A palavra escrita, bem temperada, pode ser um segundo remédio para a nossa “alma ferida”, mesmo quando a visão humana que nos cerca não alcança a profundidade de nossas doenças temporais e a sabedoria de vida do outro, não compreenda o que estamos sentindo.
Diante dessa premissa, posso afirmar, que mesmo que não sintamos a dor do outro, por vivermos em tempos agitados e construirmos histórias diferentes, ou vice- versa, podemos nos libertar de nossas eventuais angustias, se valendo dessa magnifica atividade“Balsâmica”que atravessou séculos e intempéries.
Esse termo “ balsâmico” que uso , que estou me referindo, é como se fosse remédio para aliviar a nossa alma, como já descrevi nos outros textos anteriores. Acredito que ocorrer dúvidas, questionamentos na leitura deste meu texto, quando o uso sentido figurado “cura da alma”. Saliento, que isso acontece comigo quando me pego a escrever. É inexplicável a sensação, o sentimento.
Geralmente é alguma coisa que sinto e que por algum motivo não posso falar. Como eu disse em entrevista a uma réporter deste jornal, quando lancei meu segundo livro: Faces Ocultas, lá em 2004. Ressalto, que se tratando de escrever para aliviar a alma, é que muitas vezes os textos produzidos por autores anônimos ou conhecidos, ou até mesmo por mim, e quando digo que esse ato de escrever liberta, as vezes pode ser confundido com a religiosidade, a devoção.
Alguém vai questionar: Deus Todo Poderoso Criador do Universo, fica onde na vida desse sujeito? Fica onde Ele sempre esteve. principalmente comigo. Dando forças e inspiração, renovação a cada dia. Destaco, que a forma que a escrita e a fé, nos atinge, podem serem diferentes, quando digo que a escrita liberta. Aqui, falo de natureza humana, psíquica, que são denuncias, da maldade entre pessoas que se dizem cristãs. É nesse sentido, que estou me referindo, é diferente da crença de cada um ou questões de Divindade.
Ponderemos que escrever, além de ser uma forma de expressar o que sentimos, e sentimos pelo outro, é uma manifestação de Deus em nós, pois Ele deu nos esse talento e através das palavras bem ditas, por conseguinte, tentamos curar as pessoas e nos curar de doenças psicossomáticas. E alma ferida, as vezes sufocada, que grita através das palavras. Claro, que escrevemos textos ou escrevem sobre nós também, eternizando os bons momentos da nossa vida, deixando aqui, neste plano, a marca do que fizemos a serviço da sociedade, para nossos ente queridos. Este já é um texto de cunho mais histórico.
Qual assunto falarei sobre, num outro momento oportuno. Não menos importante. Cujo, é um portfólio da nossa passagem por este plano até o outro. Portanto, todo texto bem produzido, com expressões genuinamente humanas, não deixa de ser um dom Divino. E se a leitura antecede a produção, se tratando de leitores assíduos, tal prática, nos faz ser críticos com nós mesmos, assim também, veremos o mundo de uma outra forma.
Não, a visão que os mídias nos coloca, que os órgãos de imprensa corporativista veicula, manchetes que os interessa, dirigidos aos desavisados. Portanto a leitura aumenta nosso vocabulário e conhecimento. E ao também exercermos a escrita, transpomos as barreiras do que o coração sente, e nos exige muitas vezes, uma certa coragem. Porque você não vai agradar gregos e troianos com sua palavras. Com seus, com meus escritos, como dizia Érico Veríssimo.
E é como diz a sabedoria popular: Nem Jesus agradou com suas mensagem, que dirá nós, mortais. Pois aos olhos de pessoas insensíveis que até parecem que não tem compaixão , nem dores, sentimentos até então, não manifestados, somos sujeitos vulneráveis. Criticam, mas na realidade no fundo do seu intimo, admiram. Gostariam também de ter essa coragem , por essas razões acima citadas, advindas de crenças arraigadas, reprimem tais desejos. Por isso que conceituo a literatura, a produção textual, de uma certa forma, como um caminho para a liberdade.
Os textos que chegam até minha pessoa, para analisar, não que eu seja tão importante, mas confiam um parecer, para uma posterior publicação, autoras e autores ainda anônimos, na maioria das vezes, falam das mais recônditas expressões das suas respectivas almas, se tratando de próprios sentires. A produção textual, é como uma porta voz dos nossos anseios, nas mais variadas formas de sentimentos.
Baseando também nas experiências vivenciadas desse escritores, que redigi este meu texto. Pois as teorias que estudam a alma humana, nem sempre dão conta de tudo que o ser humano é capaz, com base em tudo que quer externar, libertar através da escrita, seja a respeito da sua vida em comunidade, formação primária e personalidade, a intensidade é única, sentindo uma vez inspirado, guiado por esse sentimento ,nesse entendimento sobre sua própria vida, produz excelentes textos, com muita qualidade literária exigida, porém numa forma muito natural de escrever, num estilo próprio de ver o mundo e sentir o mundo, a vida, as pessoas.
Em razão disso é que nem sempre faço meu textos com base em teorias acadêmicas. E sim, após observar o estilo, no jeito de expressar de cada um desses sujeitos. Compreendendo o jeito de cada um se expressar genuinamente é uma forma de conhecimento, e para mim também foi inspiração. É a cultura, a humanização que contagia as partes envolvidas e amantes dessa arte, que está em movimento continuo.
Claro que as teorias são advindas de pesquisas e ajuda muito. Mas me refiro a algo mais palpável, mais real, mais de vida humana ou de vida na Terra, neste contexto de produção. Ou seja: o foco da denúncia, está voltado aos problemas sociais daquela família, da comunidade, onde esse escritor vive, da sabedoria popular trazida por ele, e deixando meu registro de passagens que senti após vividas e observadas, por mim, também durante a minha vida de autor, cidadão, pessoa social, amigo , membro familiar, estudante, professor, enfim, aprendendo com o tempo, a gostar de estudar os segredos da alma humana e transformar em textos, os fragmentos de uma vida.
E sem favor nenhum, incentivar os querem entrar nesse caminho cheio de segredos e percalços. Ao fim de cada empreitada, estou exausto, porém realizado, porque sei que até ali eu cumpri um destino. E é daquela fonte que eu me sacio, talvez cure… e por fim também, possivelmente deixe bons frutos. E para que quiser entrar nesse mundo cheio de segredos, as vezes chega a ser até mágico, as vezes trágico, em meio a tantas e diferentes histórias. Está convidado! Seja bem vindo as releituras e experiências, no palco do teatro da vida!
Por mais que você passe, consternado, pelos reveses que vida lhe impõe, é como disse certa vez a cantora Elis Regina a uma moça, em inicio de carreira: “Não deixe ninguém apagar o seu brilho, seu sorriso, o seu talento”.
E assim, com certeza, juntos, cumpriremos a missão que Deus nos confiou.
Edmilson Siqueira Caldas
Professor, músico e escritor.









