A dificuldade para pagar as contas aumentou no Paraná. Em agosto de 2026, 18,5% das famílias estavam com pagamentos em atraso, o equivalente a quase duas em cada dez. Em julho, o índice era de 17,9%. Em agosto do ano passado, estava em 12,4%.
Os dados são da Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (PEIC), elaborada pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) e pela Fecomércio PR.
Na prática, a comparação anual mostra que, em um grupo de 100 famílias, cerca de 12 tinham contas atrasadas em agosto de 2025. Agora, são aproximadamente 19. Apesar do crescimento, o Paraná ainda registra a segunda menor taxa de inadimplência do país.
Ter dívida não é o mesmo que estar com a conta atrasada
A pesquisa mostra também que 88% das famílias paranaenses possuem algum tipo de dívida. Isso coloca o Paraná na quinta posição entre os estados com maior proporção de endividados. Em agosto de 2025, o percentual era de 85,7%.
É importante, porém, entender a diferença: uma família pode estar endividada e manter todas as contas em dia.
Quem compra um eletrodoméstico parcelado, utiliza o cartão de crédito ou paga um financiamento de carro ou imóvel tem uma dívida. A inadimplência ocorre quando o pagamento não é feito até o vencimento.
Entre as famílias endividadas no Paraná, 78,9% mantêm os pagamentos em dia — aproximadamente oito em cada dez.
Mais famílias dizem que não conseguirão pagar
Além do aumento das contas atrasadas, cresceu a parcela de famílias que afirmam não ter condições de pagar os débitos vencidos. Esse grupo representa 5,2% do total pesquisado, contra 4,9% em julho e 2,3% em agosto de 2025.
Quando são consideradas apenas as famílias que já estão com contas atrasadas, as expectativas para o próximo mês são:
- 25,3% acreditam que conseguirão pagar todo o valor;
- 46,4% esperam pagar pelo menos uma parte;
- 28,3% dizem que não terão condições de pagar.
Os atrasos também estão se prolongando. Entre as famílias inadimplentes, 50,9% têm contas vencidas há mais de 90 dias. Outras 28,6% acumulam atrasos de 30 a 90 dias, enquanto 20,5% estão com pagamentos pendentes há até 30 dias. O atraso médio é de 66 dias.
Dificuldade é maior na faixa de renda mais baixa pesquisada
O levantamento divide as famílias em dois grupos: aquelas com renda de até dez salários mínimos e as que recebem acima desse valor.
No primeiro grupo, 88,9% possuem dívidas e 20% estão com contas atrasadas. Entre as famílias com renda superior a dez salários mínimos, 83,9% têm dívidas e 11,9% apresentam atrasos.
A diferença aparece também na falta de condições para quitar os débitos vencidos: essa situação atinge 5,8% das famílias com renda de até dez salários mínimos e 3% das que recebem acima desse limite.
Dívidas consomem quase um terço da renda
Em média, os pagamentos de dívidas comprometem 32,5% da renda mensal das famílias paranaenses. Em uma comparação simples, isso significa que, a cada R$ 100 de renda, R$ 32,50 ficam destinados a esses compromissos.
Na faixa de até dez salários mínimos, o comprometimento chega a 32,9%. Entre as famílias com renda superior, fica em 30,5%.
Para 16,9% dos endividados, a situação exige uma parcela ainda maior do orçamento: mais da metade da renda está comprometida com dívidas.
Cartão de crédito lidera
O cartão de crédito é o tipo de dívida mais frequente, mencionado por 88,2% das famílias endividadas. Esse dado inclui compras que ainda estão dentro do prazo de pagamento, não apenas faturas atrasadas.
Na sequência, aparecem financiamento de carro, citado por 9,6%; carnês de lojas, por 8,3%; e financiamento da casa, por 7,1%. Também foram mencionados crédito consignado, com 3,7%; crédito pessoal, com 3,6%; e cheque especial, com 2,1%.
Uma mesma família pode ter mais de uma modalidade de dívida, por isso os percentuais não devem ser somados como se representassem grupos separados.
Quanto à duração dos compromissos, 47,1% das famílias têm dívidas que se estendem por até três meses, enquanto 42,1% possuem pagamentos previstos por mais de um ano. O tempo médio de comprometimento é de 6,5 meses.
Fonte: Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (PEIC), da CNC e da Fecomércio PR, conforme os dados fornecidos.








