Março é o mês dedicado a elas, o Fatos do Iguaçu está homenageando as mulheres contanto a história de mulheres que se inspiraram em outras mulheres para irem além dos limites que a vida e ou a sociedade  quiseram impor.

Nessa reportagem vamos contar um pouco das lutas e conquistas de uma fisioterapeuta que é apaixonada pela sua profissão, ela é

Jéssica Roberta Nunes, tem 31 anos, já encontrou o amor, tem sob a sua responsabilidade a Clínica Revitalize. É ligada com certeza no 320, é organizadíssima, pensa e fala muito rápido, haja folego para acompanhá-la.

É gata, linda, descolada e sempre em busca de ir além.  Comunicativa, persistente, teimosia é seu forte, ela perde a cabeça, mas não perde a ideia que teve e quer por em prática. Contudo, no convívio, é maleável, tem um bom coração.  Busca estar sempre vendo o lado bom das coisas. Não sabe dizer não, ou melhor, está no processo de aprender a dizer não.

Infância

Foto: Arquivo Pessoal

Filha de Nair Nunes e Acir Ferreira da Silva Filho, sua mãe é pinhãoense, mas quis a vida que ela fosse  ganhar a Jéssica na cidade de Santa Catarina, São Francisco do Sul, com 7 dias a linda bebezinha veio para Pinhão/Pr e não mais saiu, e como diz ela com o peito estufado e olhos brilhando, “Sou sim e com muito orgulho Pinhãoense”.

Sua infância foi muito boa, Cresci no Pinhão, meus pais se separaram quando eu tinha um ano e meio, minha infância foi boa, como minha mãe precisava trabalhar, sempre alguém estava me cuidando, convivi com muita gente e isso foi uma coisa boa. Eu só tenho gratidão pela minha infância”.

Um casal especial

Para que a dona Nair, mãe de Jéssica pudesse trabalhar com mais tranquilidade, aos 4 anos de idade ela foi morar na casa do casal Edoni de Oliveira Caldas e Eguimara Mendes Caldas, esse casal entrou para ficar na vida da Jéssica, fizeram e fazem a diferença, “Eles são meus segundos pais, sempre me apoiaram, me ajudaram e me criaram junto com a minha mãe, sempre estiveram presentes nos momentos difíceis e felizes da minha vida”.   

O trabalho veio cedo

A fisioterapeuta foi uma adolescente tranquila, nunca foi de dar muito trabalho à mãe seja em relação a amizades ou escola.

Descobriu cedo que a vida não era fácil, mas também não era imutável. Ela percebeu na adolescência que seu destino, sua caminhada dependia dela, de suas escolhas, “Quando eu fiz 14 anos, me dei conta que eu queria andar bem arrumada, ter certas regalias. Não podia exigir isso da minha mãe. Aos 14 anos tive meu primeiro emprego, estudava no Morski de manhã e de tarde trabalhava na Neli, no Cantinho das Novidades. Lá trabalhei por 4 anos”.

Ela fala com muito carinho dessa época e como a empresária Neli a ajudou, “Trabalhava para comprar roupa. A Neli foi muito boa, se tivesse trabalho escolar para fazer ou estudar para prova, eu ficava em   casa. Entre risos, contou: a Neli me liberava até para ir no judô”.

Jéssica fez questão de deixar claro que trabalhar aos 14 anos foi escolha dela,” eu quis trabalhar, a minha mãe nunca exigiu isso de mim, foi uma percepção minha, se eu quisesse algo melhor, tinha que trabalhar. Eu gostava do que fazia, nunca deixei de ter meu lazer, meus amigos, aproveitar minha adolescência, porque é nela que a gente descobre onde é o nosso lugar no mundo”.

Mudança de emprego

Jéssica foi para a faculdade, agora, trabalhar não era mais só para comprar roupas, as exigências aumentaram, eram outras e isso a obrigou a mudar de emprego, “Precisava ganhar um pouco mais, trabalhar 8 horas, tive que sair da Neli. No dia que sai chorei muito, tanto que a minha mãe se preocupou, mas a Neli disse algo a ela que me marcou,  “Não se preocupe Nair, o lugar da Jéssica não é atrás de um balcão, ela sabe o que quer da vida”.

