Kako e Kátia

Essa reportagem conta a história de um casal que formou uma parceria de amor e superação. Escolheu realizar seus sonhos, construir sua empresa e criar suas lindas filhas em Pinhão.

Muitas pessoas escolheram Pinhão para viver e construir seus empreendimentos.

Dentre os que escolheram ser pinhãoense e contribuir  para que o município chegasse aos seus 57 anos com muito a realizar, mas com uma boa caminhada já feita, está o casal de empresários Edemir e Kátia Zucoloto.

 

Edemir Zucoloto

Kaco

Foto: Nara Coelho/Fatos do Iguaçu

Talvez poucas pessoas conheçam o Edemir Zucoloto em Pinhão. Provavelmente só os amigos mais próximos. Mas, se perguntar, você conhece o Kaco?, será difícil contar o número de pessoas que responderão sim, eu conheço.

E vai ter gente ligada à pescaria, esporte, política, comércio, construção civil.

Desde que chegou em Pinhão, o jovem Kaco atuou e se envolveu em muitas áreas, sempre acompanhado pela sua esposa Kátia.

Em maio de 2022 Kaco completa 50 anos. Desses, 27 são vividos em Pinhão.

Mas a vida desse empresário, proprietario da KCM Zucoloto Artefatos de Cimento e Construção Civil, junto com a esposa Katia Cristina Martins Zucoloto não foi nada fácil.

“Eu vim de família muito pobre, morava na barranca do rio, casa de chão batido. Éramos em 7 irmãos e nunca passamos fome, mas meu pai era bóia fria. Sofri muito na vida, fui morar em casa com luz elétrica depois dos 9 anos. Menino, colhi muito algodão e feijão porque tinha que fazer”.

O amor

Em 1990, com 18 anos, o jovem Edemir conheceu a Katia Cristina, nascida em Goioerê, mas veio pequena para Pitanga.

Em dois anos estavam casados e dispostos a fazer uma vida de amor, cumplicidade e felicidade juntos.

Kátia, com os olhos brilhando conta: “ Em maio de 2022 vamos completar 30 anos de casados. Nós fizemos a nossa vida sozinhos, só nós dois, pois nossos pais não tinham condições de nos ajudar”.

Kaco já complementou, “Minha mãe sempre nos dizia: se o homem casar com a mulher errada, ele está ferrado! A gente tem hoje pouquinha coisa, mas o que temos conquistamos juntos. Eu sei o valor que a Katia tem em tudo isso. Eu sozinho não iria fazer o que nós fizemos. Tanto é que o nosso dia-a-dia aqui é eu e ela. Acordamos, trabalhamos, almoçamos, dormimos juntos e temos as nossas discussões juntos! (muito riso).

Katia continuou, “Nós já passamos no teste porque ficamos 24 horas juntos. Fazemos tudo junto, as coisas da casa, a criação das meninas e a empresa”. (mais risos).

Chegada em Pinhão

Em 1994 Kaco chega a Pinhão. Ele veio com o construtor Lauro Seguro Korchack, pois em Pitanga trabalhara com ele por 9 anos.

Não veio sozinho, veio com a família, uma vez que já era pai da pequena Fernanda.

A Vila Seguro

Katia recordou “Onde hoje é a escola Decisão e as casas em volta era a Vila Seguro, que era formada pelos funcionários do Lauro. Todas aquelas casinhas eram nossas residências. O Divo, irmão dele, também morava lá e ele fez uma casa pra ele lá, eram seis casas”.

1997, uma nova caminhada com ajuda dos amigos

Incentivado pelo amigo Geraldo Possato, Kaco saiu da empresa do Lauro e montou a  construtora Aliança. O escritório era na avenida Trifon Hanycsz em frente à panificadora Pin Pão.

“Eu e o Taborda montamos uma empresa e quem me incentivou foi o Geraldo Possato. Ele fornecia produtos pros assentamentos. Lá em Laranjal, num assentamento novo, 210 famílias iam começar a construir as casas, ai eu comecei a construir casa para os sem-terra. Ia segunda feira de madrugada para lá e voltava sexta de noite. A Kátia e a Nanda passavam a semana sozinhas”.

“Depois comecei a pegar servicinhos aqui. O primeiro serviço foi da Neli e, depois. da igreja. Aí, construímos a casa do doutor Conti”.

Katia destacou, “Eles abriram a empreiterinha e os amigos foram dando serviço. Eu trabalhava com os japoneses na época, eles também deram serviço. Ele o Taborda foram se fazendo aos poucos”.

