Foto: Arquivo/Fatos do Iguaçu
Sessão de 30 de março expõe embates sobre pareceres jurídicos, terceirizações, saúde, estradas e o papel da Procuradoria da Mulher no Legislativo.
Por Naor Coelho – Portal Fatos do Iguaçu
FATOS POLÍTICOS
A sessão ordinária da Câmara Municipal de Pinhão, realizada na noite de segunda-feira (30), deixou evidente que o clima político no Legislativo está longe da tranquilidade. Entre elogios pontuais à organização de eventos e uma avalanche de cobranças, a tribuna se transformou em palco de tensionamentos institucionais, questionamentos sobre transparência e disputas por protagonismo político.
O primeiro sinal de desgaste veio do próprio funcionamento interno da Casa. A vereadora Solange Adronski, (PP), trouxe à tona um tema sensível: a atuação do setor jurídico. Ao relatar pareceres contrários a projetos de sua autoria — incluindo propostas voltadas à pessoa idosa e ao vale-creche —, a parlamentar levantou suspeitas de tratamento desigual, comparando com parecer favorável dado a proposta semelhante de outro vereador. O recado foi direto: o problema, segundo ela, não é pessoal, mas institucional.
Se dentro da Câmara o debate já demonstrava fissuras, fora dela o alvo principal passou a ser a gestão pública. O vereador Edson Francisconi, (PT), voltou à carga contra o modelo de terceirizações adotado pelo município, com destaque para o contrato do caminhão limpa-fossas, apontado como oneroso. A crítica vai além do caso específico: revela uma insatisfação crescente com a forma como serviços essenciais vêm sendo conduzidos.
A discussão ganhou reforço com a intervenção da vereadora Vilma Kitcky,(PT), que ampliou o foco para a transparência. Para ela, o problema não é apenas quanto se paga, mas como se presta contas. A cobrança por informações detalhadas no Portal da Transparência evidencia um ponto sensível da administração: a dificuldade de acesso a dados que deveriam ser públicos.
Vilma ainda elevou o tom ao abordar a participação feminina na política local. Em um dos discursos mais contundentes da noite, denunciou tentativas de desqualificação de sua atuação e apontou sinais de desrespeito institucional à Procuradoria da Mulher. A crítica atinge diretamente a estrutura do Legislativo e levanta um debate mais amplo sobre espaço, voz e representatividade.
Na mesma linha de cobranças, o vereador Luciano Padilha, (PSD), trouxe à tribuna questionamentos sobre o transporte de pacientes e a condução da licitação da maternidade, levantando dúvidas sobre a transparência do processo. Já o vereador Márcio Roberto de Oliveira, (PSD), reforçou o coro ao apontar inconsistências na aquisição de maquinário e denunciar a precariedade de estradas rurais, que seguem impactando diretamente moradores do interior.
Mesmo diante do cenário de críticas, houve espaço para discursos mais alinhados à valorização das ações do Executivo. O vereador Vinícius de Oliveira, (Podemos), destacou eventos, movimentação econômica e iniciativas sociais, adotando um tom de prestação de contas e contraponto às críticas apresentadas.
No entanto, o equilíbrio entre elogios e cobranças não foi suficiente para amenizar o principal recado da noite: há um ambiente de vigilância crescente dentro da Câmara. Temas como transparência, contratos públicos, políticas sociais e infraestrutura estão no centro do debate — e, ao que tudo indica, devem continuar pautando os próximos capítulos da política pinhãoense.
A tribuna falou — e falou alto.

