A Federação União Progressista, formada por PP e União Brasil, confirmou apoio a Sandro Alex, do PSD, para o Governo do Paraná, e a Rafael Greca, do MDB, para vice-governador. A Executiva Estadual também aprovou a participação na chapa de Alexandre Curi, do Republicanos, para o Senado.
Além das definições majoritárias, a ata encaminhada à Justiça Eleitoral apresenta uma decisão politicamente incomum: os candidatos da federação foram liberados para apoiar concorrentes de outras legendas ou coligações, inclusive por meio de dobradas entre candidatos a deputado estadual e federal, sem risco de punição interna.
Ao mesmo tempo, a União Progressista determinou que todo o tempo de propaganda eleitoral gratuita da federação destinado à eleição para o Senado seja utilizado exclusivamente na campanha de Alexandre Curi.
A reunião foi realizada na quarta-feira, 5 de agosto, entre 18h30 e 19h30, no Clube Urca, em Curitiba. O documento foi transmitido pelo sistema CANDEx na quinta-feira, 6 de agosto, às 17h11.
Os trabalhos foram presididos pelo deputado federal Ricardo Barros e secretariados por Daniel Cordeiro. A lista de presença apresenta dez integrantes da Executiva Estadual.
“A Mudança Continua” reúne nove partidos
O quadro estruturado do CANDEx registra que a coligação recebeu o nome “A Mudança Continua” e terá Luiz Paulo Muller Franqui como representante perante a Justiça Eleitoral.
A aliança para o Governo do Paraná reúne sete agremiações ou federações:
- PSD;
- MDB;
- Federação União Progressista;
- Federação PSDB/Cidadania;
- Republicanos;
- Avante;
- Democrata.
Como as duas federações são compostas por quatro siglas, a aliança representa, individualmente, nove partidos: PSD, MDB, PP, União Brasil, PSDB, Cidadania, Republicanos, Avante e Democrata.
Sandro Alex concorrerá ao governo com o número 55. Rafael Greca foi confirmado como candidato a vice-governador.
A decisão formaliza a participação de PP e União Brasil no grupo político liderado pelo governador Ratinho Junior. A composição já havia sido aprovada pelas convenções de outras legendas, mas dependia da manifestação da União Progressista, cuja convenção de 23 de julho havia delegado as decisões majoritárias à Executiva Estadual.
Curi terá Dudu Potencial e Padovani como suplentes
Para o Senado, a federação aprovou Alexandre Curi como candidato titular, com o número 100.
A chapa foi confirmada com:
- Alexandre Curi, do Republicanos — candidato ao Senado;
- Carlos Eduardo Hammerschmidt, o Dudu Potencial — primeiro suplente;
- Nelson Fernando Padovani — segundo suplente.
Nelson Padovani é filiado ao PP, integra a Executiva Estadual da União Progressista e participou da reunião que aprovou a composição. Ele foi eleito deputado federal pelo Paraná em 2022.
A candidatura de Curi terá o apoio formal da União Progressista, MDB, Federação PSDB/Cidadania, Republicanos, Avante e Democrata.
O documento não menciona Cristina Graeml, filiada ao PSD e anunciada como a segunda candidata ao Senado do grupo de Sandro Alex. A ata analisada trata exclusivamente da participação da federação na chapa de Curi e não registra deliberação sobre apoio ou rejeição à candidatura de Cristina.
Tempo de televisão será exclusivo de Curi
A Executiva determinou que a parcela do tempo de televisão pertencente à Federação União Progressista na eleição para o Senado seja destinada exclusivamente a Alexandre Curi.
A decisão garante ao candidato do Republicanos uma participação relevante na propaganda da aliança, uma vez que a federação reúne PP e União Brasil e possui representação parlamentar utilizada no cálculo do horário eleitoral.