Novo emprego

“Fui trabalhar com a Maristela Deparis, na Relojoaria Karina, lá aprendi muito, a Maristela me ajudou muito, fiquei lá 3 anos, saí quando me formei em Fisioterapia”.

Formada e já empregada

Foto: Arquivo Pessoal

A acadêmica de fisioterapia era dedicada, focada, essa dedicação lhe rendeu frutos, “Me formei numa sexta-feira, na segunda-feira comecei a trabalhar com a Raisa, na clínica Bem Estar, trabalhei lá 5 anos e aprendi muito”.

“Fui paga para aprender”

Jéssica tem muita clareza que sua caminhada até chegar a ser uma fisioterapeuta reconhecida e estar à frente da clínica Revitalize não foi fácil. Tem uma admiração e um reconhecimento pelas mulheres que a ajudaram nessa caminhada, “Nunca fui paga para trabalhar, fui paga para me ensinarem, eu aprendi muita coisa nos lugares que trabalhei, o certo, e o que é errado, hoje eu sou uma pessoa extremamente organizada, sei lidar com a minha empresa porque tive ótimas professoras. Às vezes as meninas brincam que sou tão organizada que devo ter TOC, eu respondo, (risos) “não posso ser diferente, trabalhei com a Neli e a Maristela. Elas me proporcionaram um dos meus maiores ensinamentos, lidar com o mundo do comércio e do cliente”.

Odontologia era a escolha

Mas como essa moça extremamente comunicativa, que teve uma boa experiencia no comércio foi parar na Fisioterapia?

“Sempre soube que eu queria algo na área da saúde, no término do Ensino Médio, eu queria Odontologia, porém, na época o curso era fora, integral, teria que morar sozinha, isso tudo me fez repensar. Decidi fazer vestibular para a minha segunda opção, que era Fisioterapia”.

Fisioterapia, a grande paixão

Conversando com a Jéssica Nunes, fisioterapeuta, é impossível imaginá-la sendo dentista. Seus olhos se abrem e enchem de um brilho intenso quando fala do seu trabalho, “Hoje eu não me vejo fazendo outra coisa, eu me descobri dentro da Fisioterapia, ela nos permite muitos caminhos. Sou apaixonada, aqui me realizo, consigo ajudar. Ela foi minha segunda opção e hoje ela é minha vida tudo que é meu passa por ela”.

Ela já escolheu um caminho

“No início da carreira a gente faz de tudo, hoje já escolhi o meu caminho, trabalho com Pilates, Podoposturologia, confecções de palmilhas e fisioterapia na área da ortopedia”.

A Clínica Revitalize

Foto: Arquivo Pessoal

Na vida de Jéssica nada foi fácil, nada caiu no colo, tudo foi luta, na garra e nas reviravoltas da vida.

Cada reviravolta foi sempre um desafio que foi enfrentado de frente, com a certeza que podia sair do turbilhão com aprendizagem em situação melhor.

Com a Clínica Revitalize não foi diferente, “A minha vida deu uma reviravolta, e as coisas foram se encaminhando para a Revitalize, esse ano comemoramos 3 anos de muito trabalho”.

Ela continua contando com animação, pois os sufocos, as dificuldades a tornaram mais forte, “Quando resolvi abrir a Revitalize não tinha nada, nem um centavo, só coragem, meti a cara num financiamento. O proprietário da sala nos deu dois meses de prazo para a,rrumar a sala sem cobrar o aluguel, a correria contra a tempo”.

A presença da mãe é marcante na sua vida, “foram dois meses de organização da sala e a minha mãe ali firme e forte me sustentando, pois não tinha um centavo no bolso, mas muita vontade de trabalhar”.

