Começou a corrida pelos pobres. Ou pelos cobres? Públicos.
No inicio da semana passada, Ronaldo Caiado, que deixou o governo de Góiás, no dia 31 de março, para ser pré candidato a presidente pelo PSD, fez uma visitinha de cortesia, a maior cidade da América Latina. Com sua retórica quase decorada, suas expressões paternais, cabelos grisalhos, como um chefe de clã, oriundo das bandas do cerrado brasileiro.
Ali, na espera de uma recepção calorosa dos eleitores, como era as intencionais visitas do Imperador aos seus apoios políticos, simpatizantes trabalhadores e apedeutas ou desavisados, em vários lugares deste imenso Brasil, onde era recebido com pompa e honrarias, antes da Proclamação da República. Ronaldo, como sempre, com sua postura de voz de um locutor de rádio FM, defendendo as mulheres, as suas causas. Não que elas não mereçam. Mas é o foco da imprensa e dos discursos, nessa corrida eleitoral, para Presidente. Não muito diferente de outras passadas.
Só os textos que são adaptados às necessidades de alguns ouvidos. Kassab na ocasião, até parecia, um coroinha, de tão comportado. Uma búfaga, no encalço do ilustre visitante, que em meio as pessoas, inclusive migrantes, comia um pastel de feira e tomava um copo de caldo de cana. Nessas épocas tudo pode, nada faz mal. Nem que faça! Não se fala em alvará de funcionamento ou fiscais. Caiado neste dia, recebeu apoio de lideres evangélicos, de várias denominções. Onde está a massa de maior proporção.
Depois vem as outras, no modelo pirâmide. Gilberto em entrevista, não poupou elogios aos ilustre hóspede, do Planalto Central, e sempre alfinetando a administração do atual prefeito. Ah sim! Com todo o direito, como um cidadão paulistano. Mas como político, esqueceu, ou fez os ouvintes circundantes esquecer que chamou, aos esbravejos, um outro cidadão, de vagabundo, quando este manifestou a falta de qualidade de atendimento durante a inauguração de uma UPA na cidade de São Paulo , quando ele era prefeito.
Argumentando que ali não era lugar de ele se manifestar, devido as convalescenças, e em respeito dos que estavam a precisar daquela unidade, por causas semelhantes. Mas o motivo da manifestação segundo o micro empresário, não era política E sim sobre a camuflada falta de qualidade no atendimento da população. Nas tais unidades. Ele só queria extrair um dente e toda vez que se deslocava até àquela unidade, o mandava para outra. Ou remarcavam a consulta. Com tantas faculdades de odontologia no Brasil, será que ser tornamos um país de desdentados sofredores?
Só quem nunca passou por isso que não compreenderia a lancinante dor. Já não bastava a injustiça da vida em estar ali, se sujeitando a determinadas humilhações e impropérios que ouviu do então prefeito. Tudo isso porque a sua empresa faliu, e ele como muitos brasileiros, não tinha dinheiro para uma consulta particular. Então penso que tinha esperar um momento desses, ou dizer a um cabo eleitoral, que envergonhado, venha bater em sua porta, para pedir voto para o referido ou apoio ao seu candidato?
É a cara da saúde pública do Brasil. Se não enfrentar fila e humilhações não vale. É outro país. Como já escrevi sobre as futuras eleições americanas. Agora serve para nós também. Se não comemos picanha como é o desejo de muitos eleitores e pagamos altos impostos, ou estamos sofrendo com o avanço do comunismo, subentendido por muitos, como desordem ou destruição da moralidade social e das famílias, o excesso de paternalismo aos acomodados, que só esperam e reclamam seus direitos, tiremos o Lula!
Se a sua decisão derradeira, na urna, você achar que o então representante do agro brasileiro,mais precisamente goiano, o mascote da UDR, como outros candidatos a presidente, de classe média alta, apoiados da elite, não cobrirão as suas despesas no SUS nos próximos quatro anos, reflitam sobre as visitas e os agrados que copiarão Ronaldo Caiado. Se optarem à falta de investimentos em pesquisas e também em saúde pública, que já são problemas recorrentes, eleger um representante que não tem pudor e nem peso nas suas palavras, ou respeito a figura da própria mãe. E até parece não que nunca foi um chefe de Estado, eleito por voto popular, na tentativa de uma mudança na condução da nação.
Ou então queiram voltar a viver nos próximos anos, à sombra de um iminente retrospecto da ditadura de 1964, apoiado pelo decadente imperialismo americano, que ainda respira à colonização em muitos países da América do Sul e Central, em pleno século XXI, quase metade dos eleitores brasileiros já sabem o que fazer. O importante que após esse evento, sejamos felizes e orgulhosos de morar neste país. Porque o que tem de eleitores, que escolhem mal seus representantes, votam no cabresto, como as eleições do século passado e saem falando mal do lugar onde nasceram! Ou até, ameaçam deixá – lo.
Muitas das vezes, em razão das escolhas dos seus representantes, que cegamente, fizeram. Cujas preferências, também foi uma vitória de todos nós, sonhada por muitos anos, em meio as dificuldades. E isso só mudou, quando as ideias mudaram. Portanto, nesse momento de decisão, o importante é que não esqueçamos: Que somos parte dessa massa.
Edmilson Siqueira Caldas
Professor, músico e escritor.