 A Família

Kaco e Katia falam com orgulho das filhas Fernanda e Melissa.

“A Nanda é professora de Língua Inglesa, Melissa se forma agora em Direito. Nossas filhas são muito tranquilas. Nós sabíamos que só podíamos contar um com o outro. Isso não  foi um drama, isso nos uniu, nos fortaleceu. Tinha dia que era sofrido,  mas a conexão entre  mim e o Kaco sempre foi muito grande, aí o sofrido ficava leve. Muito carinho e amor entre nós e as crianças.

Foto: Arquivo Pessoal

As minhas filhas nunca me deram dor de cabeça, eu sou um pai que me esforço não para ser um bom pai, mas o melhor.

Na nossa casa, mesmo nos dias difíceis de geladeira vazia, nunca faltou o amor entre nós. Eu trabalhava o dia todo, mas chegava em casa as meninas vinham pulando em cima de mim e eu ia brincar com elas, seja para andar de bicicleta ou  caminhar. Eu dava banho e trocava fralda, queria acompanhar de perto. Isso gerou uma união muito grande entre nós quatro”.

Política, uma paixão

“Eu milito na política desde 96, já fiz parte do palanque na eleição do Darci e do Deco vice. Estou no mesmo grupo até hoje e isso nos deu uma identidade. Claro, pagamos um preço por nos envolver, por nos manter no grupo que escolhemos.

A política mudou?

“Mudou. Na eleição do Darci e Deco contra o Leandro, se a gente saísse na rua com adesivo contrário, se ouvia de tudo e tudo podia acontecer, mas as coisas foram mudando.

Até porque as leis mudaram, foram mostrando que o prefeito é um funcionário do povo. O Odir, por exemplo, sempre me tratou muito bem, à altura do cargo que ele ocupava.

Isso também se deve ao fato que a cidade cresceu, as pessoas foram para as faculdades, têm mais conhecimento e conseguiram seu espaço profissional independente da prefeitura.

Antigamente era assim, um grupo esperando o seu prefeito ganhar para entrar na prefeitura e depois o outro grupo lutando para inverter a situação.

 Secretário de obras

Kaco foi secretário de Obras e Serviços Urbanos, como era denominada na época a sua secretaria na segunda administração do prefeito Osvaldo Lupepsa, o Deco de 2001 a 2004.

“Foi bom, a equipe de secretariado tinha uma sintonia muito boa. O Deco nos deu poder de decisão, nós tínhamos o nosso orçamento e sabíamos o que podíamos fazer. Eu fui secretário, ia para a prefeitura cedo de segunda a sexta, andava nas obras, ia aonde precisava. Tive uma equipe muito boa, na minha secretaria era gostoso de trabalhar. A administração do Deco 2001 a 2004 no todo foi muito boa, foi boa no sentido que tive muito aprendizado na questão de administração pública”.

Mas também resultou em bons amigos: “Na política a gente se envolve totalmente, e nela encontrei bons amigos. O Deco foi meu chefe, mas hoje é um super amigo. Alguns já partiram, como o seu  Zaia, o Francisco Neto e o  Cezar Sens”.

Mas não foram só flores

 “Mas quando avalio pelo lado familiar e profissional, o resultado já é mais negativo, pois ser secretário exige muito da atenção e do tempo da pessoa. Eu abandonei a minha empresa e depois tive que começar tudo de novo, porque eu perdi minha referência como construtor. Quando eu fui ser secretário eu já tinha obras em Pitanga, Cantagalo e Candói”.

Foi preciso escolher

Com a dedicação voltada para o serviço público, Kaco decidiu sair da Construtora Aliança.

“Quando assumi a secretaria até tentamos ficar mais não deu certo, e eu e o Taborda nos separamos. Mas nos separamos na paz. Ele ficou com a Construtora, eu fui para a prefeitura.  Fiquei com o terreno, que eu hoje tenho nossa casa, eu construí minha industriazinha e ele foi tocar a vida dele”.

A KCM Zucoloto

O mandato do Deco terminou em 2005 e Kaco retornou à sua empresa, a KCM Zucoloto Artefatos de Cimentos e Construção Civil, sem o Taborda, mas, claro, com o apoio e parceria da esposa Katia.

