Capa e Editorial da Edição nº: 870

DEMOCRACIA

 O ser humano é um ser maravilhoso, é cheio de potencialidade, de virtudes, é um constante vir a ser, se transforma e se renova a todos os momentos.

Porém, é um ser imperfeito, tem a perfectibilidade como potencial ou, melhor dizendo, com o grande objetivo do seu existir. Contudo, está muito longe disso, podemos dizer que está a muitos anos luz da perfeição, mas não se pode desanimar, pois ele já deu passos gigantescos, se olharmos os ancestrais.

A diferença, que é a essência da vida e de tudo que cerca o ser humano ainda é para ele o maior obstáculo, ele tem dificuldade de lidar com as diferentes cores e jeitos de viver dos que estão à sua volta. Mas vai aos poucos e com muitas batalhas e dores, aprendendo. Entre as diversas coisas e situações que indicam que o ser humano evoluiu está a democracia.

Por que ela é sinal de evolução? Porque nela cabem todos – pretos, brancos, amarelos, índios, mamelucos, cafuzo, mulatos, caboclo, pobres, remediados, ricos, milionários, doutores, analfabetos, sábios, ignorantes, crianças, jovens, adultos, idosos, enfim, ela é feita para todos. É perfeita?

De jeito nenhum, até porque é feita por seres humanos, assim, é impossível que seja perfeita. Mas ela dá espaço e vez a todos e no momento do voto iguala todos. Pode-se e deve-se questionar que, às vezes, as condições podem tornar o voto de um menos livre que de outros, assim, diríamos, cabresteado.

Mas essa é uma das imperfeições que se está caminhando para sua superação, já se caminhou muito nessa área. Uma das belezas da democracia é que ela cresce, vive e se alimenta do antagonismo, ou seja, ela não só permite como é oxigênio para o seu existir, as diferenças e a oposição, a forma de condução que está presente em determinado momento e contexto histórico.

Assim, alternância no poder é mais que salutar, é necessário. O que não se pode, em hipótese alguma, é negar o direito ao contraditório, à oposição pois, se assim for feito, se tem uma pseudo democracia ou, o que é muito pior, retrocesso, uma ditadura. Os brasileiros acabaram de exercer o direito do voto, escolheram os rumos para os próximos quatro anos.

Os que perderam devem reconhecer a vontade do povo, devem torcer e ajudar a fazer com que o governo eleito faça o melhor por todos. Os que ganharam devem respeitar os que defendiam outra forma de olhar e conduzir a nação.

Precisam aprender a conviver com o questionamento e a cobrança, pois para que a democracia de fato se efetive é essencial que ocorra a oposição, até para se garantir que quem está no poder governe para todos e não se considere um soberano à democracia.

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