Elas comandam a feira do produtor

“O que traz o freguês é ser semanal, a diversidade dos produtos e serem frescos e gostosos”.

Reserva do Iguaçu – Na sexta-feira, 02 de março, a reportagem do Fatos do Iguaçu foi conhecer a  Feira do Produtor do município de Reserva do Iguaçu, que é comandada e realizada por  6 mulheres, Roseli Padilha, Verônica da Rosa Padilha que é conhecida por Vera, Gonçalina de Trindade, que as amigas chamam de Gonça, Raquel Correia, Claudiana Andria e Liberaci Silva.

AS PIONEIRAS

A Feira nasceu do projeto proposto pela atual secretária municipal de Meio Ambiente, Suzana Andria, que na época trabalhava como técnica agrícola na ADEOP – Agência do Desenvolvimento Regional do Extremo Oeste do Paraná  e desenvolvia atividades com  as mulheres do assentamento da Comunidade dos Barreiros.

Vera foi a produtora que abraçou proposta e convidou a Roseli, e juntas com mais 8 mulheres começaram a Feira. O que a fez abraçar a causa foi a possibilidade de aumentar a renda familiar. Ela, a Roseli e Gonza são as que iniciaram há 4 anos  e persistiram até hoje.

AS DIFICULDADES

Elas contam que algumas mulheres desistiram porque no inicio era tudo muito difícil, quando vendiam, era muito pouquinho. ”Às vezes, a gente vinha e não tirava nem a gasolina e com isso as outras foram desistindo. Acabou ficando  eu, a Roseli e a Gonça, lá do Barreiro” explicou Vera. E Roseli completou: “No começo, a gente vinha e não vendia nada, voltava com os produtos, mas a Suzana nos incentivava a voltar, a continuar tentando e foi bom, porque hoje a gente ganha um dinheirinho e ainda nos divertimos aqui na feira, (muitas risadas)”.

No projeto proposto pela Suzana, contam as feirantes, elas conseguiram verba para confeccionar uma barraca de 20 m² com tubos de aço de 20 X 20 mm, coberta por lona de polietileno. Uma mesa de chapa de compensado plastificada de 15 mm de espessura, e uma bancada de tela galvanizada. Tudo móvel, era montado e desmontado a cada Feira e tudo era guardado na casa de uma delas.

Elas lembram que não era fácil montar e desmontar a barraca e em dia de chuva a coisa complicava. “Quando chovia, nós corríamos e fazíamos a feira dentro do ginásio de esporte. Isso quando o pessoal abria o ginásio para nós. Muitas vezes, ficamos na chuva. Para o pessoal saber que estávamos lá quando chovia, deixávamos a lona do lado de fora esticada na porta”.

NOVAS FEIRANTES

Quando aconteceu desistência de algumas mulheres, as três que estavam determinadas a fazer a Feira dar certo convidaram as amigas da localidade de Santo Antão, Claudiana, Raquel e Liberaci, para vir pra Feira com elas. Um dia, conversando com a Claudiana, ela disse que tinha tomate, ai já convidei pra vir para feira. Caiu a produção de mandioca, e aí convidamos a Raquel, e depois veio a Liberacil” contou Vera animada.

APRENDENDO

Elas contam que, no início, realizavam a Feira uma vez por mês, mas sentiram que as pessoas nunca lembravam qual era o dia que elas viriam. Depois passaram a fazer quinzenalmente, notaram que o movimento melhorou, mas ainda muita gente dizia que tinha esquecido que naquela semana tinha feira.

Elas vinham à tarde, mas perceberam que os produtos de hortaliças saiam menos que os produtos de panificação. Assim, passaram a vir e ficar o dia todo, pois de manhã sai, e bem, as hortaliças e produtos granjeiros e à tarde os de panificação – pães, bolos, doces, bolachas, biscoitos.

E ser semanal foi a grande diferença. “Como as freguesas sabem que estaremos aqui toda sexta-feira, com ou sem chuva, elas deixam para comprar os produtos conosco”, frisou Claudiana, destacando o diferencial da feira: “Nossos produtos são orgânicos”.

AS FREQUESAS

Enquanto íamos conversando, entrevistando as feirantes, as freguesas vinham e iam e o que se via era um clima gostoso, de amigas que se encontram. Entre uma compra e outra, uma cuia de chimarrão passando de mão em mão e um dedinho de prosa. Ingrid E. Duarte, que é freguesa antiga e faz a Feira toda sexta-feira porque gosta dos produtos frescos e porque as bolachas, doces, enfim, tudo que tem na Feira é muito gostoso.

Para Terezinha Aparecida, outra freguesa fiel, ir à Feira é também encontrar amigos. “A gente vem, toma um chimarrão, proseia um pouco e compra produtos muito bons, eu gosto de tudo”, e fez um destaque para o pão, “O pão é uma delicia, hummmm”.

NOVO PROJETO

Com a ajuda da tecnologia, as feirantes estão criando o sacolão. Elas estão montando um grupo no WhatsApp para que as pessoas peçam os produtos que querem, elas montam as sacolas e entregam na sexta-feira. Suzana contou que a administração municipal já adquiriu 100 sacolas.

VALEU A PENA

Questionadas se vale a pena vir toda sexta-feira fazer a Feira, elas responderam sorrindo, “Vale, e muito, a pena vir”. Além de comercializar seus produtos, para elas é um dia gostoso, onde elas tomam chimarrão e conversam com as freguesas, “A gente vem cedo e vai à tardinha pra casa, mais é muito bom, na verdade é nosso dia de descanso e ainda ganhamos uns trocos, (mais risadas)” declarou Roseli.

Elas contam que no começo não tinha lucro, mas que agora não dá para reclamar, elas já tem uma freguesia certa. A Feira, para elas, é uma divulgação dos produtos que plantam e fazem. “Chegamos às 8h, e muitas vezes já tem freguesa nos esperando pra pegar os produtos bem fresquinhos, e tudo que trazemos sai”.

Para as feirantes, com certeza o que elas tiram de lucro na Feira contribui no orçamento da família, ao final da Feira, elas vão ao mercado para comprar o que falta na casa e para fazer os produtos de panificação para a próxima semana.

A Feira não é assunto só das mulheres, os filhos e maridos ajudam na produção dos produtos hortifrutigranjeiros, e quando elas se apuram, eles colocam a mão na massa, literalmente, e ajudam-nas com os produtos da panificação.

Hoje a Feira das Produtoras Rurais acontece no espaço do antigo bolão toda sexta-feira das 8 até por volta das 16 horas, mas o sonho é conseguir um lugar próprio para a Feira.

”Temos confiança que vamos conseguir uma casinha adequada para fazermos a feira, que vai ser a casa do produtor rural”, contam as feirantes cheias de esperanças.

Confira as fotos da entrevistas | Fotos: Naor Coelho/Fatos do Iguaçu


 

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