Quando Disney Lula terminará?

Dartagnan da Silva Zanela

TODO MUNDO VIU A OPERETA bufa que foi encenada no sindicato dos metalúrgicos em São Bernardo do Campo. Opereta apresentada com o inapropriado nome de Missa em memória da finada senhora do estulto astuto. Até meus cães – os fiéis amigos do Darta – acompanharam comigo, bem de perto, o espetáculo decadente do companheiro supremo do partido da estrela cadente e, tal qual esse que agora escreve, não entenderam nada do que estava acontecendo.

Deixando a minha amada cachorrada de lado, porque os coitados não têm culpa de nada, como todos viram – e viram, imagino, o mesmo que eu vi – creio que não há muito que dizer sobre o assunto. Por isso, nessa escrevinhada restrinjo-me a expor, brevemente, através dessas minguadas linhas, somente algumas impressões que o showzinho / missa / cerimônia / comício, que lançou oficialmente a pedra angular da seita do Lulismo decadente dos aloprados dos últimos dias, causou em mim.

Primeiro: a imagem da galerinha toda reunida, ensandecida, lá, por horas, plantada naquele solão da moléstia, gritando em uma só e potente voz: “Eu sou Lula! Eu sou Lula! Eu sou Lula!” Carambolas! Quando ouvi isso, enquanto lavava a louça do almoço, no mesmo instante rememorei algumas cenas da série The walking dead. Não da zumbizada, mas sim, das cenas onde os correligionários da gangue dos “Salvadores” eram interpelados pelo grupo dos sobreviventes liderados por Rick Grimes. Cenas onde os “Salvadores” diziam, laconicamente:

“Eu sou Negan”. Semelhança tamanha só pode ser mera coincidência, não é mesmo? Enfim, essa foi apenas uma impressão da parte duma pessoa desalmada como esse que agora vos escrevinha. Só isso e nada mais. Na verdade não. Tem mais. A segunda refere-se ao discurso do messias de São Bernardo. Ah! Foi um negócio muito, mas muito caricato mesmo. Uma tosca colcha de retalhos, muito da sem vergonha, feita com pedacinhos retirados de alguns discursos célebres que, ditas no tom megalomaníaco de Lula, ganharam um ar deprimente. Parêntese.

Não sei se era a intenção dos organizares fazer com que tais alusões fossem percebidas. Não sei. Sei apenas que eu e meus cães percebemos. Fecha Parêntese. Havia uma alusão ao discurso “I Have a Dream” – Eu Tenho um Sonho – do reverendo Martin Luther King Jr., onde Lula, do seu jeito, dizia que sonhou, sonhou e sonhou e que agora não sonha mais por causa da “zelite” que não gosta do povo e, por isso, não gosta dele. Havia também alguns retalhos que faziam menção à Carta Testamento de Getúlio Vargas, onde o padrasto dos pobres dizia que ele estaria sempre com o povo, junto ao povo, entre o povo, no coração do povo e blablablá.

Ah! E também, tínhamos uns caquinhos que faziam menção à história em quadrinhos “V de Vingança”, um clássico, da autoria de Alan Moore e David Lloyd que virou filme. Um belo filme, diga-se de passagem. Quando o Supremo dos supremos dizia que não era mais um homem, mas sim uma ideia, ele, penso eu, imaginava ser o “V”. É. Olha só as ideia dele. Sim, já sei. Ficou muito feio mesmo. Muito tosco. Um ridículo quase original. Quase.

Mas, como dizem os tongos, há quem curta essas coisas e as ache lindas. Não há? Sempre há. Uma terceira impressão que tive do discurso oficial de fundação da nova seita foi a grande semelhança dum momento da cerimônia de unção do Lula – o salvador do povo perseguido pelo diabedo dos coxinhas – com a cena final do documentário nazista “O triunfo da Vontade” (1934) de Leni Riefenstahl. Quando a galera rubra, enlouquecida, gritava “Lula é a gente! Lula Presidente! Lula é a gente! Lula Presidente!” Lembrei-me da declaração feita por Rudolf Hess, em Nuremberg, ao final sexto Congresso do Partido Nacional-Socialista dos Trabalhadores da Alemanha, documentado na referida película, onde o mesmo dizia: “Hitler é a Alemanha e a Alemanha é Hitler”.

