Por João Vitor Somenzari

As grandes mídias o noticiam com mérito e glórias. A juventude que ama a humanidade mas odeia o seu semelhante cai em lágrimas com a liberação do genocídio em massa. Movimentos políticos se alegram diante da imensidão dos gritos de seus rebanhos em comemoração à sua conquista diante de um parlamento inquisitorial…

No Brasil, ainda não tivemos esta tragédia, por enquanto, mas cabe tratar seriamente sobre este assunto, antes que seja tarde demais. Relato ao leitor que  elucidarei fatores fora do âmbito do Catolicismo, do qual faço parte, haja visto que a mera citação de textos filosóficos (como metafísica), não convencerá aquele incumbido pela ignorância. Aliás, está longe de ser minha intenção neste momento.

O acesso a “saúde”, estabelecido constitucionalmente no Brasil e sendo garantido pelo Sistema Único de Saúde, é o primeiro ponto ao qual devemos analisar. Trataremos mais tarde quanto aos meios particulares de saúde, no momento, nos  concentraremos no acesso público. Pois bem, hipoteticamente, imaginemos que o aborto seja oficialmente legalizado no Brasil, em todas as hipóteses, até os 03 (três) meses de gestação. Neste momento, far-se-á necessário a criação de uma ala pública e “gratuita” para o atendimento de mulheres que optaram pela prática do aborto.

Apenas em 2015, o gasto total em todas as esferas da federação chegou a R$ 190 bilhões em saúde pública. Com a liberação do aborto, os gastos obviamente aumentariam, tendo em vista a contratação de profissionais da saúde
para o procedimento, leitos, eventuais usos de UTI’s em casos de erro no procedimento cirúrgico e agendamentos de centros cirúrgicos para a garantia segura do móvito, (já que uma das pautas mais defendidas é a insegurança das
condições do aborto perante as clínicas ilícitas). Segundo a pós-doutora Viviane Petinelli que participou da audiência pública sobre o aborto realizado no Superior Tribunal Federal, o aborto custaria em média R$ 500 milhões por ano aos cofres públicos com base nos países que já legalizaram o aborto, bem como, a média cotada de
procedimentos praticados ilegalmente no Brasil todos anos.

Se tomarmos em conta a necessidade real, como a de tratamentos oncológicos muito mal investido neste país, seria de suma importância o uso efetivo de mais gastos (que não deveriam acontecer), com fatores realmente importantes. Segundo dados dos Indicadores de Desenvolvimento Global do Banco Mundial de 2016, para cada 100 mil nascidos, 69 mulheres morreram no parto ou no puerpério no Brasil. (1) Considerando a média de 3 milhões de crianças nascidas por ano no Brasil, bem como o percentual de 0.069% de mães que morrem na tentava de garantir a vida de seus nascituros (mães que vieram a óbito durante o parto), chegamos ao número médio de 2.070 mortes por ano.

Quanto as mortes em decorrência da prática ilegal do aborto, chegamos, segundo o Conselho Federal de Enfermagem, a morte de 203 mulheres em um ano (2). Ora, é realmente necessário adentrar no mérito de quais mulheres estão mais debilitadas em estrutura e auxílio hospitalar? Ademais, as mulheres que realizam o aborto por meiosilícitos, optaram facultativamente pela prática, reconhecendo, como já citamos a cima, a precariedade dos meios clandestinos que atingem principalmente a classe menos favorecida. Não se desconsidera o fato de que provavelmente, a taxa de mortalidade do aborto ilegal ocorra em sua grande maioria entre a população de baixa renda, visto que nada impediria a ida destas mulheres burguesas a países como a Holanda para a prática
legal.

A partir do fundamento das classes econômicas, a retórica construída éa seguinte: as mulheres de baixa renda são as que mais sofrem com a criminalização do aborto. Logo, é necessário que a prática seja legalizada com o fim de garantir a segurança do procedimento nestas mulheres. De antemão, a uma contradição nos argumentos apresentados pelos movimentos abortistas, que alegam o acesso as clínicas particulares, conforme veremos. Tomado como base o valor da prática legal nos Estados Unidos (sem o acréscimo de imposto e as demais e burocracias exageradas brasileiras), o valor base  seria de R$ 2.927,00 (3).

Novamente, as clínicas legais seriam apenas uma economia das classes burguesas com gastos em passagens ao exterior. Retomando. Sendo a maior ocorrência em áreas de baixa renda, seria a maneira mais fácil e oculta de extinguir as populações carentes pelo controle de natalidade, tendo em vista que o mero impedimento da reprodução de certos grupos pode ser considerado genocídio. No entanto, não haveria  genocídio, pois, os próprios indivíduos se eliminam por pura escolha e legitimação do

1 https://g1.globo.com/bemestar/noticia/cinco-mulheres-morrem-por-dia-no-brasil-por-questoesrelacionadas-a-gravidez-diz-oms.ghtml
2 http://www.cofen.gov.br/uma-mulher-morre-a-cada-2-dias-por-causa-do-aborto-inseguro-dizministerio-da-saude_64714.html
3 https://www.bbc.com/portuguese/internacional-44177607 – A matéria produzida em uma clínica
de aborto em Shreveport, Louisiana (sul dos EUA), que atende uma ampla região rural do Estado
e dos vizinhos Texas, Arkansas e Mississippi. A mulher que se prepara para o procedimento
responde: “Explica que talvez precise de ajuda financeira, uma vez que o procedimento custa
US$ 550, mais do que seu salário de US$ 525.” Em Louisiana, o Estado só cobre os custos de
abortos em casos de estupro, incesto ou risco de vida. ”

estado para tal. Muito semelhante foram os testes e o controle que o governo alemão exercia sobre os judeus durante o regime nazista, selecionando os judeus de genética boa  e impedindo a reprodução daqueles que não atendiam as adequações da raça “pura ariana”. Em Mein Kampf, de 1925, Hitler declara sobre o que chama de “parasitas”
(judeus):

O povo alemão é um só corpo, mas sua integridade está ameaçada. Para manter a saúde do povo, é preciso curar o corpo infestado de parasitas”.

