Cancelamento do debate da Globo gera críticas de candidatos e entidades da imprensa
Suspensão do encontro provocou acusações políticas e manifestações sobre liberdade de imprensa; Lula e Flávio Bolsonaro fizeram transmissões separadas na internet.

O cancelamento do debate presidencial da TV Globo, na noite de quinta-feira, 1º de outubro, provocou críticas de candidatos e entidades representativas da imprensa a dois dias da votação do primeiro turno. A emissora atribuiu a suspensão às decisões judiciais que alteraram regras do encontro pouco antes da transmissão e alegou insegurança jurídica para realizar o programa.
Ronaldo Caiado (PSD), Romeu Zema (Novo) e Augusto Cury (Avante), que compareceram aos estúdios, contestaram o desfecho. Enquanto isso, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que já havia recusado o convite, participou do Flow Podcast. Flávio Bolsonaro (PL), que desistiu do debate na quinta-feira, realizou uma transmissão própria no YouTube.
Caiado, Zema e Cury criticam cancelamento
Caiado classificou a suspensão como um “atentado à democracia brasileira” e responsabilizou Lula pelo impasse. O candidato do PSD criticou as decisões judiciais e afirmou que os concorrentes perderam uma oportunidade de discutir os rumos do país diante dos eleitores.
Zema também lamentou o cancelamento e disse que o Brasil e a democracia foram prejudicados. Cury dirigiu críticas a Lula e Flávio por não participarem e questionou o protagonismo do Supremo Tribunal Federal (STF).
Segundo reportagem do SBT News, integrantes das três campanhas avaliaram que o desfecho favoreceu politicamente Lula, ao impedir tanto a exposição de seu púlpito vazio quanto o confronto entre os demais candidatos. Trata-se de uma interpretação das campanhas adversárias sobre os efeitos das decisões, sem comprovação de intenção dos magistrados de beneficiar uma candidatura.
Lula defende mudanças no formato
Na entrevista ao Flow, Lula justificou sua ausência com críticas ao modelo dos debates. O presidente e candidato à reeleição afirmou que encontros com vários participantes, respostas curtas e longos intervalos entre as falas dificultam o aprofundamento dos assuntos.
Lula também defendeu critérios mais seletivos de participação, considerando a diferença de apoio eleitoral entre os concorrentes. Na avaliação apresentada por ele, o formato atual favorece provocações e frases de efeito.
Flávio leva críticas para transmissão própria
Flávio Bolsonaro justificou sua desistência pelo que chamou de “censura” do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). O candidato contestou as mudanças determinadas pela Justiça e anunciou uma transmissão na internet para explicar sua posição. e
Durante a live, acompanhado de aliados, voltou a criticar a ausência de Lula nos debates e pediu aos eleitores um “voto de revolta”. Segundo o UOL, a transmissão alcançou cerca de 900 mil espectadores simultâneos, enquanto a participação de Lula no Flow chegou a 1,7 milhão. Os números representam picos de audiência ao vivo, não o total de visualizações nem uma medida de intenção de voto.
Renan Santos questiona emissora
Renan Santos (Missão), que havia obtido uma decisão do STF garantindo sua participação, criticou a Globo por não manter o encontro. O candidato afirmou que estava a caminho dos estúdios quando recebeu a notícia e relatou que sua equipe não conseguiu entrar no local.
Em manifestação nas redes sociais, lamentou que os candidatos preparados para o debate e os eleitores ficassem sem o confronto de propostas. ex
Entidades manifestam solidariedade à Globo
ABERT, ANER e ANJ — associações de emissoras, revistas e jornais — divulgaram uma nota conjunta de solidariedade à Globo. O documento criticou a intervenção judicial em regras previamente acordadas entre a emissora e os partidos.
Na avaliação das entidades, as mudanças prejudicaram a liberdade de imprensa e o direito dos cidadãos de conhecer as propostas dos candidatos dispostos a participar. A nota foi reproduzida pelo portal Tribuna do Sertão.
Decisões não determinaram o cancelamento
A ministra Estela Aranha, do TSE, suspendeu a exposição do púlpito vazio de Lula e as perguntas dirigidas ao candidato ausente. Segundo o SBT News, a fundamentação considerou que a participação é facultativa e que as regras não poderiam funcionar como punição pela ausência.
Outra decisão, do ministro Gilmar Mendes, do STF, garantiu a participação de Renan Santos. As determinações alteraram as condições do encontro; o cancelamento foi uma decisão da Globo, que alegou insegurança jurídica.
O programa seria o último debate presidencial da emissora antes do primeiro turno das Eleições 2026, marcado para este domingo, 4 de outubro. exa
Com informações de Globo, UOL, Exame, SBT News e Tribuna do Sertão.
Por Redação





























