Quarta-feira, 26 de agosto de 2026
MPJ | Mais Pelo Jornalismo
Publicidade

AS SOMBRAS DA HISTÓRIA

.

AS SOMBRAS DA HISTÓRIA

Por Dartagnan da Silva Zanela (*)

Quem deseja conquistar o poder, primeiramente, peleja para reescrever a história de acordo com o tom e ritmo que lhe seja mais apropriado para a execução de seu plano de assalto.

Consegue-se, com muito lavoro, impregnar o imaginário societal com determinadas imagens e jargões que são popularizados através do sistema de ensino, publicações jornalísticas, produções artísticas, televisivas e cinematográficas. Tal impregnação comumente é chamada por muitos de história oficial e, por outros, de cultura histórica. De nossa parte, prefiro referir-me a essa prática como construção duma história convencional.

Ora, uma coisa é você querer, com sinceridade, investigar as escaramuças que deram forma a tessitura de nossa sociedade. Outra coisa, bem diferente, é repetir um amontoado de jargões e cacoetes mentais sobre as mesmas. Repetição essa que mui bem encobre a inconfessável preguiça cognitiva dos repetidores.

Publicidade

Quando agimos dessa forma, inevitavelmente reduzimo-nos à condição de reles marionetes nas mãos daqueles que colocaram esses slogans em circulação. Porém, quando adotamos a primeira postura, tornamo-nos, literalmente, uma criatura que destoa do ritmo confuso que embala a massa supostamente crítica que, criticamente, não se cansa de repetir as mesmas patacoadas politicamente corretíssimas. E fazem isso acreditando que estão destoando da forma oficiosa de ver a vida e interpretar os fatos. Tolinhos úteis.

Os exemplos dessa lamentável situação são muitos. Porém, atenhamo-nos à apenas um, para ilustrar. É presente na história convencional o cacoete mental (ou fecal?) que afirma ter sido o Papa Pio XII um assecla de Adolf Hitler. Afirmação essa repetida com aquela candura doutoral típica dos ignorantes presunçosos.

Publicidade

Ora, o referido Sumo Pontífice era tão alinhado com o Nazismo que foi o co-autor da Encíclica MIT BRENNENDER SORGE (Com profunda preocupação), do Papa Pio XI, que condena o Nacional-socialismo. E mais! O Cardeal Eugenio Pacelli foi o idealizador e articulador da estratégia que, secretamente, em 1937, permitiu que a referida encíclica chegasse ao território alemão e fosse lida, simultaneamente, nos púlpitos de onze mil Igrejas germânicas. Foi Papa XII quem salvou milhares de judeus e perseguidos políticos das garras do terceiro Reich ocultando-os no Vaticano e Conventos de Roma. Também foi o organizador de inúmeros planos de fuga para esses suplicantes.

Por conta disso, foi elaborado pelos Nazistas um plano para sequestrar Pio XII, porém, felizmente, isso nunca veio a ser concretizado. Entretanto, imaginando que isso poderia ocorrer, ele tinha pronta uma carta de renúncia ao pontificado. Ou seja: se sequestrado fosse, não era mais o papa e não poderia ser utilizado como objeto de barganha.

Publicidade

Aliás, durante muito tempo, na Santa Sé, Pio XII realizou, secretamente, inúmeras orações de exorcismo por Hitler, pois, como ele mesmo afirmava: o olhar daquele homem não era apenas o olhar dum homem.

Enfim, levando todos esses fatos em consideração não se tem como continuar crendo que Eugenio Pacelli teria sido o “papa de Hitler”. A não ser que se tenha algum interesse escuso e cretino para se defender tal engodo.

Por isso, aqueles que amam, francamente, a mestra da vida, sabem que ela, a história, quando devidamente estudada, sempre nos surpreende e nos instiga a atirar nossos esquemas mentais, ideologicamente chulos, no lixo. Porém, os pseudo-amantes da referida mestra se contentam em apenas “ficar” com ela, superficialmente, repetindo aqueles velhos e surrados bordões aprendidos num livro didático qualquer ou no correr de sua [de]formação.

Publicidade

(*) Professor, cronista e bebedor de café.  e-mail: dartagnanzanela@gmail.com

Editoria Artigos
Publicidade
Compartilhar

Leia também