SEM BITOLA E SEM MODERAÇÃO

Por Dartagnan da Silva Zanela

(i) NÃO HÁ DÚVIDAS DE QUE UMA OBRA DE ARTE pode muitas vezes conter certo ímpeto revolucionário, um determinado timbre de contestação que pode revitalizar o quatro geral duma civilização. Outra coisa bem diferente são os chiliques infantis que se tornaram tão corriqueiros em boa parte da arte contemporânea.

(ii) NA ÂNSIA DE PARECER ORIGINAL, na veleidade de querer se apresentar como um furioso contestador de tudo e de todos, muitíssimos sujeitos – que se apresentam como artistas e intelectuais – acabam terminando por desedificar tudo e todos; acabam degradando-se através da apresentação da suma decomposição de sua humanidade, como se essa fosse digna de aplausos e que, no frigir dos ovos, não chega nem mesmo a ser digna de pena.

(iii) CERTA FEITA, NIETZSCHE HAVIA DITO que a arte existe para que a verdade não nos destrua. O que, talvez, o cáustico bigodudo não imaginava que aconteceria é que, numa certa época, surgiriam certos artistas que dedicariam todas as forças de sua alma para destruir a verdade através da decomposição da arte.

(iv) A FUNÇÃO PRIMEIRA DA ARTE é nos revelar as múltiplas faces do bem, do belo e do verdadeiro em sua unidade que transcende todas as contingências culturais. Hoje, porém, ao que tudo indica, essa função está sendo brutalmente revogada em nome da celebração de tudo aquilo que é mal, disforme, falso e que, por isso, corrobora para a desintegração da integridade da alma humana.

(v) A EXPOSIÇÃO PROMOVIDA PELO SANTANDER foi abominável. Ponto. Outros casos similares não são diferentes. Mas o que a torna mais abjeta ainda é o fato de que ela foi concebida como um projeto educacional e que reflete, em muitíssimos pontos, os valores que são disseminados em nossa sociedade por meio do sistema educacional.

(vi) O RELATIVISMO, CULTURAL E MORAL, é a justificativa, a desculpa esfarrapada adotada por aqueles que têm um gosto estragado e que possuem uma cultura de retalhos rotos emoldurada numa visão deformada e deformante de si e da humanidade.

(vii) QUANDO SE DISCUTE QUESTÕES INERENTES ao decadente sistema educacional brasileiro tem-se, logo de cara, um complicadíssimo gargalo, que seria o fato de que as partes que se colocam a parlar sobre, veem como questão fundamental a ser discutida, para poder equacionar de modo razoável as pendengas que atravancam a melhoria do dito cujo sistema de ensinação de nosso país, os pontos mais estabanados nas perspectivas mais descabidas possíveis o que, por sua deixa, acaba terminando não por gerar um diálogo, mas sim, uma assembleia de gargantas estridentes e de ouvidos moucos. A observação é simples, não simplória, e, por isso, em meu ver, importante, pois, quando o assunto é esse, educação, devemos nos perguntar se o que estamos chamando de educação são questões de ordem realmente educacional ou, meramente, de ordem, propagandística, política, social, econômica, jurídica, burocrática, ideológica, individual ou corporativista e, necessariamente, analisar de que modo cada uma dessas dimensões da realidade pode contribuir na realização do educar e, em que medida, elas estão avacalhando com o ensinar. Pois é. Porém, todavia e, entretanto, tal distinção nem mesmo é cogitada. Por isso, infelizmente, com uma frequência muito grande, sobrepõem-se às questões de ordem educacional (quando não acabam tomando o lugar delas), elementos de ordem jurídica, política/ideológica, burocráticas e corporativistas em misto com toda ordem de mesquinharias pessoais que tornam qualquer possibilidade duma discussão séria sobre o assunto inviável, porque, goste-se ou não do babado, ela, a educação, é a última a ser lembrada quando o assunto em pauta é ela mesma.

(*) Professor, caipira, cronista e bebedor de café

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