Quarta-feira, 26 de agosto de 2026
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Flashes de Psicanálise da Neurodivergência (1)

O que é a Psicanálise da Neurodivergência?  Dr. Manuel Moreira da Silva*  A partir desta semana, temos um encontro semanal aqui no Jornal Fatos do Iguaçu.

Flashes de Psicanálise da Neurodivergência (1)

O que é a Psicanálise da Neurodivergência?

 Dr. Manuel Moreira da Silva*

 A partir desta semana, temos um encontro semanal aqui no Jornal Fatos do Iguaçu. Vamos falar de psicanálise em geral e, mais especificamente, da Psicanálise da Neurodivergência. Serão flashes, conforme o Oxford Languages, “clarões breves e intensos produzidos por certa lâmpada de filamento de magnésio, clareando ambientes de luminosidade insuficiente para fotografia”. Mas isso seguindo o lema de Freud (em Inibição, sintoma e angústia, de 1926) segundo o qual “se não pudermos ver com clareza, vejamos pelo menos com precisão as obscuridades”. Serão, portanto, flashes que nos ajudarão a ver com mais e maior precisão as obscuridades que hoje impossibilitam o tratamento e a vida saudável de mais de um bilhão de pessoas neurodivergentes em todo o mundo.

Vamos começar pelo básico. O termo neurodivergência foi proposto por Kassiane Asasumasu, em 2000, como uma condição, nos limites do movimento dos direitos das pessoas com deficiência, no âmbito da neurodiversidade, termo por sua vez proposto por Judy Singer, em 1998, assumido e mantido como um paradigma por diversos autores e militantes dos direitos das pessoas com deficiência. Enquanto o paradigma da neurodiversidade concerne à emergência de uma nova categoria da diferença, no sentido de uma diversidade neurológica e, portanto, de um sujeito neurologicamente diferente – de modo a caracterizar inicialmente o sujeito autista –, a condição da neurodivergência, no sentido de Nick Walker (em Neuroqueer Heresies, 2014/2023), implica ter uma mente que funciona de maneiras que divergem significativamente dos padrões sociais dominantes de “normal”. Não obstante sua limitação inicial, o paradigma e a condição referidos se ampliaram de modo a abranger todos os seres humanos e todas as formas de funcionamento psíquico que divergem daquela considerada típica.

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Pesquisas recentes (conforme informações do site Northwestern Medicine, 2024) estimam que de 15% a 20% da população mundial, algo em torno 1,2 a 1,6 bilhão de pessoas, seja neurodivergente. Eis aí um dado considerável que impõe assumir a neurodivergência como um fenômeno comum e como um elemento significativo da diversidade humana; essa que é composta, de um lado, por sujeitos por nós denominados neuroconvergentes (também chamados neurotípicos) e, de outro, por sujeitos neurodivergentes. Dentre estes estão inclusas pessoas com Autismo (TEA), TDAH, Dislexia, Discalculia, Dispraxia e outras variações neurocognitivas, em especial as chamadas Altas Habilidades/Superdotação (AH/SD). Para saber mais, faça contato!

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A Psicanálise da Neurodivergência é a área da Psicanálise que se volta para a investigação dos processos psíquicos inconscientes de sujeitos neurodivergentes, de suas demandas e de seu sofrimento emocional, assim como para o tratamento psicanalítico desses sujeitos e de seus traumas, conforme seu funcionamento psíquico específico, sob o horizonte de sentido fornecido pelas novas estruturas psíquicas e de personalidade que emergem de seu funcionamento.

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* Dr. Manuel Moreira da Silva é psicanalista, fundador e Coordenador Geral da Sociedade Brasileira de Daseinspsicanálise – Instituto de Daseinspsicanálise (SBDp-ID), professor do Departamento de Filosofia da Unicentro (Guarapuava) e pesquisador de Filosofia e Psicanálise. Contato: E-mail: manuelmoreira@efp-id.info; WhatsApp: 42 988084402.

Editoria Artigos
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