Quinta-feira, 27 de agosto de 2026
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Operação investiga suposta propina de R$ 100 mil para regularizar obra em Guarapuava

MPPR cumpriu 20 mandados de busca e apreensão; presidente da Câmara Municipal está entre os investigados na Operação Fórmula Mágica

Agente do Gaeco realiza buscas em um guarda-roupa durante o cumprimento de mandado em um dos endereços investigados na Operação Fórmula Mágica, em Guarapuava.

Agente do Gaeco durante o cumprimento de um dos 20 mandados de busca e apreensão da Operação Fórmula Mágica, deflagrada pelo MPPR nesta quarta-feira (26), em Guarapuava. (Foto: Divulgação/MPPR)

O Ministério Público do Paraná (MPPR) deflagrou, nesta quarta-feira (26), a Operação Fórmula Mágica, que investiga um suposto esquema de corrupção relacionado à regularização de uma obra em Guarapuava, na região Centro-Sul do Paraná.

A ação foi conduzida pelo Grupo Especializado na Proteção ao Patrimônio Público e no Combate à Improbidade Administrativa (Gepatria). Ao todo, foram cumpridos 20 mandados de busca e apreensão, autorizados pela 2ª Vara Criminal da Comarca de Guarapuava.

Conforme o MPPR, as medidas tiveram como alvos o presidente e um servidor da Câmara Municipal de Guarapuava, um servidor do Município, três sócios de uma farmácia da cidade e a empresa responsável pela construção investigada.

Obra teria começado sem aprovação e licença

Segundo as investigações, os empresários teriam iniciado, em 2019, a construção de um edifício sem submeter previamente o projeto à aprovação dos órgãos competentes e sem solicitar a licença necessária para executar a obra.

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Entre 2022 e 2023, eles teriam buscado regularizar a construção. O setor responsável da Secretaria Municipal de Habitação e Urbanismo, entretanto, embargou a obra e informou que solicitaria também o embargo judicial diante de irregularidades consideradas insanáveis.

De acordo com o Ministério Público, no final de agosto de 2023, um dos empresários teria procurado o presidente da Câmara Municipal de Guarapuava para obter ajuda na liberação da construção.

Investigação aponta suposto pagamento de propina

As apurações indicam que o empresário e o agente político teriam combinado o pagamento de aproximadamente R$ 100 mil em propina, para que o presidente da Câmara intermediasse a regularização da obra.

O pagamento da suposta vantagem indevida teria ocorrido nos dias seguintes. Segundo o MPPR, o próprio empresário teria fotografado o dinheiro entregue.

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Os investigadores também identificaram depósitos em espécie nas contas bancárias do presidente da Câmara, do então secretário municipal de Habitação e Urbanismo e de um servidor público que trabalhava no setor tributário do Município.

A origem dos valores e a eventual relação dos depósitos com o suposto esquema são objetos da investigação.

Alvará teria sido assinado pelo então secretário

Em contrapartida ao suposto pagamento, o presidente da Câmara teria atuado junto ao então secretário municipal de Habitação e Urbanismo para viabilizar a regularização da construção.

Conforme o MPPR, profissionais do setor técnico teriam se recusado a assinar a documentação necessária. Diante disso, o então secretário teria assinado pessoalmente o alvará de licença para construção e a aprovação do projeto, embora não possuísse formação em Engenharia Civil ou Arquitetura.

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As investigações também apontam que um servidor que ocupava, na época, o cargo de diretor de Arrecadação teria substituído uma avaliação feita pelo profissional responsável pela área imobiliária.

A alteração teria reduzido o valor do tributo que deveria ser pago para a regularização da obra por meio de concessão onerosa, beneficiando novamente os empresários envolvidos.

Ex-secretário já havia sido alvo de outra investigação

O então secretário municipal de Habitação e Urbanismo não foi alvo das medidas cumpridas nesta quarta-feira. Segundo o Ministério Público, ele e integrantes de sua equipe já haviam sido alvo de busca e apreensão em outra investigação recente.

Elementos obtidos naquela apuração teriam contribuído para o avanço das investigações que resultaram na Operação Fórmula Mágica.

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O nome da operação faz referência, segundo o MPPR, à suposta utilização de mecanismos ilícitos para regularizar uma obra que apresentava irregularidades, mediante a atuação de agentes públicos e o pagamento de vantagem indevida.

As investigações continuam para esclarecer os fatos, identificar a possível participação de outros envolvidos e reunir elementos para eventuais medidas judiciais e extrajudiciais.

O release divulgado pelo Ministério Público não informa os nomes dos investigados nem apresenta manifestações das respectivas defesas. O espaço permanece aberto para esclarecimentos.

Com informações do Ministério Público do Paraná.

Editoria Guarapuava
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