Fotos: Nara Coelho/Fatos do Iguaçu
Por Nara Coelho – Portal Fatos do Iguaçu
No Dia do Professor, data dedicada a quem ensina, inspira e transforma, o Fatos do Iguaçu presta homenagem a uma educadora cuja trajetória se confunde com a história da educação no interior do município: Adair Lopes Tereza, 91 anos. Nascida em 1934, na comunidade de Guarapuavinha — quando Pinhão ainda pertencia a Guarapuava —, Adair dedicou 25 anos ao magistério, alfabetizando gerações em salas multisseriadas e enfrentando desafios típicos de um tempo em que faltavam estrada, quadro-negro e transporte escolar, mas sobravam fé, rigor e paciência.
A vocação que começou cedo

Ainda adolescente, aos 14/15 anos, Adair aceitou o primeiro convite para substituir a falta de professores na região. Mais tarde, lecionou no Grupo Escolar Princesa Isabel, atendendo simultaneamente turmas da 1ª à 4ª série. Em muitos períodos, a escola funcionava em espaços improvisados — primeiro em uma casa, depois no prédio do grupo — e o material didático era escasso. “A gente copiava no caderno porque não tinha quadro negro. Era corrida, mas as crianças eram bem educadas e queriam aprender”, recorda.
A rotina exigia longas caminhadas, chuva ou sol, e um cuidado redobrado com as crianças. “Professor tem que ter amor e paciência. Se não gostar, não dá certo. Eu sempre tratei meus alunos com respeito para ser respeitada”, diz. O mesmo olhar firme e afetuoso ela dirigia às famílias: “Na escola, quem educa sou eu. Os pais corrigem em casa, mas aqui é para ensinar”.
Família, estudo e exemplo
Casada com Daniel Tereza, Adair criou dez filhos (cinco meninos e cinco meninas) e sempre incentivou a continuidade dos estudos. Parte da prole seguiu carreira na educação; outras formações vieram com o tempo, fruto do estímulo permanente da mãe para “não deixar de estudar”. A própria Adair retomou os estudos formais para equivalência do magistério (LOGOS) antes da aposentadoria, exemplo que ecoa até hoje na família.
A inspiração que atravessa gerações

Foto: Arquivo/Pessoal
A homenagem do Fatos do Iguaçu nasceu do pedido da neta Anemarie Tereza Duarte (Ani), professora radicada em Santa Catarina, que atuou na educação especial e hoje está na educação infantil:
“Minha avó me inspira todos os dias. O olhar dela para o aluno — o abraço, a acolhida, a crença no potencial de cada criança — me faz ter certeza de que estou no caminho certo”, afirma.
Ani conta que, ao desanimar de um concurso, ligou para a avó e ouviu a lição de sempre: “Não pode deixar de estudar. Uma hora dá certo”.
A neta também lembra memórias concretas de uma época em que a escola era construída com as próprias mãos: merendas preparadas em casa e levadas em latas, deslocamentos longos e a mediação constante de conflitos com firmeza e doçura. “É uma história muito linda. Recentemente conheci um ex-aluno dela, hoje com 70 anos, que se orgulha de ter sido alfabetizado pela professora Adair”, relata.
Pedagogia da presença
Das lembranças da sala multisseriada, Adair guarda a convicção de que ensinar é estar presente: acompanhar, orientar, repetir quando preciso, e proteger a dignidade do aluno. “Tem que ser humilde com as crianças, tratar bem, com amor. Eu sempre tive paciência. Era o jeito de fazer dar certo”, diz.
Num tempo de redes e urgências, a lição da professora Adair permanece atual: educar é cultivar vínculos e esperança. O conteúdo muda, os recursos melhoram, mas a essência não se altera — respeito, exigência bem-dosada e afeto.
Homenagem
No Dia do Professor, o Fatos do Iguaçu agradece a todas as professoras e professores que, como Adair Lopes Tereza, abriram caminhos para os pinhãoenses lerem o mundo e escreverem suas próprias histórias. Que o exemplo de Adair — trabalho, fé, estudo contínuo e amor às crianças — siga iluminando novas gerações de educadores.

“Professor tem que ter amor e paciência. Sempre tratei meus alunos com respeito para ser respeitada.” — Adair Lopes Tereza, 91 anos









