Alunos refletiram sobre saúde mental

As apresentações mostraram que é preciso cuidar um do outro

De acordo com um relatório da Organização Mundial da Saúde (OMS), em 2014, o Brasil é o 4° país com maior crescimento de casos de suicídio na América Latina, com um aumento de 10,4% na última década, sendo o líder em números absolutos destes casos.

 PINHÃO                            

Infelizmente, em Pinhão, o índice de suicídio e tentativa também é muito grande, só no primeiro semestre desse ano, já houve o registro de três suicídios e uma tentativa, sem contar as auto mutilações, que quase sempre não são registradas nos órgãos oficiais.

Projeto: Suicídio, você não precisa dele para encontrar a saída!

As psicólogas Ana Carla Alves e Marizaine Pavoski, e o assistente social Juliano Ribas Machado, que atuam na Secretaria Municipal de Saúde, decidiram desenvolver o Projeto: Suicídio, você não precisa dele para encontrar a saída! e apresentaram no inicio do ano letivo aos três colégios estaduais da sede do município: Professor Mario Evaldo Morski, Procópio Ferreira Caldas e Santo Antonio.

O projeto se dividiu em três etapas, na primeira os profissionais da secretaria de saúde tiveram uma conversa com os professores e pedagogos das escolas sobre o tema.

Na segunda, trabalharam com os alunos sobre cuidados e como promover bons hábitos para garantir uma boa saúde mental.

Na terceira, os alunos pesquisaram mais sobre o tema e buscaram formas de apresentar aos colegas o resultado das suas pesquisas. Para os profissionais da saúde, essa etapa era importante, pois levaria os alunos a refletirem mais sobre o tema e que, ao pensarem e pesquisarem sobre o tema fossem incorporando bons hábitos de saúde mental em suas vidas.

 APRESENTAÇÕES

Durante o mês de junho, Ana Carla, Marizaine e Juliano foram aos colégios acompanhar as apresentações.

A equipe de reportagem do Fatos do Iguaçu também acompanhou as apresentações em dois dos colégios e registrou a dedicação dos alunos nas pesquisas, percebendo que o tema é sério e exige atenção deles.

 COLÉGIO PROCÓPIO

Cada colégio seguiu uma sistemática na hora das apresentações, no Colégio Procópio, elas aconteceram em uma sala de aula, onde a cada rodada duas turmas assistiam as apresentações em forma de jograis, explicações sobre os conceitos e as diferenças entre suicídio, automutilação, a encenação de cenas corriqueiras que acontecem em sala de aula, o bullying, por exemplo, músicas e pequenas peças teatrais.

Para o diretor do Colégio Procópio, Murilo, a proposta da secretaria de  saúde caiu como uma luva, pois já algum tempo o tema era preocupação da equipe pedagógica e docente do colégio, mas eles não se sentiam capacitados para discutir o tema com os alunos.  “A proposta foi muito importante, é um tema que está colocado na sociedade e nós queríamos trabalhar o tema de forma interdisciplinar, mas nos faltava formação, o projeto caiu como uma luva, pois eles fizeram primeiro uma formação para nós. Eles foram muito felizes no formato que deram ao projeto e na forma que o conduziram”.

 ALUNA

Para a aluna Maria Carolina do Nascimento, 13, do 8º ano A do Colégio Procópio, o trabalho foi muito válido “Para nós foi importante, pois assim aprendemos como ajudar, amparar as pessoas que passam por dificuldades, porque quem está passando por esse tipo de problema, precisa de atenção. È importante falar do suicídio, pois hoje em dia tem muitos jovens pensando nisso e assim ajuda a clarear e a chamar a atenção das pessoas para o problema”. Ana Carolina complementou dizendo que realizar a apresentação não é fácil. “Na hora de apresentar, dá um friozinho na barriga, mas valeu a pena porque é para o bem de todos.A secretaria acertou em cheio realizar esse projeto e ainda mais assim, nos colégios, alertou os alunos que há caminhos, que é preciso buscar ajuda entre os amigos, professores e familiares”.

 MORSKI

No Colégio Morski as apresentações foram realizadas na quadra para  os alunos de todos os turnos de uma única vez, e as apresentações fizeram parte das tarefas que as turmas teriam que realizar da Gincana da Integração que o colégio estava realizando.

As apresentações dos alunos variaram de danças a jograis, músicas a pequenas encenações e também a criação de vídeos que falam da prevenção do suicídio.

 PRIMEIRO, O RECEIO

A pedagoga Suzana Ribeiro, do Colégio Morski, explicou que no primeiro momento, quando a proposta foi trazida para o colégio, eles ficaram receosos, mas que a forma que os profissionais trataram do assunto com os professores, o receio foi sendo deixado de lado. Suzana reforçou que quando começaram a pensar no trabalho com os alunos, as dúvidas retornaram. ”A dúvida voltou, será que não estaremos incentivando negativamente? Porém, o que se viu no desenvolver o trabalho é que se vai esclarecendo, as informações vão abrindo caminhos, oferecendo novas perspectivas aos alunos e que o trabalho valeu muito a pena ter sido realizado”.

 MOSTROU REALIDADES

A pedagoga contou que com o projeto eles ficaram mais atentos a alguns detalhes do comportamento dos alunos, que os levou a detectar situações de riscos. “O projeto acabou dando visibilidade a situações de riscos, como depressão, autoestima rebaixada, que com as informações recebidas foram possíveis ser observadas e atendidas a tempo, conseguimos realizar encaminhamentos no sistema de saúde. Assim consideramos que o projeto no todo foi muito produtivo”.

 OS 4 Ds QUE ALERTAM

As pesquisas feitas com os que tentaram e não conseguiram concretizar o suicídio é que o ato suicida não implica necessariamente num desejo de acabar com a vida, mas na intenção de fazer parar a dor que não se pode suportar. Sendo uma forma extrema de comunicar a solidão do sofrimento aos outros, é sempre um pedido tardio de ajuda.

Os estudos descrevem 4 sinais característicos de quem pensa em suicídio, são os 4D: Depressão, Desamparo, Desesperança e Desespero. Podem ser expressos por atitudes, falas ou mudanças bruscas de comportamento. Caso note alguém com estes sentimentos, não o ignore: converse, se aproxime, ouça sem julgar. Oriente a pessoa a pedir ajuda profissional, e se ela se recusar, considere alertar um parente próximo ou alguém de sua confiança.
E se você estiver se sentindo assim, não se acanhe em se abrir com um amigo ou familiar ou mesmo buscar o auxilio de um profissional.

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