Fatos do Iguaçu colocou em discussão a violência contra a mulher

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Professora Dra Ariane Carla Pereira no momento da sua fala observada pelos demais participantes da mesa. (Foto:Gisele de Pádua/Fatos do Iguaçu)

Elis Carraro – jornalista Fatos do Iguaçu

Pinhão está entre os municípios com maiores índices de violência do estado

Na quarta-feira (23), no auditório do Sindicato Rural Patronal, o Fatos do Iguaçu, em parceria com o NUMAPE/Unicentro o CREAS/Pinhão, a secretaria municipal de Assistência Social, Sindicato Rural Patronal, promoveu uma Mesa Redonda para discutir o tema: “Maria da Penha, a Mulher a Violência, e Encaminhamentos”. Para palestrar sobre o tema foram convidados: A professora, Drª. em comunicação e coordenadora do NUMAPE Guarapuava, Ariane Carla Pereira, a psicóloga do CREAS – Pinhão, que atua no atendimento às famílias, Jolly Danúbia de Oliveira, o promotor de justiça da comarca de Pinhão, Diogo de Araujo Lima e o delegado de Polícia,  Rodrigo Cruz dos Santos.

A diretora do Fatos do Iguaçu, Nara Coelho, explicou  que a violência contra a mulher faz parte semanalmente da editoria de segurança, e como se percebe que a violência contra a mulher é um tabu na sociedade porque sempre foi aceito, escondido e tolerado, não sendo visto como problema social, era necessário chamar a atenção da comunidade para o tema.

A psicóloga Camila Grande da Silva, que faz parte da equipe da secretaria municipal de Políticas Públicas para a Mulher de Guarapuava, pontuou sobre os atendimentos e reforçou que a equipe realiza o acolhimento das vítimas e busca o empoderamento e autoestima das mulheres.

Mesa redonda

A professora Ariane abordou sobre gênero e destacou a importância da comunicação e do jornalismo como ferramenta para divulgar e promover ações contrárias a essa tolerância que se dá pela violência. “Nós precisamos reconhecer as diferentes formas de violência e dimensionar este grave problema social. É de extrema importância envolver os homens na superação dessa cultura violenta, do machismo. Nós, enquanto cidadãos, não podemos fechar os olhos às situações de violência velada que acontecem debaixo de nosso nariz, é necessário assegurar o protagonismo das mulheres por meio de políticas públicas de educação, autonomia econômica e financeira promovendo o empoderamento entre as mulheres”, frisou.

Delegacia, porta de entrada

O delegado Rodrigo falou sobre dados registrados de índices de violência no município em 2016/2017. De acordo com levantamentos dos boletins registrados, em 2016 foram autuados 07 casos de estupros e 65 ocorrências de agressões. Já neste ano, foram 05 estupros e 47 agressões. Estes dados são assustadores para um município de cerca de 32 mil habitantes, isso demonstra que Pinhão ainda não avançou em políticas públicas no combate à violência. Ele explicou sobre os procedimentos realizados quando a vítima procura a delegacia para registrar a queixa. “Sabemos que o mais adequado é que a mulher seja atendida por uma mulher, contudo, dentro da situação precária de funcionários que temos na delegacia local, isso não tem como acontecer, mas a orientação é que quem atenda, demonstre respeito e empatia àquela situação e pessoa.”

E depois da denúncia?

O promotor de justiça, Diogo, pontuou sobre o proceder após as denúncias e citou que em muitos casos ocorre da vítima fazer o boletim de ocorrência e depois se reconciliar com o agressor, mas, depois de feito o boletim, não há mais como retirar a queixa e o agressor responde criminalmente da mesma forma. O promotor ressaltou que é preciso ir além das pressões, é preciso tratar do agressor e da vitima. “O que se percebe é que as punições por si só não dão conta da situação, a nossa proposta é que seja desenvolvido um trabalho de conscientização do agressor que sua atitude é errada, pois a prisão não dá a ele essa visão. Estamos trabalhando nessa idéia de criar um grupo de atendimento aos agressores e vitimas, até porque em Pinhão é muito comum os casais se reconciliarem antes de terminar o processo que julga o agressor, ou seja, o ciclo de violência fica sem solução”.

A psicóloga Jolly mostrou o ciclo da violência, os tipos de agressores e o perfil das vítimas. Explicando que não se pode acusar a vítima por retornar com o agressor, há uma série de questões que envolvem essa decisão e dentre elas: a dependência financeira ou psicológica e a síndrome de desamparo. “É preciso mudar esse olhar de julgamento e condenação que muitas pessoas têm sobre a situação. É horrendo ouvir frases do tipo, ah, mas elas gostam de apanhar, por que voltou, a vítima volta por vários fatores, mas, principalmente porque há um ciclo onde o agressor se redime, promete mudança, e até muda, mas depois volta a agredir. Às vezes tem os filhos, às vezes a dependência financeira, então, julgar a vítima não ajuda, mas compreende-la e oferecer suporte e opções para que ela saia dessa situação é que ajuda a resolver esse problema social”, afirmou Jolly.

Testemunhos

Dona Rosa Elvira Prudente Macedo tem 52 anos e é participante do PET, bairro São Cristóvão. Ela veio participar da mesa porque passou por uma situação de presenciar a violência com a filha. “Várias vezes eu denunciei, mas a policia chegava lá e ela não deixava denunciar porque ele ameaçava matar ela, foi bem difícil para mim ver aquilo, e eu sempre ouvi falar da lei, mas nunca tinha participado de uma reunião dessas, agora eu sei que eu to bem orientada e posso ajudar mais pessoas como a minha filha”, contou a dona de casa.

A diretora do Fatos do Iguaçu, Nara, avaliou de forma positiva a realização da Mesa. “Foi bom, pois durante as semanas que antecederam a realização da mesa realizamos reportagens sobre o tema, o que já levou as pessoas a lerem, conversarem sobre o assunto, e hoje, aqui, os palestrantes foram de alto nível e conseguiram passar ao público o tema de forma muito direta e prática. Sentimos a comunidade ter perdido a oportunidade de conhecer o problema mais de perto, mas temos a certeza que quem veio saiu satisfeito e com muito mais conhecimento.”

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