser destruído em segundos, contém a historia de uma vida. Sim, a construção de uma casa é sempre a historia de trabalho de uma família. Fazer essa reportagem não foi fácil, porque não há o  que perguntar a quem perde sua casa ou sua empresa num vendaval. Anos de dedicação e trabalho desaparecem em segundos. Ver os destroços causa tristeza. E mais tristeza e indignação causam saber que um gestor público foi irresponsável e não garantiu os recursos para essas tragédias naturais. Sim, o vento expôs mais uma irresponsabilidade de pessoas que estiveram à frente do município e esqueceram, pelo jeito, que eram servidores públicos. Uma reportagem difícil de fazer porque as pessoas que foram diretamente atingidas pelo vento passaram por momentos de medo na hora do vendaval e agora passam pela angustia de como recomeçar. Uma reportagem complicada, delicada, porque o vento não destruiu só bens materiais, levou junto com as paredes lembranças, historias e empregos. Sim, o vendaval foi rápido, mas seu estrago leva tempo para ser consertado. E dessa vez ele atingiu além dos moradores que destelhou  ou derrubou as propriedades. Atingiu empregos, assim, nos dados oficiais irão os números das famílias que sofreram a ação direta do vento, mas a força dele foi maior, atingiu famílias que não entraram nas estatísticas diretas. Mas em meio desse caos, outra frase curtinha é ouvida, “Não foi nada, estamos todos bem”, frase que mostra a garra, a força e principalmente a esperança de um pai que sabe que o seu bem maior, sua família, estava ali, completa, um pouco triste, mas acolhida pelos familiares e mais importante, bem e unida. Sim, o que vimos foram pessoas trabalhando, arrumando, buscando reerguer o que o vento jogou por terra. Mas quando se tem esperança e fé, não há vendaval que destrua o grande alicerce que é a família.

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