A destinação exclusiva contrasta com a cláusula que libera os candidatos proporcionais para apoiar outros concorrentes. Na prática, a federação mantém Curi como sua escolha institucional para o Senado, mas permite posições individuais diferentes fora dos espaços oficiais reservados à campanha senatorial.
Essa autorização interna não afasta as regras da Justiça Eleitoral. O TSE possui precedentes segundo os quais partidos e candidatos não podem utilizar seus programas de rádio e televisão para pedir votos a candidatos de outras legendas ou coligações. Consulte os entendimentos do TSE sobre propaganda para candidatos de outros partidos.
Candidatos ficam livres para fazer outras alianças
A ata estabelece que os candidatos da União Progressista poderão apoiar concorrentes de qualquer cargo, majoritário ou proporcional, pertencentes a outras legendas ou coligações.
A permissão alcança:
- candidatos ao governo e ao Senado de outros grupos;
- candidatos a deputado federal de outras legendas;
- candidatos a deputado estadual de outros partidos ou federações;
- dobradas eleitorais entre candidatos proporcionais de grupos diferentes.
O documento afirma que essas manifestações não resultarão em sanções dentro dos partidos ou da federação.
A cláusula concede ampla autonomia aos candidatos de PP e União Brasil para organizar campanhas regionais. Na prática, candidatos a deputado poderão firmar dobradas com nomes que não pertencem à lista da União Progressista e adotar posições majoritárias diferentes da orientação oficial.
A liberdade, entretanto, não modifica a composição formal aprovada pela federação nem autoriza o descumprimento das regras eleitorais. Também poderão continuar aplicáveis eventuais determinações nacionais da União Progressista que tenham força estatutária sobre as decisões estaduais.
Coligações para governo e Senado têm composições diferentes
A parte narrativa da ata registra duas composições distintas.
Para o governo, a aliança inclui o PSD e os outros seis grupos partidários. Para o Senado, a composição em torno de Curi reúne os mesmos aliados, mas deixa o PSD de fora.
A diferença é relevante porque a jurisprudência do Tribunal Superior Eleitoral não admite a formação de uma coligação para senador distinta daquela constituída para governador, mesmo quando a chapa senatorial é formada apenas por parte dos integrantes da aliança estadual.
O TSE admite que partidos coligados para governador apresentem candidatos isolados ao Senado quando não houver uma coligação senatorial. Entretanto, o entendimento histórico da Corte veda a chamada coligação cruzada, formada com composições diferentes para os dois cargos majoritários estaduais. Confira a jurisprudência do TSE sobre coligações para governador e senador.
Isso não permite afirmar antecipadamente que a chapa de Curi será rejeitada. A composição ainda poderá ser retificada ou registrada de maneira compatível com as regras eleitorais.
A própria ata informa que o nome da coligação para o Senado, seus representantes e as demais questões serão formalizados em documento específico. O efeito jurídico definitivo dependerá do DRAP e dos requerimentos apresentados ao Tribunal Regional Eleitoral do Paraná.
Três candidaturas proporcionais são alteradas
A reunião também promoveu três mudanças nas listas para a Câmara dos Deputados e para a Assembleia Legislativa.
Na chapa federal, Alexandre de Freitas, que usaria o nome de urna Alexandre Roller, foi substituído por Darwin Takahiro Shiwaku.
A candidatura ficou registrada da seguinte forma:
- Darwin — candidato a deputado federal pelo PP, número 1100.
Na chapa estadual, Anice Nagib Gazzaoui foi substituída por Michel Lee Giovanella:
- Michel Giovanella — candidato a deputado estadual pelo PP, número 11888.
A Executiva também utilizou uma vaga remanescente para incluir Dian Carlos de Barros Alves Ramos:
- Dian de Barros — candidato a deputado estadual pelo União Brasil, número 44744.
A ata não informa os motivos das substituições de Alexandre de Freitas e Anice Gazzaoui. Também não registra expressamente se houve renúncia, desistência, impedimento documental ou apenas uma decisão política da Executiva.
