No dia 6/11/25, em conversa com a Vereadora Vilma Aparecida Kitcky, lhe contamos um episódio sobre o meu primeiro projeto de lei quando de minha primeira Vereança nos anos de 1989-1992, e que foi a instituição de uniformes escolares nas escolas municipais.
Naquela época vivíamos um tempo de rompimento de práticas e disciplina do regime do governo militar de 1964 a 15/03/1985, e uniforme em escolas meio que tinham sido abolidos, em nome de mais liberdade e/ou valores dessa natureza.
No meu tempo de Grupo Escolar Procópio Ferreira Caldas nos anos de 1963-1967, a gente usava guarda-pó, não existia mochila e muitos descalços.
No Ginásio Agrícola Arlindo Ribeiro de Guarapuava, nos anos de 1968-1970, a gente não tinha uniforme, mas tinha macacão ou macacões para práticas agrícolas.
No segundo grau no Colégio Estadual Manoel Ribas de Guarapuava, nos anos de 1972-1974, houve por iniciativa dos próprios alunos do colegial diurno a feitura de um uniforme azul marinho, calça e jaqueta. E nas aulas dos sábados que tinha naquela época, o vestuário era livre, e quem como este escriba que tinha pouca roupa, meio que sofria de bullyng que não existia com esse nome naquela época, pois, ocorria no sábado um verdadeiro desfile de roupas bonitas, e a nossa turma, era constituída de em torno 80/85% de mocinhas e meio que a elite de Guarapuava, e era sofrido a gente ir com as mesmas calças e camisas.
Desse contexto, surgiu na nossas cabeça, a ideia de que uniforme escolar era uma coisa boa, principalmente para os menos favorecidos de rendas e patrimônio, daí, que quando assumimos a Vereança em 1989, o nosso primeiro projeto foi de instituição de uniforme escolar na Rede de Ensino Municipal, e a Imprensa local, na época Jornal “A Voz do Pinhão” caiu de pau em cima de nós, criticando que Pinhão, com tantas necessidades, coisas por fazer, era sem sentido o advento de uniforme escolar, que muitos pais de crianças iam ter dificuldades de comprar, e que isso poderia prejudicar o acesso, e risco de crianças deixarem de ir para escola por falta de uniforme.
Na causa do uniforme, houve um início de peleia com a imprensa local, por causa da distorção feita, e que o uniforme não seria obrigatório, mas uma disposição de implementação, e que ninguém iria ser impedido de frequentar aula por vir uniformizada, e quem não pudesse comprar por exemplo um camiseta ou vestuário adotado, se buscaria um meio de auxiliar os carentes ou coisa assim. O impasse foi superado, e depois acabamos virando até articulista/colunista do Jornal que atuava na linha de frente o saudoso o Sr. Edgard Lipmann (Charuto).
Dessa iniciativa, quem gostou da ideia na época foi a saudosa professora e Diretora Colégio Estadual Santo Antônio, Luci Terezinha Martins, que implantou camiseta branca com um coraçãozinho com um pinhão dentro, e daí, a sementinha de uniformes que nos últimos tempos o Poder Público vem dando para alunos, e que nessa época ninguém ganhava nada, e nem merenda escolar tinha e muito menos transporte escolar e quem do interior quisesse estudar tinha que parar em casas alheias, e em contrapartida ajudar com serviços.
Eis aí uma palhinha de que na “política” infelizmente é normal, comum se enfrentar distorções, invencionices, injustiças, e essa do projeto dos uniformes, foi apenas a pontinha de icebergs de muitas ocorrências desagradáveis que fizeram em cima da nossa atuação inclusive como líder da bancada do MDB e do Prefeito Darci Brolini, por 4 anos ininterruptos na Câmara nos anos de 1989-1992.
(Francisco Carlos Caldas, advogado, municipalista e CIDADÃO).



