Membros da Associação Municipal de Surdos de Pinhão | Foto: Nara Coelho/Fatos do Iguaçu

AMSP comemora as conquistas dos surdos de Pinhão

 26 de setembro é o dia Nacional dos Surdos

Por Nara Coelho

Dia 26 de setembro é o dia marcado no calendário para reflexão das lutas por inclusão dos surdos e comemora as conquistas já alcançadas.

OS SURDOS NA  1ª GUERRA MUNDIAL  

Na primeira guerra mundial, Adolf Hitler buscava uma raça pura e homogênea, forte e linda, nessa busca insana, pessoas com deficiências físicas ou mentais eram consideradas problemas.

Ao levar as pessoas para os campos de concentração, ele foi separando com deficiências por cor, os surdos receberam a cor azul e foram os primeiros a serem enviados para as câmaras de gás.

O dia 26 de setembro foi escolhido como o dia internacional dos Surdos por ser considerada a data aproximada que os primeiros surdos foram enviados à morte por Hitler e a cor dos surdos é azul para lembrar que a luta pela inclusão é antiga e muitos já foram sacrificados pelo preconceito. No Brasil, o dia foi escolhido por ser a data de fundação do INES – Instituto Nacional de Educação de Surdos, em 1857.

AMSP COMEMOROU O DIA DOS SURDOS COM ALMOÇO

Membros da Associação Municipal de Surdos de Pinhão
Membros da Associação Municipal de Surdos de Pinhão | Foto: Nara Coelho/Fatos do Iguaçu

A Associação Municipal de Surdos de Pinhão comemorou na quinta-feira, 24, o dia dos Surdos por ser nas terças e quintas-feiras que a comunidade dos surdos pinhãoenses se reúnem para discutir suas ações em prol da inclusão e desenvolvimento das pessoas com surdez.

A comemoração foi feita obedecendo a todos os protocolos de higienização e distanciamento exigido no momento devido à pandemia do covid-19.

A comemoração contou com a participação de representantes da secretaria municipal de Educação e Cultura, Industria e Comércio, da secretaria municipal de Assistencia Social, Madalena Zanardin e do prefeito Odir Gotardo, PT.

MÃOS QUE FALAM E EMOCIONAM

A presidente da Associação de Surdos do Pinhão, Silvana do Belém Caldas e o tesoureiro Ricardo Lima, declamaram em Libras três poemas que falavam da importancia da Língua de Sinais, a Libras, da luta pela inclusão e das vitorias conseguidas pelos surdos pinhãoenses.

Os convidados fizeram esforços para conter as lágrimas de emoção. Vivenciaram a força, a luta e a alegria transmitidas pela língua de sinais, durante todo o tempo ouve a interpretação para os ouvintes dos poemas, mas ficou visível a todos que aquelas mãos declamaram com tanta verdade e emoção que não havia a necessidade de interpretação para compreender a luta pela inclusão, a força da comunidade dos surdos, a dor quando não se consegue comunicar e a alegria quando se encontra respeito e pessoas que os compreendem, que conhecem Libras.

ANALFABETISMO DEVE SER SUPERADO

 Odir, a secretária Madalena e a técnica da secretaria de Educação, Neuza Maria Amaral de Camargo Almeida, ao se pronunciarem falaram que eles eram analfabetos em Libras e que sentiam na pele como isso era um problema, a necessidade de cada vez mais tornar  Libras uma língua popular.  O prefeito destacou a união, a persistência e a luta da Associação pela inclusão e que eles devem estar sempre levando à administração pública suas necessidades e cobrando que tudo aconteça dentro do lema deles, “Nada sobre eles sem eles”.

ORGULHO DE SER SURDO E PINHÃOENSE

Quem acreditou que as emoções haviam terminado após as apresentações dos poemas se enganaram. Quando a palavra ficou livre, o pinhãoense acadêmico de Artes da Unicentro, Lucas Everaldo Machado, decidiu dar seu depoimento como surdo.

Os corações se inquietaram, os olhos se encheram de lágrimas ao acompanharem suas mãos contarem de forma tão profunda a sua trajetória de vinte e três anos como surdo.

Em sua explanação falou da dificuldade enfrentada na escola quando pequeno, tempo em que as professoras queriam que eles aprendessem como os outros, tempo que eles foram considerados pelos adultos e colegas, incapazes. A alegria do encontro com a Libras, a sua libertação, o seu processo de inclusão que a língua de sinais permitiu-lhe fazer.
Ele falou que a caminhada não é fácil, mas que ele sempre se  lembra dos surdos que vieram antes dele e sofreram muito mais que ele.

“Hoje sou acadêmico de Artes na Unicentro, hoje meus colegas querem conversar comigo, trocar conhecimentos, fico feliz em ver que o município está preocupado em lutar pela inclusão. Eu tenho muito orgulho do meu trajeto até aqui, de ser surdo, da comunidade de surdos de Pinhão da nossa Associação e de ser pinhãoense”, finalizou Lucas em seu reflexivo e emocionante depoimento.

Confira  no vídeo os momentos da comemoração do Dia dos Surdos. 

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