vereador Márcio Tigrinho – Foto: reprodução transmissão ao vivo redes sociais
Por Naor Coelho – Portal Fatos do Iguaçu
Durante o uso da Tribuna na sessão ordinária da Câmara Municipal de Pinhão, realizada na noite desta segunda-feira (15), o vereador Márcio Roberto de Oliveira (PSD), o Márcio Tigrinho, fez duras críticas à administração municipal, levantando questionamentos sobre a situação financeira do município, a ausência de certidões negativas, atrasos em pagamentos a fornecedores e a realização do concurso público. A fala foi acompanhada por apartes dos vereadores Luciano Padilha (PSD), Vilma Kitcky (PT) e Edson Francesconi (PT). Já os vereadores da base de apoio ao prefeito Valdecir Biasebetti não se manifestaram sobre os temas abordados.
Logo no início do pronunciamento, Tigrinho afirmou que a falta de certidão negativa estaria impedindo o município de celebrar convênios e receber recursos.
“Sem certidão não vem nada, não tem convênio nenhum”, declarou o parlamentar.
Segundo o vereador, a situação pode comprometer a chegada de recursos já encaminhados para Pinhão, incluindo a aquisição de maquinários agrícolas. Ele citou, como exemplo, um recurso de aproximadamente R$ 1,2 milhão que dependeria da regularidade documental do município.
Denúncias de atrasos em pagamentos
Durante a fala, o vereador também relatou reclamações recebidas de prestadores de serviços, como borracharias, oficinas e artistas locais que participaram da Festa do Pinhão.
Conforme Tigrinho, profissionais que atuaram no evento teriam aguardado cerca de 30 dias para receber pelos serviços prestados. Ele atribuiu os atrasos à situação financeira da administração municipal.
“O povo trabalha e sobrevive dos braços, e precisa receber”, afirmou.
Luciano Padilha cita feirantes e critica prioridades do Executivo
Em aparte, o vereador Luciano Padilha (PSD) afirmou que já vinha alertando o Executivo sobre a necessidade de definir prioridades na gestão dos recursos públicos.
Segundo ele, o município atravessa dificuldades financeiras e ainda não realizou obras relevantes neste ano. O parlamentar também citou atrasos nos pagamentos aos feirantes da agricultura familiar.
“Os feirantes ficaram mais de dois meses sem receber”, declarou.
Padilha criticou ainda o tratamento dado aos artistas locais durante a festa do município, comparando a situação com a contratação dos artistas nacionais.
“Os artistas nacionais receberam antes de pisar no palco”, afirmou.
O vereador também questionou gastos da administração com a realização da festa e mencionou valores destinados à segurança, tendas e shows nacionais.
Vereadores apontam atraso de diárias e pagamentos a fornecedores
Retomando a palavra, Tigrinho afirmou que servidores municipais também estariam enfrentando atrasos no pagamento de diárias de viagem.
Segundo o vereador, alguns funcionários estariam custeando deslocamentos a trabalho com recursos próprios. Ele alertou ainda fornecedores para que redobrem a atenção ao prestar serviços ao município diante das dificuldades financeiras apontadas.
Vilma Kitcky questiona transparência e compras diretas
Em novo aparte, a vereadora Vilma Kitcky (PT) relatou que diversos pedidos de informação protocolados pelos parlamentares estariam sendo rejeitados em plenário.
Ela também citou atrasos no pagamento de prestadores de serviço, entre eles o responsável pelo abrigo municipal de cães.
“Faz dois meses que o senhor Nereu não recebe”, afirmou a vereadora.
Vilma também questionou compras diretas realizadas pelo Executivo em situações nas quais já existiriam processos licitatórios vigentes e criticou o funcionamento do Portal da Transparência.
“O portal da transparência no município, infelizmente, é um faz-de-conta danado”, declarou.
A parlamentar afirmou ainda que a oposição pretende ampliar o debate público sobre a gestão dos recursos municipais.
Edson Francesconi demonstra preocupação com perda de recursos
Em outro aparte, o vereador Edson Francesconi (PT) demonstrou preocupação com a possibilidade de perda de emendas parlamentares caso o município permaneça sem a certidão necessária.
Ele citou uma emenda de R$ 385 mil destinada à reforma do Ginazinho e alertou para o prazo de liberação dos recursos.
“A gente pode ser oposição, mas nós não queremos que Pinhão vá para trás”, afirmou.
Francesconi também mencionou o risco de comprometimento de projetos como habitação, maternidade e obras de pavimentação caso a situação documental não seja regularizada.
Concurso público também entra no debate
Na parte final de seu pronunciamento, Márcio Tigrinho voltou a abordar o concurso público municipal. Segundo ele, após a homologação do certame, ocorrida em dezembro, teriam sido realizados contratos temporários em áreas como saúde e educação.
O vereador questionou a não convocação de aprovados e citou preocupação com o índice da folha de pagamento do município.
“Fazer um concurso e depois fazer contratos, por quê? Então fica aí a pergunta: por que não chamam?”, questionou.
Ao encerrar o pronunciamento, Tigrinho afirmou que suas críticas têm como objetivo fiscalizar a administração pública e atender às demandas apresentadas pela população.
Até o encerramento da sessão, vereadores da base de apoio ao prefeito Valdecir Biasebetti não se manifestaram sobre as denúncias e questionamentos apresentados na tribuna.
Ouça a fala do vereador Marcio Tigrinho e apartes








