As margaridas de Pinhão

Inquietas e no desejo de sempre auxiliar  a próxima , estas  margaridas estão se preparando para novos desafios em 2017.

Em Pinhão, um grupo de mulheres,  denominado Margaridas,  está trabalhando para que outras mulheres possam ter vida própria, conheçam seus direitos, sendo respeitadas como ser humano, profissional e cidadã. Realizam um trabalho de ‘formiguinha’ , visando o empoderamento das demais pinhãoenses no melhor estilo,  tudo  que é bom deve ser compartilhado.

Inquietas e no desejo de sempre auxiliar  a próxima , estas  margaridas estão se preparando para novos desafios em 2017,  sempre primando pelo bem estar e desenvolvimento social, cultural e econômico de outras mulheres, que necessitam muito mais que condições melhores de vida, precisam muitas vezes de um abraço e a certeza de que sempre haverá uma mão estendida.

As integrantes contam que a motivação cresce a cada dia e tudo começou com a participação  delas na  Marcha das Margaridas, um evento  de  reflexão e de avaliação sobre o progresso dos direitos trabalhistas para as mulheres  nos dias de hoje. A primeira edição foi  em 2000, e desde então a cada quatro ano acontece a Marcha das Margaridas sempre com uma pauta de reivindicações contendo os mais diversos  assuntos,  que são entregues  diretamente  aos representantes dos poderes públicos federais

Na  4ª edição de 2011, foi a primeira  vez que  Pinhão foi representado por  um grupo de oito mulheres. Elas foram convidadas pelo Sindicato dos Trabalhadores Rurais para participar da Marcha. Naquele ano, o lema era: ‘Desenvolvimento Sustentável com Justiça, Autonomia, Igualdade e Liberdade’ e partiu da constatação de que a pobreza, desigualdade, opressão e violência predominavam entre as trabalhadoras do campo e da floresta.

“O Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Pinhão, juntamente com Guarapuava, estava organizando um grupo de mulheres para participar do evento e o convite chegou até nós,  que, coincidentemente,  algumas  participavam do curso Mulher Atual, promovido pelo Sindicato Rural de Pinhão, em parceira com o SENAR, outra oportunidade ímpar em nossas vidas. Até então, não conhecíamos sobre a Marcha, porém  já atuávamos com grupos de mulheres aqui no município, fato que justificou  sermos convidadas. Além das brasileiras, participam mulheres de muitos países da América do Sul, acredito que cerca de 70 mil mulheres estiveram naquele ano”, contou  a assistente social Iara de Oliveira.

Esta participação trouxe para o grupo  uma grande bagagem que, além de conhecer mulheres do Brasil todo e seus problemas, inspirou-as a realizar mais ações voltadas principalmente às mulheres pinhãoenses que estão no campo. ”Nos  organizamos em grupos e começamos a trabalhar com estas mulheres. Abordamos  seus direitos, a violência , questão de gênero, auto estima. Por quase um ano trabalhamos em vários locais, entre eles o Assentamento do Rocio. Os resultados foram magníficos e retomar este trabalho é uma das metas para este ano”, confessou Iara de Oliveira.

5ª MARCHA

Em 2015, seguiram novamente  para Brasília para participar da 5ª Marcha das Margaridas  nove mulheres, depois desta viagem o grupo se consolidou e hoje são 10 margaridas. A principio fortalecidas com os assuntos que foram abordados como o tráfico de mulheres nas fronteiras, enfrentamento da exploração sexual, prostituição infantil, campanha  sobre o uso racional de água e fomentar a energia solar, obrigatoriedade do fornecimento dos equipamentos de proteção individual (EPIs),  entre tantos outros .

EXPOSIÇÃO

Mais fortalecidas entre si e com um vínculo cada vez mais estreito, o  grupo pretende fazer uma exposição dos trabalhos,  que irá  realizar em parceria com a secretaria de Assistência Social, Emater e associações de moradores durante a realização do VII Encontro de Mulheres Agricultoras, que está marcado para 8 de abril. “Temos  nosso foco  nestas mulheres, pois estão distantes geograficamente  da sede do município, longe de recursos imediatos como saúde, educação, segurança, além de que são menos informadas de seus direitos”, completou a assistente social Márcia Nogueira Ferreira .


Margarida Maria Alves era uma trabalhadora rural, em 1973 ocupava o cargo de presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Alagoa Grande, município do estado da Paraíba. Em 12 de agosto de 1983, próximo das 18 horas, ela estava em frente à sua casa  com seu marido e o filho  quando um matador de aluguel deu um tiro de espingarda calibre 12, tirando-lhe a vida.

O crime foi brutal e o pistoleiro agiu obedecendo ordens dos usineiros da região do brejo paraibano. Na época de sua morte, ela  havia movido 73 ações trabalhistas de trabalhadores rurais das usinas por direitos trabalhistas, esse foi o motivo do crime.

A líder sindical foi uma das mulheres pioneiras nas lutas pelos direitos dos trabalhadores e trabalhadoras rurais. Após sua morte tornou-se símbolo político representativo desta classe que a homenageou em um grande evento nacional que  reúne  de quatro em quatro anos milhares de mulheres em Brasília  no dia 12 de agosto , a Marcha das Margaridas.

O assassinato de Margarida continua impune, dos cinco acusados de serem os mandantes, apenas dois foram julgados e absolvidos: Antônio Carlos Coutinho e José Buarque de Gusmão Neto, o Zito Buarque. Agnaldo Veloso Borges já faleceu e os irmãos Amaro e Amauri José do Rego, o paradeiro é desconhecido.

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