Mesa Diretora | Foto: reprodução redes sociais/transmissão ao vivo

Por Naor Coelho – Portal Fatos do Iguaçu


A Tribuna da 9ª Sessão Ordinária de 2026 da Câmara Municipal de Pinhão-PR foi marcada por cobranças, contrapontos e manifestações sobre temas considerados prioritários para o município. Entre os assuntos mais debatidos estiveram a situação das estradas rurais, a estrutura das escolas municipais, o chamamento de aprovados em concurso público e, com destaque, os gastos e a organização da 19ª Festa do Pinhão, prevista para iniciar no dia 8 de maio.

A sessão, realizada no Plenário Mário Evaldo Morski, teve falas de vereadores da base e da oposição. O debate sobre a Festa do Pinhão ganhou força especialmente diante das críticas sobre o volume de recursos públicos destinados ao evento e das defesas em torno da importância histórica, cultural e educacional da festa.

Padilha critica planejamento e aponta gastos superiores a R$ 5 milhões

Um dos momentos de maior destaque ocorreu durante a fala do vereador Luciano Henrique Padilha, que apresentou questionamentos sobre a organização da Festa do Pinhão. Segundo ele, havia um pregão marcado para o dia 6 de maio, apenas dois dias antes do início da festa, para tratar da venda dos espaços públicos destinados à comercialização no evento.

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Para o vereador, o prazo era inadequado e poderia gerar insegurança jurídica e administrativa, especialmente se algum interessado apresentasse recurso. Padilha afirmou que a situação indicaria falta de planejamento da administração municipal.

“Dá a impressão que o mês de maio pegou de surpresa a prefeitura”, criticou o vereador, ao defender mais organização, previsibilidade e eficiência na preparação do evento.

Padilha também afirmou que, conforme levantamento feito por ele, a Prefeitura já teria relacionado mais de R$ 5 milhões em despesas com a festa, sem contar possíveis custos indiretos, como máquinas, estrutura e materiais. O parlamentar comparou os valores com demandas consideradas urgentes no município, como estradas, educação, saúde e estrutura das escolas.

Segundo ele, nas próximas sessões, deverá apresentar de forma mais detalhada onde os recursos estão sendo aplicados.

Solange defende origem comunitária da Festa do Pinhão e pede retorno às escolas

A vereadora Solange Aparecida Santos Adronski fez uma defesa da importância histórica da Festa do Pinhão. Ela lembrou que participou da origem do evento, ao lado de comunidades como Água Verde, São Cristóvão e Invernadinha, quando a festa ainda tinha caráter comunitário.

Solange destacou que a festa nasceu com o objetivo de auxiliar escolas e CMEIs, reduzindo a necessidade de rifas, promoções e pequenas festas feitas pelas unidades educacionais para arrecadar recursos.

A vereadora fez um apelo para que o dinheiro arrecadado com a Festa do Pinhão seja realmente revertido para as escolas e Centros Municipais de Educação Infantil.

“A festa vai durar três dias, mas a educação dos nossos filhos, que estão na sala de aula, vai ultrapassar gerações”, afirmou Solange.

Ela citou que, em edições anteriores, algumas unidades conseguiram utilizar os recursos recebidos para melhorias importantes, como a instalação de ar-condicionado. Para a parlamentar, o retorno financeiro da festa precisa cumprir sua finalidade original: beneficiar diretamente a educação municipal.

Debate aponta possível redução no retorno às escolas

Durante a fala de Solange, o vereador Edson Franciscone pediu aparte e afirmou não ser contra a Festa do Pinhão, mas questionou a proporção entre o valor investido no evento e o montante que retorna às escolas.

Segundo ele, enquanto os gastos totais podem ultrapassar R$ 5 milhões ou até R$ 6 milhões, o retorno para as escolas seria de aproximadamente R$ 300 mil. Para o vereador, seria possível realizar uma festa menor, com menor custo, e destinar mais recursos para áreas prioritárias.

Franciscone também criticou os altos valores pagos a artistas e afirmou que parte significativa do dinheiro movimentado na festa pode acabar saindo do município, especialmente com empresas e estruturas vindas de fora.

Chamamento público substitui pregão e reduz valores de produtos

Ainda durante o debate, Luciano Padilha informou que o pregão anteriormente previsto para 6 de maio foi revogado e substituído por um chamamento público, com recebimento de propostas entre os dias 27 e 29 de abril, conforme edital disponibilizado pelo município.

Segundo ele, a abertura do chamamento estaria prevista para ocorrer na Câmara Municipal, medida que, em sua avaliação, daria mais transparência ao processo.

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Padilha também apontou redução em alguns preços previstos para produtos comercializados durante a festa. Entre os exemplos citados, o pastel teria passado de R$ 15 para R$ 10, a mini pizza de R$ 20 para R$ 15, o cachorro-quente de R$ 25 para R$ 20 e porções de R$ 25 para R$ 20.