3 anos da Clínica Revitalize

Jéssica sempre grata à vida e a sua experiência no comércio , “Antes de abrir a Clínica, eu já tinha 10 anos de comércio, já tinha interação com o público, isso tornou mais fácil a organização da Revitalize e o reconhecimento do trabalho que oferecemos”.

Nesse mês de março, Jéssica está comemorando 3 anos da Clinica Revitalize, que iniciou com 5 profissionais e hoje ela gera 12 empregos.

A Revitalize oferece multiplicidade e calor humano

Hoje quem procura o atendimento da Clínica Revitalize encontra profissionais de alta qualidade, são 3 psicólogas, 2 nutricionistas, 1 profissional da estética, uma podóloga em formação, que já realiza  massagem relaxante nos pés, 6 fisioterapeutas. Uma atenciosa secretária que recebe todos com um belo sorriso.

Na Revitalize as pessoas encontram vários tipos de atendimento, estético, de ozônio, fisioterapia para tratamento, neurológico, ortopédico, pélvico, para mulheres e homens. “Acima de tudo, aqui as pessoas encontram um tratamento humanizado. Já evoluímos muito em 3 anos, mas queremos e vamos melhorar mais ainda”.

A fisioterapeuta Jéssica fala com muito carinho da Revitalize, “ela é minha filha. Estou sempre pensando nela, no que pode ser melhorado.

Revitalize é ela, mais 12 mulheres

Foto: Arquivo Pessoal

A clínica Revitalize é toda feminina, são só mulheres que atuam lá, segundo Jéssica, não foi uma opção, mas é muito bom, “Não por opção, mas por encaminhamento da vida, mas gosto muito que seja assim”.

E a TPM, como enfrentam?

“É muito engraçado, até a menstruação de todas acaba ficando no mesmo período, a nossa rotina é tão corrida que não temos tempo nem para briga. É muito gosto, a equipe da Revitaliza é muito boa, nos damos bem, somos companheiras, uma ajuda a outra. Uma dá uma ideia para outra, agrega conhecimento ao trabalho da outra”.

Jéssica ressalta como é bom trabalhar com uma equipe multidisciplinar, “Vejo no nosso dia-a-dia como é importante  trabalhar numa equipe multidisciplinar. Eu aprendo diariamente com as meninas, às vezes mais que em curso. Temos uma relação muito boa, bem gostosa. Que Deus ajude que continuemos assim”.

Ser humanas

Jessica sempre diz à equipe, “Antes de qualquer coisa temos que ser humanas, cuidar com carinho e atenção, se não formos humanas nada do que formos fazer é válido”.

Mestrado

Foto: Arquivo Pessoal

Além de tudo que a fisioterapeuta Jéssica faz, ela ainda encontrou tempo para fazer o mestrado na Unicentro, “minha pesquisa é na área do Alzheimer, uma doença que era mais comum na faixa etária dos 80 anos, tem aparecido cada vez mais cedo, há casos de 60 anos. Meu trabalho é sobre uma erva brasileira, a baleira, que pode levar à cura. Meu orientador me falou que os professores de Harvard estão de olho no nosso trabalho, isso é muito legal, porque é produção cientifica daqui do Brasil, da Unicentro”.

Ser Mulher

“Amo ser mulher, é matar um leão por dia e preparar a gente a fazer tanta coisa que a maioria dos homens não dariam conta. É cada vez melhor ser mulher porque cada vez mais temos voz ativa, são as mulheres que movem o mundo desde a criação, é maravilhoso. As mulheres têm muito mais força que elas imaginam”.

Machismo

“Eu acredito que já mudou muita coisa, isso, claro que depende muito da educação que vamos dar às novas gerações. Graças a Deus o mundo está evoluindo e os homens estão tomando conta que eles têm que conviver com as mulheres em todas as áreas. Contudo, ainda, a minha amiga ouviu essa frase de um homem “Se for com mulher no volante, eu não vou”.

