Humberto Silva Pinho

O jornalista Humberto Pinho da Silva, ex-redator do ” Notícias de Gaia”, e atualmente coordenador do : “blogue Luso-brasileiro, passa a escrever todas as sextas-feiras no Fatos do Iguaçu .Seus textos vão abordar temas genéricos. Ele  mantém uma coluna em várias publicações portuguesas e brasileiras. Confira seu primeiro texto.

COMPENSA SER FORMIGUINHA?

Por Humberto Pinho da Silva

Certa ocasião, Nicolau Tolentino de Almeida, escreveu carta, dirigida ao Oficial da Secretaria do Reino, Lourenço José da Mota Manso, dizendo: “ Se tu não sabes o que é não ter dinheiro, eu to explico: abaixo dos estupores, é o maior mal do mundo…”

Para evitarem o “mal”, é que muitos passam a vida amealhando tudo que aforram.

Uns, começa, de novos, a formar o pecúlio, receando chegarem à velhice, e não terem bastante para sobreviverem com dignidade.

Outros, desbaratam tudo, levando vida de cigarra, confiados na Providência divina e na providência do Estado.

Os que imitam a formiguinha, passam duros trabalhos e privações constantes. Os que imitam a cigarra levam vida folgada a cantar, a passear e a banquetear em bons e alegres repastos.

Vem depois a calamidade, as crises económicas, as cigarrinhas, ao verem as formiguinhas, com dispensa cheia, e boa casa, descem à rua indignadas e a brados reclamam: igualdade! …

“Não é certo, nem justo, que uns tenham tudo, e outros nada ou quase-nada! …” dizem, revoltados.

E invejosos de não possuírem pé-de-meia, buscam assaltar a dispensa da formiguinha…trabalhadora.

Afirmam, filosoficamente: “ Quando o Sol nasce, é para todos! …. Vamos distribuir o “ mealheiro”, para que todos possuam seu quinhão…”

Conheci pobre homem, empregado de armazém, que desde muito novo amealhou. Casou com caixeirinha de loja de miudezas, que ambicionava ser senhora.

Assentaram engordar o “porco”, para adquirirem casa. Animados pelo sonho de serem independentes, mal comiam. Diariamente a janta, era apenas sopa. Só ao domingo saboreavam carne ou peixe, com batatinhas ou arroz malandrinho.

Arrecadada a quantia desejada, compraram terreno e levantaram linda moradia.

Os companheiros de trabalho, nesse entanto: viajavam, comiam e bebiam à tripa forra. Refastelavam-se no Inverno, bem aquecidos; e no Verão, nas areias morenas do Algarve e Benidorm.

Vendo a moradia do colega forreta, rosnavam à socapa: – “ Onde foi o pascácio roubar esse dinheiro?! …”

Vou, agora contar dois casos verídicos, de famosos milionários, para “adivinharem” como se faz fortuna, honestamente. Porque há, também, quem chegue a remediado, roubando parentes (até irmãos!), trabalhadores e a sociedade, em geral; estou certo, se eles têm consciência, está repleta de tenebrosos remorsos…agora, e principalmente, na hora da morte. …

Citarei, o multimilionário Calouste Gulbenkian, que depois dos trabalhadores se ausentarem, ia sorrateiramente pelos escritórios, recolher pontas de lápis que lançavam ao lixo, para usa-los no seu gabinete, no aproveita-lápis…

E o dono do império IKEIA, que ao fazer compras no supermercado, procurava produtos no fim e validade, com preços especiais, para economizar…

Quando surgem graves crises, que afectam, em regra, os pobres, aprecem, entre eles, numerosos, que usufruíam bons vencimentos, passavam férias em Saint-Tropez e vestiam-se com boa fazenda inglesa; mas nunca pensaram criar pé-de-meia….

Para quê? Perguntam. O Estado Providente, e as formiguinhas prudentes, arrecadam sempre o bastante para repartirem, por todos…; a bem ou a mal…


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