Humberto Silva Pinho

Por Humberto Pinho da Silva

Meu pai, quando se aposentou, os amigos disseram:

– ” Entrastes, hoje, no grupo da fome…”

A reforma era baixa, mas bastante para viver dignamente.

Mas, no correr do tempo, foi-se degradando, mormente após 1974, quando os salários subiram substancialmente, e os aposentados pouco usufruíram.

Quando faleceu, sua reforma estava tão diminuída, que mal lhe dava para comer.

É triste, quem trabalhou quarenta anos ou mais, chegue ao termo da vida, sem recursos, para viver em paz e sem preocupação monetária. São raros os políticos que se lembram dos reformados, e raros são os programas dos partidos que reclamem aumento para eles, exceto salário mínimo.

Já não digo igual ao ativo – o que seria justo, – mas, pelo menos, que acompanhe o aumento do custo de vida.

Tudo sobe, anualmente há aumento de preços, mas quem se lembra dos reformados, que não têm sindicatos que os defendam?

Uma vez aposentado, o seu sindicato deixa de o defender, reivindicando reforma atualizada.

Outrora, diz a velha história tradicional, os filhos, vendo os progenitores velhos e improdutivos, levavam os progenitores improdutivos, para as montanhas, e lá os deixavam entregues à sua sorte.

Felizmente, agora, há lares e casas de recolhimento, mas só para quem pertence à classe rica ou média alta ou estrangeiros, porque os restantes sujeitam-se a lares, sem privacidade, que parecem, muitas vezes, “armazéns”, porque as reformas não lhes dão para mais.

Em quase todos os países, os velhos, são deixados ao ostracismo. Nuns mais do que noutros.

Que a situação se verifique no terceiro mundo, não é justa; mas nas nações, que se orgulham e proclamam-se de ultra civilizadas, por que não cuidam dos idosos pobres e remediados? Brada aos Céus!…

Não esquecer, que há famílias da classe média, que se sustentam com um só reforma ou pensão, e merecem, como cidadãos, terem velhice digna.

Ou será que as Pátrias comportam-se como os filhos da velha e tradicional história?

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