Francisco Carlos Caldas

Ao se aproximar mais um DIA DA PÁTRIA, e por nos últimos dias ter se deparado com um terrível caso de injustiça  de interpretações de leis ambientais e ação draconiana de tentativa de terrorismo punitivo nessa área (Ação Civil Pública nº. 0001376-54.2021.8.16.0134), encontramos em nossos arquivos uma espécie de poema ou poesia (não nossa praia) que fizemos no início da década de 1980, num clima de evento Dia do Folclore que é 22 de agosto e 7 de setembro que é dia da Pátria, e dos tempos de professor de Educação Moral e Cívica-EMC no Mórski, – O PROTESTO DO CURUPIRA:

            “Saio hoje do interior das matas,

            E venho na cidade protestar,

            Contra a insensibilidade humana,

            Que querem me deixar sem onde morar.

            Já fui feliz neste País imenso,

            Na época de vastas florestas e riquezas mil,

            Hoje choro de mágoa e saudade,

            Sentindo na alma o que estão fazendo com o Brasil,

            Nossa Terra tinha muitas palmeiras,

            Onde cantava o sabiá,

            As aves que aqui gorjeavam,

            Já não mais estão podendo gorjeá.

            O poeta Gonçalves Dias,

            Foi muito feliz e patriota fazendo a Canção do Exílio,

            Hoje eu seria muito idiota se não fizesse à Pátria,

            Este humilde protesto em seu auxílio.

            Sou uma lenda da Terra,

            Que hoje saio triste do meu habitat,

            O desrespeito à natureza está tão grande,

            Que mesmo sendo irreal, receio que alguém me mate.

            Quero fazer alguma coisa pela minha Terra,

            Em sinal de patriotismo e devoção,

Não quero que as gerações futuras,

Me cobrem, a inconcebível conduta da omissão.

O descaso com o meio ambiente,

Tem como consequência imediata a poluição,

E se não houver consciência ecológica de nossa gente,

Não sei o que será da Nação.

O desmatamento que vem ocorrendo,

Está me deixando sem casa e estarrecido de dor,

Só não consigo entender como a ambição humana,

Vem ganhando de goleada, da natureza, que é amor.

A Amazônia que é pulmão verde do mundo,

Poderá até virar desertão,

Tem muito fogo e grupo multinacional,

E até uma serra mecânica alemã, chamada “correntão”..

A queima de florestas e falta de reflorestamento,

É coisa séria e para chorar,

Em Tucuruí e outros projetos ocorre desperdício de madeiras,

E milhões de brasileiros não tem um teto para morar.

Até 1930, 85% do solo paranaense,

Era coberto de floresta,

Hoje tem 4,5% de matas,

Desertos, enchentes, secas e muita coisas que não presta.

O ar atmosférico de muitas de nossas cidades,

Está se tornando, praticamente, irrespirável,

Privando uma massa enorme de seres humanos

Em viver: um direito natural e inalienável.

O problema do ar atmosférico poluído,

            Me fez lembrar entre outras coisas de Cubatão,

            Prato cheio da imprensa e com sérios problemas de saúde,

            Por ser a cidade recordista mundial de poluição.

            Feito pedra de gelo na areia,

            Nosso solo fértil vai se perdendo na imensidão,

            Resultado produtividade de índio nas lavouras,

            Humus, verde-amarelo, nos rios e mares por problemas de erosão.

            O Brasil está ficando literalmente careca,

            A verdade é essa e doa a quem doer,

            O nosso solo alimenta rios e mares,

            E o nosso povo não está podendo comprar o que comer.

            O Iguaçu e outros rios da região,

            Parece rio de sangue talhado em terra mole,

            É um escândalo de cortar o coração,

            Que até lenda e índio inculto não engole.

            É o progresso do homem branco,

            Que Curupira não consegue entender,

            O que eu mais quero na realidade,

            É a natureza defender.

            Lenda e índio não são levados a sério,

            Estou falando por desencargo de consciência,

            E também uma singela forma que achei,

            De saudar a data comemorativa de nossa independência.

            Faço parte do folclore,

            Mas não sou bicho papão,

            Quero a grandeza do Brasil,

            De todo o coração.

Perdoem se não fui feliz no manifesto,

E se vocês me acharem meio careta,

Só saí das matas e vim aqui,

Porque estou vendo a coisa preta.

Para encerrar faço um apelo,

A todo o povo do Pinhão,

Apesar dos pesares, não existe país como este,

Por isso, emitem na grandeza, a Terra em que nasceste”.

(Francisco Carlos Caldas, advogado, municipalista  e CIDADÃO).

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