Quinta-feira, 27 de agosto de 2026
MPJ | Mais Pelo Jornalismo
Publicidade

Mulheres Sem Terra do Assentamento Nova Geração Realizam Ato por Direitos e Cobram Ações Pós-Tornado

.

Mulheres Sem Terra do Assentamento Nova Geração Realizam Ato por Direitos e Cobram Ações Pós-Tornado

Fotos: Nara Coelho/Fatos do Iguaçu

Por Nara Coelho – Portal Fatos do Iguaçu


GUARAPUAVA – Na manhã desta terça-feira, 10 de março de 2026, mulheres do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) do Assentamento Nova Geração, localizado no distrito de Entre Rios, realizaram um ato histórico. A atividade integra uma jornada estadual de lutas e combinou a celebração do Dia Internacional da Mulher com um protesto contundente contra a omissão governamental após o tornado que devastou a região em 8 de novembro de 2025.

Mística e Simbolismo: A Trilha da Destruição

O ato teve início com uma benção e o plantio de dois pés de Ipê próximo à igreja local, simbolizando a reconstrução no exato ponto onde o tornado derrubou árvores centenárias. A “mística” — momento de reflexão e performance do movimento — consistiu em uma caminhada pelo trajeto de destruição deixado pelo fenômeno climático.

Publicidade

Durante o percurso, paradas estratégicas contaram com apresentações teatrais que denunciaram a violência cotidiana e o machismo enfrentados pelas mulheres do campo. O trajeto encerrou-se nos escombros de uma residência totalmente destruída.

Abandono Governamental: 122 Dias de Espera

O ponto central da indignação das assentadas é a falta de recursos federais. Segundo as lideranças, embora diversos órgãos como o INCRA tenham realizado levantamentos e laudos, nenhuma ajuda financeira concreta chegou às famílias.

“Se eu falar que nós pegamos 50 centavos da parte do governo, do auxílio emergencial, não pegamos nada”, desabafou a assentada Cleide, que perdeu sua produção de hortaliças e estruturas de horta.

Cleide destacou que já se passaram 122 dias desde a tragédia e muitas famílias ainda vivem em casas emprestadas ou de favor.

Publicidade

Solidariedade que Reconstrói

Diante da ausência do Estado, as mulheres reconheceram que a reconstrução só está sendo possível graças à sociedade civil e parcerias específicas:

  • Cáritas: Doou materiais para a construção de cinco casas pré-moldadas para quem perdeu tudo.

  • Itaipu: Destinou R$ 200 mil para a reconstrução do barracão coletivo e centro comunitário.

  • Trabalho Coletivo: A mão de obra para erguer as casas está sendo realizada em regime de mutirão pelas brigadas e acampamentos do MST da região.

A Luta Contra o Patriarcado no Campo

Além da pauta da reconstrução, a violência de gênero foi tema central. Yara Santos, moradora do assentamento, ressaltou que a luta das mulheres Sem Terra é dupla: pela terra e pelo fim do machismo.

“O ser humano que foi moldado por uma cultura de patriarcado é difícil de mudar. Lutamos pelo fim da violência contra a mulher e contra o machismo como um todo”, afirmou Yara.

Publicidade

O evento contou com a presença de lideranças políticas regionais, como as vereadoras Cristiane Aparecida Wainer e Terezinha dos Santos Daiprai (Guarapuava) e Vilma Kitcky (Pinhão).

Editoria Paraná
Publicidade
Compartilhar

Leia também