Preconceito delas para elas

“É triste, porém, as mulheres são muito preconceituosas umas com as outras, quando vamos decidir se postamos uma foto, pensamos no que as outras mulheres vão pensar e dizer, os homens são mais condescendentes, eles nos acham bonitas ou não, mas não saem comentando, fazendo print e mandando para os amigos.

As mulheres fazem isso, riem e debocham.  Mas o preconceito para mim é coisa de gente infeliz, porque quando você é feliz, cuida da própria da vida.

A mulher julga muito a outra mulher, precisamos aprender que não conhecemos o outro o suficiente para julgar, afinal, você não sabe o que o outro carrega dentro de si.

Gratidão às mulheres da minha vida

“Sempre tive apoio de muitas mulheres, elas me inspiraram e tenho muita gratidão a todas elas, que me ajudaram a conhecer meu lugar no mundo”.

Mãe, meu espelho

Foto: Arquivo Pessoal

“Minha maior inspiração, trabalha há 28 anos no mesmo emprego, ela me criou, me formou sendo empregada doméstica, ela sempre dizia, se você estiver estudando, eu morrer hoje, você vai chorar 2 dias e no terceiro você vai levantar a cabeça e vai continuar , porque desistir não é uma opção. Maior exemplo de fé, perseverança, é meu espelho como mulher, que ela esteja por muitos anos comigo”.

Recado à Jéssica de 5 anos

O que diria à Jéssica de cinco anos, ela não pensou, “Eu teria muitas coisas a dizer para ela, uma delas é que a vida não é fácil, com certeza eu iria falar para ela: você vai ter orgulho da pessoa que irá se tornar,  continue a ter persistência, que vai se orgulhar do seu caminho e história”.

Se cuidar

Jéssica fala da importância das mulheres se cuidarem, “Eu mesma tive que aprender isso, a gente fica querendo abraçar o mundo com as pernas porque só com os braços não dá, (muitos risos). Não adianta querer cuidar dos outros e não cuidar de você. Primeiro de tudo é cuidar de si. Isso não é egoísmo. Tem que cuidar do físico, da estética,  é importantíssimo cuidar da saúde mental, posso morrer tratando a dor do corpo e não vamos resolver se a pessoa não estiver bem psicologicamente e emocionalmente. É preciso saber o teu limite, se respeitar. Amor próprio é tudo. Saber compreender a nossa realidade, lembrar sempre, tempo e dinheiro nunca sobram, ai é preciso escolher a prioridade para usá-los”.

Ela complementa “É muito importante cuidar do  espírito. Independente de crença, é preciso ter algo que nos mova  e nutra. A Fé nos sustenta.

Recadinho para as Mulheres

Foto: Arquivo Pessoal

Independente dos sonhos que elas tiverem, que nunca desmereçam o seu sonho, seja ele pequeno ou grande. Se o sonho está dentro de você, ele é possível de acontecer, porque Deus não nos inspira ao impossível. Mas você tem que correr atrás. Porque ninguém faz por nós. O sonho só acontece se você correr atrás dele e só você pode fazer isso.

Realizada

Eu amo a vida e não reclamo de nada, sou uma pessoa muito grata, a gente tem que ver gratidão em tudo, a gratidão é a melhor oração diária. Se eu olhar para trás, evolui, só tenho a agradecer.

Você tem que lutar pela vida que você quer, mas não pode ser infeliz  com a vida que você tem. Hoje, eu sou muito feliz, sou grata por tudo, pelos meus vínculos de amizade, profissional, com a minha mãe e com meu pai, que se faz presente na minha vida, se eu precisar e chamar, daqui a pouco ele está aqui”.

Sonhos

Tenho muitas metas, sonhos, e tenho muito a evoluir, a gente tem que trabalhar diariamente para isso. São os objetivos que nos fazem sair da cama todos os dias.  Não podemos ter muito pouco para passar necessidade , mas não precisa esbanjar , quero melhorar a clínica, uma vez por ano viajar, curtir ser mãe não é uma regra para todas as mulheres, mas é meu sonho. Não tenho pressa, tudo ao seu tempo, porém, sem estacionar nunca.

 


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