Apesar de considerar positiva a redução de preços ao público, o vereador questionou se a Prefeitura estaria valorizando adequadamente os espaços públicos concedidos para exploração comercial, especialmente diante do alto investimento em atrações artísticas.

Estradas rurais voltam a ser alvo de cobranças

Além da Festa do Pinhão, a situação das estradas rurais ocupou grande parte das falas. O vereador Romário Varela Batista abriu a discussão ao apresentar imagens de um trecho na região do Guarapuavinha 1, onde, segundo ele, cerca de 15 produtores de leite enfrentam dificuldades de acesso.

Romário afirmou que a localidade tem forte produção e arrecadação, com movimentação estimada entre R$ 150 mil e R$ 200 mil por mês em notas. Ele pediu atenção do secretário de Infraestrutura,  Osvaldecir Lima, o Cunha, para que o trecho seja recuperado.

O vereador também reconheceu trabalhos feitos em outras localidades, como Zattar, Linha Silvério e Poço Grande, destacando que algumas obras ficaram bem executadas, com cascalhamento, sarjetas e melhorias no escoamento da água.

Outros vereadores também trataram do tema. Márcio Roberto de Oliveira afirmou que a infraestrutura do município está defasada e que a falta de máquinas e operadores prejudica o atendimento às comunidades. Edson Franciscone associou o problema à falta de prioridade administrativa, afirmando que há regiões onde moradores enfrentam dificuldades graves de deslocamento.

Estrutura das escolas e cozinhas gera preocupação

A estrutura das escolas municipais também foi alvo de críticas. O vereador Márcio Roberto de Oliveira relatou visitas a unidades de ensino e apontou problemas especialmente nas cozinhas da Escola Nossa Senhora da Glória e da Escola Maristela Tussi.

Segundo ele, os espaços são pequenos, quentes e inadequados para o trabalho das merendeiras. Márcio afirmou que, em algumas unidades, faltam exaustores e melhorias estruturais para garantir condições dignas de trabalho.

A vereadora Solange reconheceu que ainda há muito a ser feito, mas ressaltou investimentos já realizados pela Secretaria de Educação, especialmente em segurança, fechamento de pátios e melhorias em algumas escolas.

O tema também foi relacionado à Festa do Pinhão. Vereadores defenderam que parte dos recursos arrecadados com o evento seja destinada à melhoria das cozinhas, compra de equipamentos e adequações estruturais nas escolas e CMEIs.

Concurso público também entra na pauta

Outro ponto recorrente na Tribuna foi o chamamento dos aprovados no concurso público municipal. Vereadores da base e da oposição afirmaram ter se reunido com representantes dos concursados e defenderam uma conversa com o Executivo para esclarecer o cronograma de convocações.

Vinícius de Oliveira informou que o Legislativo já encaminhou requerimento ao Executivo solicitando informações e que há disposição para intermediar uma reunião com representantes dos aprovados.

Edson Franciscone cobrou a convocação dos concursados e criticou a nomeação de cargos comissionados. Já Solange, Alain César de Abreu e Aroldo Antunes Domingues afirmaram que o tema está sendo tratado junto à administração e que aguardam informações sobre folha de pagamento, limites legais e planejamento de chamadas.

Base destaca avanços em saúde, aterro, educação e obras

Vereadores da base também utilizaram a Tribuna para destacar ações da administração municipal. Vinícius de Oliveira relatou visita ao Aterro Municipal, no Faxinal dos Ribeiros, e apontou melhorias na organização, no barracão e nas condições de trabalho da associação responsável pela separação de recicláveis.

Alain César de Abreu destacou a homologação da obra da maternidade, estimada em R$ 11 milhões, podendo chegar a valores maiores com equipamentos e mobiliário. Ele também citou a contratação de neuropediatra pelo município e a assinatura da ordem de serviço para construção do Centro de Autista.

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Aroldo Antunes Domingues mencionou obras de asfalto previstas, como o trecho entre Pinhão e São Roque, além de projetos para outras comunidades. Ele reconheceu que há falhas, mas defendeu que também existem avanços importantes na atual gestão.

Sessão expõe disputa sobre prioridades do município

A Tribuna da 9ª Sessão Ordinária evidenciou uma disputa política em torno das prioridades da administração municipal. De um lado, vereadores cobraram mais investimentos em estradas, escolas, servidores e infraestrutura básica. De outro, parlamentares defenderam ações em andamento e reforçaram a importância de reconhecer obras e melhorias realizadas.

A 19ª Festa do Pinhão acabou se tornando o principal ponto de confronto. Para os críticos, o volume de recursos destinado ao evento precisa ser melhor explicado e comparado com as necessidades urgentes da população. Para os defensores, a festa tem valor histórico, cultural e pode gerar benefícios à educação, desde que os recursos retornem de forma efetiva às escolas e CMEIs.

Com o evento se aproximando, o tema deve continuar no centro dos debates da Câmara nas próximas sessões.

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