Por quem os sinos dobram? Eis a famosa pergunta de Ernest Hemingway que dá nome a uma de suas mais importantes obras. Pergunta essa que repetimos, para nós mesmos, no silêncio de nossa alma inquieta e, ao fazê-lo, resistimos em admitir que eles, os sinos da vida, dobram por nós, sempre.

E porque não acolhemos a resposta com a docilidade de uma criança? Não a acolhemos porque somos petulantes feito um adolescente. Não queremos a resposta que atende às exigências da situação apresentada pelas questões que vão se amontoando em nosso diário de viagem dessa odisseia que é a nossa vida. Não. De jeito maneira. Queremos sim, a resposta que atenda às exigências do nosso ego inflado pela nossa vaidade e pela consequente falta de perspectiva que temos a respeito da nossa jornada.

Sim, os sinos dobram por mim, por você, os sinos tocam por todos nós, mas as suas badaladas não anunciam o que nós, em nossa pequenez nada original, queremos ouvir; os badalos nos convocam para a vida que nós devemos acolher ao invés de ficarmos dando de ombros achando que não é conosco.

O repicar dos sinos nos chamam para a vida quando uma criança clama por nossa atenção; quando um idoso, com seu olhar miúdo nos convida para ouvi-lo; quando as pessoas que amamos suplicam, de forma silente, por nossa presença por inteiro, não apenas por uma carcaça presente, agrilhoada a um olhar perdido entre virtualidades distantes.

Sim, os sinos tocam e seus badalos ecoam pelos quatro costados do mundo, navegam pelas quatro direções da nossa alma, porém, por razões que preferimos manter devidamente trancadas no baú do desprezo, fazemos ouvidos moucos para seus chamados, crendo, tolamente, que estamos seguindo o melhor dos caminhos, ao mesmo tempo que estamos nos perdendo de nós mesmos.

Por isso discordo do poeta Fernando Pessoa, que tanto amo. Nem tudo vale a pena, nem tudo. E quando dizemos para nós que tudo, tudo vale, a alma, sem se dar conta, se apequena. Se apequena tanto que acaba por caber na palma de uma mão de gente grande de coração pequeno e com uma alma enferma.

Escrevinhado por Dartagnan da Silva Zanela

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