Quarta-feira, 26 de agosto de 2026
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Flashes de Psicanálise da Neurodivergência (8)

A fratura da intimidade nos sujeitos neurodivergentes (4)  Dr.

Flashes de Psicanálise da Neurodivergência (8)

A fratura da intimidade nos sujeitos neurodivergentes (4)

 Dr. Manuel Moreira da Silva*

 O primeiro tempo da fratura originária

O descompasso ou a assincronia e a assimetria entre as diversas posições da identificação produz o que aqui se designa fratura da intimidade, quando esta se fragmenta e se dissolve na extimidade, caso em que o eu (como instância psíquica) se vê expelido do objeto com o qual ele era um e, assim, se separa do sujeito do inconsciente nele reprimido, então transposto (projetado) no outro, que por sua vez se mostra como o êxtimo daquele (ou seja, do eu). Mas esta, porém, é apenas uma consequência da fratura da intimidade, sua manifestação exterior enquanto fratura da identidade pessoal, a fratura da intimidade em sentido próprio é a fratura do Si mesmo que produz o Outro e, desse modo, a separação de si do Si mesmo em si mesmo e no Outro de si, entre o sujeito do Inconsciente poiético, produtivo, criativo, e o seu produto, a sua criação. Em sentido próprio, a fratura da intimidade ocorre em três tempos.

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O primeiro tempo é sem dúvida o nascimento, que, para Freud e Rank, consiste no fato gerador de toda a angústia do indivíduo humano; nascimento que, também para Klein, se mostra o ponto de partida da ansiedade persecutória. Desse modo, porém, o nascimento não se reduz à separação biológica de dois entes vivos, doravante designados mãe e progênie, mas se reporta ao próprio despertar do Si mesmo, ao nível do sentimento de si, daquele cuja sentiência ocorre ainda nos limites do ventre materno e cujo ser é sentido como Uno-todo ou Todo-uno, com o qual ele mesmo é uno, não ex-sistindo nem um Outro.

Esse Outro que, precisamente, passa a rondá-lo, vale dizer, persegui-lo, desde que o indivíduo acede ao sentimento de si, ao sentimento do seu próprio self, que, de imediato, se lhe aparece como um Outro a um tempo estranho e familiar; um self como tal infamiliar porque já sentido nos limites da fratura do Outro, que é ele mesmo enquanto se afeta a si próprio. Com isso, algo veio à tona. Mas de modo completamente inconsciente, ao nível de um pensar em imagens, sem linguagem de qualquer espécie, sem qualquer processo de simbolização minimamente definido. Eis aí o Si mesmo, o sujeito suporte para afetos e emoções, mas também a forma de pensar inconsciente a esses imanente.

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Uma vez perdido o Uno-todo ou o Todo-uno que o recém-nascido era, aquele será gradativamente reconhecido por este em sua mãe, em cuja imagem inconsciente ele a identifica ao seio. Nisso, o pensar em imagens, em rigor o inconsciente, que ainda não se cindiu, cumpre um papel fundamental.

Para saber mais, faça contato!

* Dr. Manuel Moreira da Silva é psicanalista, fundador e Coordenador Geral da Sociedade Brasileira de Daseinspsicanálise – Instituto de Daseinspsicanálise (SBDp-ID), professor do Departamento de Filosofia da Unicentro (Guarapuava) e pesquisador de Filosofia e Psicanálise. Contato: E-mail: manuelmoreira@efp-id.info; WhatsApp: 42 988084402.

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