Chapa estadual fica próxima do mínimo feminino
A análise comparativa da convenção de 23 de julho, da substituição realizada em 28 de julho e da nova ata permite reconstruir a composição atual das listas.
A nominata federal permanece com 31 candidaturas: 21 homens e dez mulheres. A participação feminina corresponde a aproximadamente 32,3%.
Na chapa estadual, a convenção havia aprovado 54 nomes, sendo 36 homens e 18 mulheres. Em 28 de julho, Dr. Adriano Palmital foi substituído por Dr. Jefferson Criminalista, ambos do gênero masculino, sem alteração no percentual.
Agora, a substituição de Anice Gazzaoui por Michel Giovanella retira uma mulher e acrescenta um homem. A entrada de Dian de Barros na vaga remanescente adiciona outra candidatura masculina.
Com isso, a lista estadual passa a ter, conforme a sequência dos documentos:
- 55 candidaturas;
- 38 homens;
- 17 mulheres;
- participação feminina de aproximadamente 30,9%.
O percentual continua acima do mínimo legal de 30%, mas com margem reduzida. Uma eventual exclusão ou substituição de candidatura feminina precisará ser acompanhada de nova adequação para evitar o descumprimento da cota de gênero.
Segundo o TSE, as federações podem registrar até o número de cadeiras em disputa acrescido de uma candidatura. Como a Assembleia Legislativa do Paraná possui 54 vagas, a lista com 55 nomes alcança o limite máximo permitido.
Lista automática mostra apenas os novos nomes
O quadro de candidatos gerado pelo CANDEx apresenta somente Darwin, Dian de Barros e Michel Giovanella.
Isso não significa que as demais candidaturas da União Progressista tenham sido canceladas. A ata determina expressamente que permanecem ratificadas todas as decisões anteriores que não entrem em conflito com o novo documento.
Portanto, a lista completa deverá ser interpretada pela combinação das atas transmitidas desde a convenção de 23 de julho.
Essa forma fragmentada de registro exige atenção porque as substituições e inclusões aparecem em documentos diferentes. A composição consolidada somente será conhecida oficialmente após a apresentação e o processamento dos pedidos de registro.
Federação foi registrada em março
A União Progressista reúne União Brasil e Progressistas. O registro da federação foi aprovado pelo Tribunal Superior Eleitoral em 26 de março de 2026.
Por força das regras eleitorais, os partidos integrantes de uma federação atuam como uma única agremiação durante o período de vigência da aliança. Isso inclui a formação das listas proporcionais, o cálculo dos votos e a distribuição das cadeiras conquistadas. Confira o registro da União Progressista no TSE.
No Paraná, a direção estadual é presidida por Ricardo Barros.
Registro definirá configuração definitiva
Partidos, federações e coligações têm até as 19 horas de 15 de agosto para apresentar o DRAP e os requerimentos individuais de registro.
O CANDEx reúne os dados pessoais, partidários e documentais das candidaturas e auxilia a Justiça Eleitoral na verificação das chapas e dos percentuais de gênero. Veja como funciona o registro de candidaturas.
Até o encerramento do prazo, a União Progressista e as demais legendas da aliança deverão compatibilizar a coligação para governador com a composição senatorial, corrigir as lacunas cadastrais e consolidar as listas proporcionais.
As decisões partidárias não equivalem ao deferimento das candidaturas. Todos os pedidos ainda serão analisados pelo Tribunal Regional Eleitoral do Paraná.
Nota de transparência: Esta reportagem foi elaborada a partir da análise comparativa da convenção estadual da Federação União Progressista, realizada em 23 de julho, e das atas complementares de 28 de julho e 5 de agosto de 2026. Também foram consultadas fontes públicas e institucionais. Ferramentas de inteligência artificial auxiliaram na leitura, comparação e organização das informações. O conteúdo foi revisado pela redação do Portal Fatos do Iguaçu.