“Eu demorei um pouco para vir pra empresa com o Kaco, esperei as meninas crescerem um pouco. Depois que a Melissa nasceu eu não fui mais trabalhar. Ele fazia tudo sozinho, depois era eu e ele. A nossa empresa é cuidada e administrada por nós dois”.

Dois anos difíceis

Ter participado da administração pública trouxe para o empresário algumas complicações, “Foi preciso recomeçar, colocar novamente meu nome, meu trabalho na praça, como se diz, 2005 e 2006 pedalei muito. Voltei à minha fabriqueta e fui tocando a vida, obras só voltei a fazer em 2008”.

A Fábrica

Hoje, a KCM produz pré-moldados, tubos, meio fio para calçadas, manilhas, paver, piso grama.

“Ela está equipada e preparada para produzir tudo que for artefato de cimento. Tudo que se pode fazer com artefato de cimento a gente faz, é uma diversidade de coisas”, destacou Katia.

São 26 funcionários diretos

A empresa emprega 26 funcionários diretos, mas chega a 40 funcionários se considerar os terceirizados.

“Esse ano, de janeiro a dezembro e contando com os terceirizados, não baixamos de 40 funcionários”, contou Kaco com a satisfação de quem está vendo os resultados de muita dedicação e persistência.

O casal destacou “Nós temos uma ótima equipe de funcionários que estão conosco há muito tempo. Tenho funcionário que trabalha comigo desde que fizemos a praça. Isso também é uma conquista. Eles são bons, responsáveis e são nossos amigos, eles têm conosco e nós com eles muita consideração”.

“ O dia mais feliz do mês é o dia que eu faço o pagamento. Eu gosto do que eu faço, gosto muito de trabalhar com obra. Manter o grupo, dar uma contrapartida para eles, manter o salário em dia, faz com que não precisem deixar as famílias. Trabalhar fora é um dia de realização, pagar os encargos, pagar FGTS em dia deixa a gente realizado”.

“Somos pinhãoenses”

“Nós chegamos aqui em 94 e hoje é 2021. Fizemos nossa vida aqui, foi uma batalha criar as nossas filhas e manter a empresa, muitos teriam desistido, mas a gente não, insistimos, o Kaco tem um grande amor pelo Pinhão”, afirma Kátia.

Kaco complementou, “Eu até brinquei com o Mario de Oliveira, um dia, eu sou mais pinhãoense que você, pois você não pôde escolher, nasceu aqui. Eu escolhi morar, criar minhas filhas e montar a empresa aqui. Eu me considero muito pinhãoense. Essa mistura dos pinhãoenses natos com os que escolhem viver aqui é muito boa, ela gera o crescimento do município”.

Como era o Pinhão

O casal vai fazendo um passeio pela memória e vai descrevendo o Pinhão de quando eles chegaram em 1994.

“Ali onde nós morávamos era tudo mato, só tinha a nossa vila e as casas do Tulio e do Cezar Tulio, as dos funcionários deles que eram em frente. As ruas eram de chão.

Quando chegamos aqui, podemos dizer que era um município feinho porque tinha muito mato, muito terreno baldio. Era diferente dentro da sua simplicidade de cidade interiorana começando.

Aqui mesmo, nesse terreno que hoje temos a nossa casa e fábrica, era só nós em 2000. Nessa região só tinha a construção antiga do Ceebeja do lado da Eletrosul e o resto era mato e rua de chão. Não tinha água, eu tive que puxar. Não tinha luz, ela vinha até ali no Ceebeja, isso em 1999.

Tinha os Clubes São João, União e Progresso, o CTG e em todos aconteciam ótimos bailes.  Na Zatarlandia tinha festa e bailes. Ainda tinha as discotecas do Anselmo. A vida noturna era mais animada, com mais opção.

A gente cresceu junto com o Pinhão e com tudo que tem em volta de nós, tanto no primeiro lugar que moramos, lá embaixo, como aqui. A gente se plantou primeiro no lugar, hoje aquele bairro lá é o mais bonitinho da cidade, é limpo, as casas tem calçada, tem grama. O Araucária, Azaleia estão muito bonitos, parece que  já se começou certo.

Os profissionais eram poucos

Tinha poucos profissionais autônomos, dentistas eram o Nerone, Airtinho e o Tonho. Os advogados eram Elizabeth, Francisco, Eraldo e a Nair.

Fisioterapeuta foi o Deco que buscou em Curitiba, o Sandro.

Professor de Educação Física era o Geraldo e o Ari Claudio. O Geraldo ia com sua Caloi 10 de uma escola a outra dando aula.

