Foto: Arquivo/Fatos do Iguaçu
Após forte repercussão nas redes sociais, vereadores retiraram emenda que ampliava benefício aos parlamentares; projeto principal foi rejeitado por 8 votos a 4 após mais de 50 minutos de debate
Por Naor Coelho – Portal Fatos do Iguaçu
A Câmara Municipal de Pinhão viveu uma das sessões mais tensas e acompanhadas do ano durante a 12ª Sessão Ordinária de 2026, realizada na noite de segunda-feira, 18 de maio de 2026. Na ocasião, durante a votação do Projeto de Lei do Legislativo nº 15/2026, que previa a concessão de auxílio-alimentação mensal aos servidores do Legislativo municipal, após forte repercussão negativa nas redes sociais e intenso debate político dentro e fora do plenário, a emenda que ampliava o benefício aos vereadores foi retirada pelos próprios autores, mas o desgaste provocado pela proposta acabou influenciando diretamente no resultado final: o projeto principal foi derrubado por 8 votos contrários e 4 favoráveis, após mais de 50 minutos de discussão.
Emenda para vereadores foi retirada antes da votação
Logo no início da votação do projeto, o presidente da Câmara anunciou oficialmente a retirada da emenda que incluía os vereadores no recebimento do auxílio-alimentação. O documento havia sido assinado pelos parlamentares proponentes após a forte reação popular registrada principalmente nas redes sociais.
O projeto original, assinado pelos integrantes da mesa executiva João Paulo Mendes, Luciano Padilha, Vilma Kitcky, Edson Francesconi e Márcio Tigre, instituía o pagamento mensal do benefício aos servidores efetivos e comissionados da Câmara Municipal. A justificativa apresentada pelos defensores da proposta era de valorização dos servidores do Legislativo, destacando que diversos municípios paranaenses já adotam mecanismos semelhantes.
Luciano Padilha defende projeto original e critica repercussão da emenda
Durante os debates, o vereador Luciano Padilha afirmou que a proposta surgiu de uma demanda antiga de valorização dos servidores da Câmara e ressaltou que o projeto original não previa benefício para vereadores. Segundo ele, a emenda incluindo os parlamentares partiu posteriormente de vereadores da base governista e acabou provocando a revolta popular.
Padilha declarou ainda que a opinião pública foi clara ao rejeitar o auxílio para vereadores e defendeu transparência no debate.
Vereadora Solange faz discurso duro contra o projeto
A vereadora Solange Adrosnki protagonizou um dos discursos mais contundentes da sessão. Única parlamentar a votar contra o projeto já na primeira votação, ela manteve a posição e afirmou que não considerava adequado conceder o benefício diante da realidade enfrentada pela população pinhãoense.
Em tom emocionado, citou trabalhadores rurais que saem ainda de madrugada para os campos de batata e erva-mate, enfrentando frio e chuva, enquanto servidores e vereadores trabalham em ambiente climatizado. Também destacou que muitos servidores do Executivo recebem salários menores que os pagos na Câmara.
Reação popular fez vereadores mudarem posicionamento
A fala da vereadora encontrou eco em outros parlamentares que inicialmente haviam votado favoráveis ao projeto. Alguns vereadores admitiram publicamente ter mudado de posição após a repercussão popular.
O vereador Romário Varela afirmou que, embora tivesse analisado a proposta anteriormente, a reação da população fez com que reconsiderasse seu voto, declarando que “quem paga o salário dos vereadores é o povo”.
Já o vereador Edson Francesconi argumentou que o debate deveria considerar a realidade de todos os servidores públicos municipais e defendeu que, caso um auxílio-alimentação venha a ser implantado futuramente, ele contemple de forma ampla os funcionários públicos do município.
Debate teve troca de acusações sobre autoria da emenda
Outro ponto que marcou a sessão foi o embate direto entre vereadores da mesa diretora e parlamentares da base governista sobre a autoria e a responsabilidade política pela emenda que incluía os vereadores no benefício.
A vereadora Vilma Kitcky acusou colegas de tentarem transferir à mesa diretora a responsabilidade pela emenda e afirmou que houve tentativa de confundir a população nas redes sociais. Segundo ela, a mesa defendia apenas o auxílio aos servidores da Câmara, enquanto a emenda destinada aos vereadores teria sido proposta separadamente por parlamentares da base.
Do outro lado, vereadores que assinaram a emenda admitiram o erro político e afirmaram ter retirado a proposta após ouvirem a população. Alguns chegaram a declarar que “tiveram humildade” para voltar atrás, reconhecendo a forte rejeição popular ao benefício para os parlamentares.
Projeto dos servidores acaba derrotado por 8 votos a 4
Apesar disso, o desgaste provocado pela emenda acabou contaminando o projeto principal. Mesmo vereadores que afirmaram respeitar e reconhecer o trabalho dos servidores decidiram votar contra o auxílio-alimentação. O discurso predominante entre os votos contrários foi de que “não era o momento” para aprovar o benefício diante das dificuldades enfrentadas pela população e da desigualdade salarial existente no município.
Os vereadores favoráveis insistiram que o projeto representava valorização dos servidores e argumentaram que os recursos da Câmara permitiriam a concessão do benefício sem comprometer as contas públicas. Também defenderam que o Executivo municipal deveria futuramente criar mecanismo semelhante para os servidores municipais.
Ao final da votação, o projeto foi rejeitado por 8 votos contrários e 4 favoráveis, encerrando uma sessão marcada por acusações indiretas, cobranças públicas, mudança de posicionamentos e forte pressão popular. A ampla mobilização nas redes sociais foi reconhecida pelos próprios vereadores como decisiva tanto para a retirada da emenda quanto para a derrota do projeto principal.









