Capa e Editorial da Edição n°: 822

Vai ficar de novo só no barulho  

Como a maioria das pessoas ainda não compreendeu que a vida é eterna, e que aqui é só um estágio, a morte é sempre um grande problema, quando essa morte é de uma criança o problema cresce, fica mais difícil a aceitação pela família e amigos. E quando é a morte de uma criança ocasionada por um latrocínio, ganha dimensão social, leva a comunidade à comoção.

Os sentimentos de raiva, vingança, indignação, passam a ser comuns nas falas de várias pessoas da comunidade. A dor da separação com a morte não é só da família, passa a pertencer a todos.  O fato traz à tona a antiga discussão da segurança pública. Sim antiga, há pelos menos dez anos o Fatos do Iguaçu vem registrando movimentos em relação à segurança pública. Porém, sempre acontece a mesma coisa, uma tragédia comove a comunidade, aí vários segmentos se movimentam, fazem barulho, reuniões e caminhadas são feitas na semana próxima aos fatos ocorridos, e quinze dias depois, a vida já está no seu curso normal e a dor volta a ser só dos familiares e amigos próximos.

A comunidade já está cuidando dos seus afazeres diários e a segurança pública passou a ser tema secundário, às vezes quase entra no esquecimento total. Porque segurança pública passa necessariamente por discussões e ações sociais constantes. Ter um batalhão no município com um efetivo maior do que tem hoje, é importante, porém, é essencial dar condições para que a Policia Civil desenvolva seu trabalho com qualidade e não fique realizando o trabalho do setor penitenciário, que é cuidar de presos.

Contudo, segurança pública é muito mais prevenção, é trabalhar junto à comunidade buscando extirpar as causas da criminalidade.  E ai ficam as indagações: quais são as atitudes que o Conseg (Conselho de Segurança) tem feito para discutir o tema, para promover ações que levem ao enfrentamento das causas da criminalidade de forma constante? Quais são os projetos sociais que entidades não governamentais e poder público têm desenvolvido para trabalhar com os menores infratores ou que estão em situação de vulnerabilidade que podem levar à criminalidade?

Quantas atividades esportivas são de fato pensadas para crianças e adolescentes que estão à margem da sociedade? Essa semana Pinhão viveu mais uma tragédia que ceifou a vida de uma criança, e se as atitudes forem as mesmas de sempre e ficarem só nos eventos que fazem barulho e só levantam a poeira  sem de fato tratar do problema com seriedade e continuidade, infelizmente, daqui algum tempo, de novo a comunidade estará perplexa diante de nova tragédia, porque para resolver problemas antigos são necessários novos caminhos e tomar atitudes que levem ao compromisso contínuo para a transformação da sociedade.

 

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