Quarta-feira, 26 de agosto de 2026
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Flashes de Psicanálise da Neurodivergência (7)

A fratura da intimidade nos sujeitos neurodivergentes (3)   Dr.

Flashes de Psicanálise da Neurodivergência (7)

A fratura da intimidade nos sujeitos neurodivergentes (3)

 

Dr. Manuel Moreira da Silva*

 Posições da Identificação (2)

Proposta por Melanie Klein em 1946, a identificação projetiva emerge com a cisão do ego de um lado e, de outro, com a cisão do objeto. A identificação projetiva tem por mecanismo a projeção, consiste, pois, em um processo inconsciente por meio do qual o indivíduo projeta partes de seu self para dentro do outro e, assim, vivencia o objeto (o outro) como parte de si mesmo. Neste caso, sua intimidade confunde-se com a sua extimidade, o que pode levar o indivíduo à perda de si mesmo, em rigor, de seu Si mesmo, bem como de seu ego, havendo portanto desintegração ao invés de integração. Caso em que, para promover a reintegração do Si mesmo e do ego, há que se fazer uso da contratransferência e não mais, tão somente, da transferência.

Trata-se de um mecanismo de defesa primitivo, a saber, uma fantasia inconsciente pela qual partes do self de uma pessoa (como a raiva do bebê) são forçosamente projetadas em outra (no caso a mãe ou no chamado “seio mau”), que então é tomada como objeto, de modo a controlá-la, fazendo-a comportar-se conforme o desejado pela primeira) ou, ainda, a se livrar de um sentimento indesejado. Por exemplo, a incapacidade de lidar com a própria raiva leva o sujeito a projetá-la em outrem, quando aquele então passa a fantasiar que este o persegue e o odeia. Tal situação é muito comum e ocorre nas ocasiões as mais diversas, por exemplo, quando o sujeito projeta seus sentimentos de inveja no outro e acredita, com isso, que o outro é quem o inveja. Com isso, para o sujeito, na medida em que o outro se comporta conforme sua projeção, esta se personifica no outro de modo a que o primeiro se alivie dos sentimentos que o consomem.

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Por fim, a identificação interjetiva tem por mecanismo a interjeção, termo criado por Bollas (2000) para designar o processo (por ele descoberto) que consiste na projeção de objetos internos em um self por outro self, caso em que o interjeto (o objeto interno assim projetado) interrompe e momentaneamente desorienta o self alvo da projeção, o qual pode prosseguir somente à medida que aceita a interjeção. Há que se observar aqui, à diferença da identificação projetiva, que o objeto não é o indivíduo ou o sujeito e nem o self alvo da projeção, mas as próprias partes que, a título de objeto interno, o self interjetor projeta no self interjetado. Este define assim a interjeção porquanto aceita – ou se identifica com – os objetos internos do outro self nele introjetados; do contrário haveria apenas a identificação projetiva.

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* Dr. Manuel Moreira da Silva é psicanalista, fundador e Coordenador Geral da Sociedade Brasileira de Daseinspsicanálise – Instituto de Daseinspsicanálise (SBDp-ID), professor do Departamento de Filosofia da Unicentro (Guarapuava) e pesquisador de Filosofia e Psicanálise. Contato: E-mail: manuelmoreira@efp-id.info; WhatsApp: 42 988084402.

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