O Alagado

Kátia conta da grande paixão do marido pelo alagado, “O Kaco tem os amigos de pescaria que ele não se separa. Eu gosto que ele tenha porque faz muito bem pra ele. Ele não sai daqui, é o amor da vida do Kaco. Eu, grávida da Melissa, descia pro alagado com o Kaco de balde e bota”.

“O alagado é uma referência do Pinhão, precisa cuidar bem dele. Nossos amigos de Curitiba e Goioerê, quando veem aqui já pedem para ir para o alagado”.

Rotary e a ARV

Kaco sempre se envolveu em várias entidades do município e lembrou com carinho de duas, o Rotary Club e a ARV, Associação Recreativa Vila Velha.

“Fui presidente do Rotary e da Piscina, a Katia coordenou por muito tempo a equipe de música da igreja e isso nos trouxe vínculo com muitas pessoas que estão até hoje no nosso dia-a-dia. Bons amigos como Geraldo Possato, nossos compadres João Artemio e Barbosa, o Luís Kramer, são pessoas que estão em nossa vida para sempre.”

O Rotary, entre outras atividades, promovia os Festivais. O povo amava e prestigiava. A parte cultural devia ter um olhar diferente nos dias de hoje.

A ARV quando chegamos aqui já existia, mas era composta por um grupo pequeno e tinha o campo de futebol. O terreno era do Tadeu. O Odenir Rech e o Jorge Sens  compraram e abriram a associação para mais sócios, e nós entramos. Fui presidente, realizamos o baile do Havaí, costelada, campeonato de vôlei.

Comércio cresceu

“O comércio evoluiu bastante. Hoje está diversificado, as lojas se organizam, investem no visual, isso é ótimo. Quando chegamos no Pinhão tinha o mercado Túlio e Guará e o Mercadolar. Temos vários supermercados, entre eles o da Zeneida, que veio por conta do Lauro e junto com a sua irmã Neuza transformaram aquele mercadinho em dois supermercados. Eu gosto muito dos mercados delas. Loja de móveis eram a  Maga Móveis e Móveis Pinhão.

Faltam mercadorias mais arrojadas

Mesmo as grandes redes como o Superpão, por exemplo, não trazem os produtos mais diferentes, mais arrojados ou mesmo sofisticados. Como se aqui as pessoas não quisessem ou não pudessem querer algo mais diferente, isso tem acontecido também com as lojas de confecções.

Me lembrei da Vera, ela tinha uma lojinha pequena, mas com uma diversidade linda, arrojada, diferente. Tinha coisa simples, mas tinha também o mais sofisticado.

Esperam de Pinhão

Pinhão, para ficar melhor porque já é muito bom morar aqui, eu espero ter um polo da faculdade pública. As universidades têm um papel importante no desenvolvimento.

Na segurança, precisamos ter um maior efetivo de policiais atuando aqui.

Olhar com mais cuidado e carinho à questão de saúde. É preciso criar caminhos para melhorar esse setor.

Desenvolvimento urbano, nossa cidade já merece ser mais cuidada, mais embelezada, organizada.  É preciso que sejam organizados os lotes imensos que se tem pela cidade. As pessoas precisam fazer uma boa e bonita calçada. O loteamento do seu Francisco com os filhos é um bom exemplo. Nasceu organizado e isso estimula as pessoas a fazer casas mais organizadas. A regularização fundiária precisa ganhar agilidade, ela promove crescimento.

Falta uma união de forças da população com a administração pública para que seja desenvolvido o setor da  cultura e turismo, tem muita coisa a ser explorada.

Um potencial que nós não exploramos  é o alagado. Temos o espaço lá do alagado do Foz do Areia cedido pela Copel para a prefeitura que nós, enquanto administração pública e comunidade, desperdiçamos e que poderia ser aproveitado turisticamente gerando rendas.

Parabéns, Pinhão!

Aqui é um lugar excelente para se viver, morar, criar os filhos. Não oferece tudo que um grande centro oferece, mas o custo de vida é mais baixo, lugar bom de fazer amigos. Todos se conhecem e se reconhecem.

Acreditamos no Pinhão que vai desenvolver bem mais, e nossa meta é continuar aqui, gerando mais empregos, pois o maior patrimônio de uma empresa são seus colaboradores, que para nós são nossos amigos, e seus clientes. Queremos  estar cada vez da melhor maneira possível.

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