ENTRE CISNES NEGROS

O futuro sempre bate em nossa porta e o faz das maneiras mais inesperadas. Quando a gente menos espera, toctoctoc, lá está ele com sua cara deslavada dizendo-nos um retumbante bom dia.

Nesse sentido, não temos como ignorar que em nossa vida há certo coeficiente de imprevisibilidade. Coeficiente esse que, se formos minimamente prudentes, jamais iríamos ignorar.

Um exemplo simples disso pode ser encontrado em nossa vida: a forma como nós organizamos nossas finanças pessoais durante um mês; durante um ano.

Todos nós, imagino, organizamos nossos ganhos e gastos num caderninho de contas para que, dentro de nossas limitações financeiras, possamos equilibrar o orçamento doméstico, porém, lá de vez em quando, eis que surge um gasto imprevisto.

É uma consulta médica aqui, um medicamento acolá, uma peça para o carro mais adiante, o concerto dum eletrodoméstico, um presente para um chá de bebê, um agrado para os filhos, um mimo para esposa, enfim, por mais paradoxal que isso possa parecer, é mais que previsível que acontecimentos imprevistos ocorram em nossas vidas.

Resumindo o entrevero, se é sabido por nós que algo pode ocorrer e afetar a nossa vida e, consequentemente, o nosso orçamento, creio que deveríamos procurar nos esforçar para sermos minimamente providentes.

Ora, se um problema é previsível seria uma grande demonstração de imprudência não procurar prover os meios para atender essa possível situação. Aliás, não é bomficarmos contando com a sorte; apenas insensatos acreditam que empurrar um problema com a barriga seria uma solução viável.

As razões que nos levam a adotarmos atitudes insensatas são, por certo, as mais variadas, todavia, ao que me parece, há uma que perpassa todas: uma indelével e inconfessável expectativa de que alguém resolva por nós algo que, em princípio, só pode ser efetivamente feito nós.

Não é à toa que não são poucas vezes que o futuro nos assalta. Não é sem razão que toda ordem de picaretas de plantão se apresentam para nos bajular e, cinicamente, dizer que irão cuidar muito bem do nosso futuro sem, necessariamente, resolver nada.

Pois é. Mas infelizmente, todos aqueles que procuram zelosamente administrar a sua vida, esforçando-se para ser, dentro do possível, previdente e providente, sabem muito bem que não existe remédio que não seja amargo e que seja gratuito.

Gostemos ou não, é assim que a banda da vida toca.

Fim. Hora do café.

Escrevinhado por Dartagnan da Silva Zanela, em 19 de fevereiro de 2019, falecimento do escritor André Gide.

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