Quarta-feira, 26 de agosto de 2026
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AS MÁSCARAS DOS VELHOS CARNAVAIS

por Dartagnan da Silva Zanela (*) O escritor argentino Ernesto Sábato, em seu livro “Heterodoxia”, dizia que falar mal da filosofia é, inevitavelmente, também fazer filosofia. Mas má filosofia.

AS MÁSCARAS DOS VELHOS CARNAVAIS

por Dartagnan da Silva Zanela (*)

O escritor argentino Ernesto Sábato, em seu livro “Heterodoxia”, dizia que falar mal da filosofia é, inevitavelmente, também fazer filosofia. Mas má filosofia. Também podemos afirmar que ficar tecendo mil e um elogios à filosofia, e à vida intelectual, não é, nem de longe, uma atitude digna de um postulante a filósofo.

Esses dois personagens, de certa forma, são figuras típicas do nosso tempo, onde todos nós vivemos atolados até os gorgomilos com informações de toda ordem e dos mais variados níveis de credibilidade e valia.

O primeiro, de um modo geral, se ufana de ser uma pessoa prática, formatada pela rotina, devidamente esquadrinhada pelas expectativas que são apresentadas pela sociedade e estimuladas pela grande mídia e pelos círculos de escarnecedores digitais.

O segundo, por sua vez, é muitíssimo semelhante ao primeiro, porém, não quer, de jeito-maneira, se sentir semelhante a ele. Nada disso. O abençoado quer parecer melhor, sem o sê-lo; quer porque quer exalar ares de sabedoria, sem nunca ter aspirado ascender a ela; quer transparecer profundidade, sem nunca ter almejado deixar de lado as platitudes nossas de cada dia.

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No fundo (e não é tão fundo assim), os dois personagens são muito semelhantes e, ambos, cada um ao seu modo, são o reflexo daquilo que convencionou-se chamar de espírito burguês que, como bem nos lembra Gustavo Corção, é a elevação do materialismo oco, do hedonismo raso e do egocentrismo tacanho a condição de colunas de sustentação de uma vida desprovida de sentido.

Dito de outro modo: o indivíduo de índole nobre, como nos lembra o escritor colombiano Nicolás Gómez Dávila, seria aquele que está satisfeito com aquilo que ele tem (pouco importando quanto seja), porém, sempre está insatisfeito com a pessoa que ele é; já o sujeito de índole burguesa é o tipinho que está muito satisfeito com a pessoinha que é, porém, nunca está contente com aquilo que tem.

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Nesse sentido, as pessoas avessas a filosofia, ou que dissimulam interesse por ela, tem uma estreiteza de horizonte similar, tendo a mesma perspectiva existencial, as mesmas preocupações e interesses, tendo apenas uma sutil distinção: os primeiros são soberbos e inconstantes; os segundos, levianos e dissimulados.

Enfim, duas máscaras tristes para encobrir a torpe alienação que os aproxima.

*

(*) professor, escrevinhador e bebedor de café. Autor de “A QUADRATURA DO CÍRCULO VICIOSO”, entre outros livros.

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Editoria Dartagnan da Silva Zanela
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