E aí, após isso, a galera nazi foi ao delírio, de modo similar ao séquito da seita supracitada. Impressões à parte, uma coisa é certa: o partido e, em especial, seu grande timoneiro, revelaram sua verdadeira face para todos aqueles que desejarem ver e, naturalmente, forem dotados dum bom estômago pra tanto (de minha parte não tenho problema com isso não). E vejam que não precisava ter sido desse jeito não.

Não mesmo. Sempre disse aos meus amigos, quando tocávamos no assunto fecal do quadro político da última década e meia, algo que agora lhes conto: se desde o princípio o ex-presidente tivesse, humildemente, colaborado com a justiça, se apresentado voluntariamente para Política Federal, agido de modo altivo, reconhecido os malfeitos e colocando-se apenas como um cidadão que, como todo cidadão, deve estar abaixo da lei e que acataria a decisão do judiciário, dando uma de João sem braço, afirmando que ele não imaginava que tudo isso estivesse acontecendo tão próximo dele, mas que, como havia sido o supremo mandatário do país, ele assumiria plenamente a responsabilidade pelo ocorrido.

Se ele tivesse procedido mais ou menos assim, com toda certeza a narrativa da história seria bem diferente. Mesmo que ele fosse condenado, a sua história seria de arrependimento e redenção, um exemplo edificante para toda a nação e, sejamos francos, todos gostam de uma história assim. Detalhe: se assim tivesse ocorrido, bem provavelmente ele teria salvo sua biografia e, de quebra, refundado o seu partido. Porém, ele não agiu assim. Quando o cabra é soberbo é phoda. Não tem jeito nem cura.

O poder o cegou e revelou toda a insanidade do projeto totalitário de poder que ele representa. Insanidade essa que me levou a pensar noutra analogia cinematográfica. Agora com o filme “A Queda” (2004). Filme esse que narrou os últimos momentos de Hitler. Lá estava ele, o carinha do penteadinho e bigode ridículos, comandando tropas que não mais existiam, manobrando batalhões que foram dizimados, traçando planos num cenário inexistente, dando ordens para oficiais que não mais acatavam suas ordens, enfim, o cabra fazia tudo isso sem se flagrar que estava apenas cercado por meia dúzia de fanáticos e por um tanto de bajuladores.

Bem, saindo do filme para a tragicômica missa / comício / Show, lá estava ele, Luiz Inácio – o Barba, imaginando ser o filho do Brasil, o pai de todos, o fura bolo e o mata piolhos, cercado por um punhado de militantes aluados, crendo que eles seriam a expressão máxima e total da sociedade brasileira, traçando planos em um cenário que apenas existe na sua cabeça e na imaginação dos fiéis devotos de sua capelinha do Butantã. Nos dois casos, cada um ao seu modo, vemos figuras mitificadas por intelectuais, militantes e pela mídia em um processo degradante de desmitificação.

Processo esse que, por sua deixa, nos leva a ver com clareza a insanidade desnuda presente nos dois momentos. A loucura das duas personagens reveladas de vereda em seus melancólicos finais. Enfim, analogias e impressões a parte, esse foi um espetáculo grotesco e deprimente do princípio ao fim que ele, Lula, e seus asseclas não precisavam ter feito e que a história brasileira poderia ter sido poupada. Pois é, mas não foi. Disney Lula acabou? Não sei. Nunca duvido da capacidade nacional de adorar ideologias furadas e de cultuar farsas retumbantes, mesmo depois que elas foram desmascaradas.

Aqui, nessa terra de botocudos, tudo é possível, principalmente o pior. Fazer o quê? O jeito é tomar um café.

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