As criminalidades excessivas em áreas de baixa renda conduzem muitos indivíduos a prática de delitos. Mas far-se-á necessário a pratica do aborto nestas áreas para extinguimos a criminalidade? Muito se fala que uma mãe de periferia pode optar pelo aborto com o fim de evitar que seu filho se torne um futuro líder de quadrilha, traficante ou qualquer outro ente do sistema criminoso, com base no ambiente onde esta criança irá formar sua personalidade.

Pois bem, deverá o Estado ser um garantidor extremamente anterior às escolhas dos indivíduos? Deverá o Estado permitir que o aborto aconteça como meio de controle de possíveis crimes anterior ao primeiro choro de uma
criança? Me parece a maior forma de totalitarismo vista na história da humanidade, muito semelhante a Herodes, o Grande, que ordenou a morte de todos os meninos de Belém com menos de dois anos de idade com a intenção de assassinar Nosso Senhor Jesus Cristo.

Mas Herodes era um pouco mais lúcido, não exterminou fetos.  Negros constituem 75% (4) entre os mais pobres. É evidente que haveria um percentual muito maior de crianças brancas do que negras num futuro não tão distante.
Considerando que uma das pautas feministas é o lugar de fala da mulher negra no Brasil, a ocupação de universidades, locais de trabalho, debates públicos e até mesmo na política, estaria totalmente comprometida, não?

Ressalto, também, o acelerado avanço científico na reprodução assistida – a famosa “inseminação artificial”. Ora, jaz possível a escolha  do sexo do sexo da criança através do teste genético pré-implantacional, novamente, tratase de uma opção cara e praticamente inacessível a grande parte da população. Mas, tomando como base este avanço médico, não tardará para que vários aspectos físicos  sejam descobertos antes do nascimento, como: cor dos olhos; cor dos cabelos; deficiências físicas e de retardo mental; tom da pele. Enfim, haverá uma pré-seleção do

4 https://noticias.uol.com.br/cotidiano/ultimas-noticias/2019/11/13/percentual-de-negros-entre10-mais-pobre-e-triplo-do-que-entre-mais-ricos.htm

humano perfeito, muito semelhante ao que os espartanos faziam com seus bebês (5). Será muito simples. Constatado uma deficiência física como a paralisia motora, poderá a mãe  optar pelo aborto de seu filho. Onde está a inclusão das minorias sociais tão aclamada pelo feminismo? O argumento das minorias tornou-se um tanto quanto racista e
preconceituosa. A melhor forma de reduzir as desigualdades está no aborto. Se você tem uma empresa de cadeira de rodas, lamento, mas suas vendas estão prestes a cair.

O ato sexual, é praticado por sujeitos de sexos opostos para a manutenção saudável da espécie contra a extinção e ajudante na variação genética da  população – nunca foi apenas isto. Desde o princípio racional da espécie humana, o ato sexual é praticado como mero fim de prazer, seja pela prostituição, pornografia ou pelo mero relacionamento de dois indivíduos. No entanto, parece-me que já não há mais esta concepção na mente dos indivíduos (principalmente os jovens, do qual faço parte). A  libertinagem sexual em conjunto com a falta de cuidados na seleção de um parceiro no mero prazer, motiva e muito o apoio aos movimentos abortistas.

De fato, o ato sexual vem a ser prazeroso e necessário na manutenção de muitos relacionamentos (é o que dizem?), no entanto, sua função proveniente é a reprodução. Então, espera-se o que de uma relação sexual sem nenhum cuidado necessário para a não ovulação? É um complexo  de falta de maturidade com um narcisismo mascarado em argumentos de saúde pública.

Como diria G.K Chesterton, “Quando Nietzsche disse: “Dou-lhes um novo mandamento: sejam insensíveis’, disse, na verdade, ‘Dou-lhes um novo  mandamento: morram’. A sensibilidade é a definição da vida”.

João Vitor Somenzari
Guarapuava/PR – 18 de julho de 2021

5 Em Esparta, era comum que crianças deficientes ou fracas de mais fossem sacrificadas. Descartadas como inúteis para a polis espartana. Algo semelhante já ocorreu no Brasil em tribos  indígenas que enterravam suas crianças vivas caso venham a nascer com alguma deformação  física ou cerebral. Por óbvio, o aborto não seria um meio para a redução do claro infanticídio  dentro das tribos, pois um ultrassom ou qualquer exame clínico que faça o uso do que há de  mais avançado na medicina e afere alguma deformação no feto seria – como alegam nossos
antropólogos universitários – uma intervenção da cultura europeia do branco.


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