CIRANDA CIRANDINHA VAMOS CIRANDAR

As republiquetas que dão forma a esse colosso chamado Brasil não nos decepcionam. Jamais. Sempre há algo de novo para nos alegrar. Quer dizer, para nos fazer rir meio que sem pensar muito, porque se formos levar o trem à sério dá vontade de chorar.

Há um fera, desses que se “ametidam” a escrever bons livros, chamado Gaetano Mosca, que teve uma sacada muito acertada. A sacada que o abençoado teve foi uma ideia que ele chamou de teoria da circulação das elites. Teoria essa que teve uma forte influência doutro carniça chamado Vilfredo Pareto. Outro fera.

Em resumidas contas, ambos nos chamam a atenção para algo muito simples: o que está subjacente aos entreveros históricos não é uma luta de classes, mas sim, uma luta entre elites. Essas, as elites, seriam pequenos grupos de pessoas, mais ou menos organizados, que arregimentam recursos materiais e humanos para poder exercer o domínio em algum lugar.

Trocando em miúdos, de tempos em tempos, um grupo de pessoas apresenta-se como legítimo representante da sociedade, do povo, dos trabalhadores, das minorias, dos thundercats, enfim, pouco importa o nome que seja atribuído para massa humana disforme, formada por indivíduos atomizados; o que interessa é que eles, as elites, irão instrumentalizá-los para conquistar o tal do poder.

Resumindo: no final das contas, de tempos em tempos temos uma e outra peleja entre elites, não uma luta de classes.

E aqueles que se apresentam como sendo os “legítimos” representantes da classe trabalhadora seriam apenas membros de uma elite, de um grupo de pessoas que criou mecanismos, entidades, organizações, conchavos e instituições para instrumentalizar a massa, tomar o poder e manter-se nele.

Tal mecanismo se faz presente nas grandes disputas globais, nos conflitos políticos nacionais e, é claro, também a encontramos nas pelejas que são encenadas nas mais de cinco mil repúblicas municipais desse nosso triste país.

Aliás, na esfera municipalista, isso que Mosca e Pareto nos chamam a atenção é algo ululantemente evidente.

Partidos políticos, de um modo geral, tem dono. Sim, eu sei que teoricamente não é isso, mas, todos aqueles que conhecem mais ou menos as lides políticas sabem muito bem que, no frigir dos ovos, um partido é um veículo que todo cidadão deve se submeter para poder concorrer a um cargo público e, nesse sentido, cada partido tem um dono que controla que irá ou não participar da brincadeira democrática.

Por essa razão que, muitas vezes, alguns indivíduos mudam de partido. Alguns, inclusive, trocam mais de partido do que de cueca. E não é tanto por falta ou excesso de convicção ideológica. Não. É porque, possivelmente, o dono do partido não lhe deu espaço suficiente para poder ascender politicamente. Diante um enrosco assim, o caboclo muda de legenda, ou funda uma nova, para poder ter mais autonomia de ação frente aos jogos de poder, criando, desse modo, um novo grupo, uma nova elite para arregimentar recursos materiais e humanos e, quem sabe, se as urnas quiserem e o sistema permitir, exercer o domínio sobre um lugar por algum tempo.

Detalhe importante: nessa terra de botocudos havia um caboclo, desses metidos a escrever livros, chamado Oliveira Vianna, que nos diziam algo similar. Segundo ele, a base das relações políticas em nosso país não se daria a partir de partidos políticos, mas sim, fundada em clãs políticos que controlam e instrumentalizam quase tudo, inclusive e principalmente os partidos para atender de modo mais eficaz os interesses do clã.

E vejam só como são as coisas: se nós pararmos pra tomar um mate, “solito no mas”, rapidamente iremos identificar cada um dos clãs políticos da nossa cidadela e das municipalidades circunvizinhas. É vapt vupt. Não tem erro.

Bem, é por essas e outras que as nossas republiquetas municipais jamais nos decepcionam. Elas sempre nos dão motivos mil para, ao mesmo tempo, rirmos e chorarmos de nossa acachapante impotência [depre]cívica que não se cansa de aumentar.

Escrevinhado por Dartagnan da Silva Zanela

Quaresma de São Miguel Arcanjo.

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