Edilson Sant`Anna e Edilson Sant`Anna  Filho | Foto: Nara Coelho/Fatos do Iguaçu

Quando vemos uma pequenina araucária, sozinha em um descampado, pensamos que terá poucas chances de firmar raízes. Mas, quando há perseverança e objetivo, ela cresce, se torna frondosa e dá sementes. Assim é a história da primeira loja de material de construção em atividade contínua há 40 anos no Pinhão: a Tatumaq. A semente foi lançada por Edilson Sant’Anna, que chegou ao município em 1980 vindo de Palmas com a esposa, a professora Maria Aparecida Santana. Começou consertando motosserras; em 1985, aquela “pecinha” adaptada virou negócio, mudou para a Rua 7 de Setembro e, com trabalho honesto e teimosia boa, virou tradição. Hoje, a árvore tem novas copas: ao lado do pai, está o filho Edilson Sant’Anna Junior, que trouxe modernização, gestão e novas linhas como eletrodomésticos — e a filha Letícia, que seguiu carreira própria como psicóloga, mantendo a força do vínculo familiar que sustenta a história do empreendimento.

Do ronco da motosserra ao som da betoneira

“Comecei com motosserra. Depois, incentivado pelo meu parente Odacir Antonelli, fui mudando para material de construção”, recorda Seu Edilson. O começo foi na marra: crédito curto, pouca estrutura, um funcionário. “Tem 46 anos para chegar a esse pequeno patrimônio. Não é fácil. A gente vence atoleiro por atoleiro.” O que segurou a barra? “Necessidade de melhorar de vida e persistência. E a família: sem ela, você não chega a lugar nenhum.”

O Pinhão que acolheu a Tatumaq era menor e, nas palavras dele, “violento”. As ruas que eram de terra hoje estão asfaltadas e cheias de comércio. “A cidade cresceu e está bonita. Melhorou a segurança, a saúde, os serviços. Cada administração ajudou um pouco.” E os clientes acompanharam essa virada: “Nosso cliente forte é o interior. Tenho gente que compra desde 1980; já atendo os filhos e os netos”, diz, com orgulho de quem viu casas de madeira virarem alvenaria, impulsionadas por programas habitacionais e esforço próprio.

Atendimento que cria gerações de clientes

A Tatumaq cresceu junto com o município. “Hoje vendemos de tudo: cimento, areia, pedra, madeira, máquinas elétricas, pneus, móveis e eletrodomésticos”, lista o fundador. O segredo, para ele, não mudou: “Atender com respeito e honestidade. O pessoal quer ser bem tratado. Se fizer isso, o cliente volta.”
Aqui, o olhar humano da família também pesa: Letícia, psicóloga, trilhou caminho fora do balcão, mas sua formação resume um valor que moldou a empresa desde o início — ouvir, acolher e resolver. É essa cultura de respeito que, somada ao trabalho de uma equipe que passou de um para mais de vinte colaboradores, fideliza gerações.

A nova geração e a gestão do agora

Edilson Junior saiu, estudou Direito, migrou para Administração, pós-graduação, experiências em empresas de vários portes e voltou. Trouxe processos, metas e leitura de cenário. “Aprendemos muito nos ‘baixos’. É neles que a gente enxuga, melhora e fica mais assertivo”, resume. O encontro entre tradição e modernidade virou rotina produtiva. “Meu pai é mais tranquilo; eu sou mais agressivo. Às vezes a forma dele está certa, outras a minha. A gente conversa e se entende.”

Os desafios atuais são de uma economia conectada: “Competimos com a internet e com a loja da esquina. O cliente chega com preço na tela. Não dá mais para trabalhar no caderninho: sistema, estoque, pedido, tudo digital”, explica. Há ainda os gargalos urbanos do crescimento: “Estacionar já é difícil. Mas isso também é sinal de que a cidade pulsa.” Mesmo assim, a aposta é local: “Sou nascido aqui. Empregamos quase 30 pessoas. É responsabilidade social: trabalhar com e para a comunidade”, afirma.

Raízes firmes, copa aberta

Construção da sede da empresa | Foto: Arquivo/pessoal

A memória de Seu Edilson corre em imagens: a lojinha de madeira, a casa nos fundos, os bancos de antigamente, as viagens demoradas para chegar mercadoria. Hoje, o cenário é outro: fornecedores ágeis, tecnologia, cidade mais organizada. “Escolher Pinhão foi a decisão certa. Fomos bem acolhidos”, diz. O que falta? “Incentivo ao reflorestamento de pinus e um espaço melhor para a feira dos agricultores. E apoio constante às agroindústrias e à agricultura familiar, que é nosso cliente de todo dia.”

No balanço de vida, gratidão. “Agradeço ao povo do Pinhão. Sem eles, não seríamos nada”, reconhece. E lembra quem o empurrou no começo: “O Odacir me incentivou quando eu era empregado. Devo muito a ele.”

A araucária segue dando pinhões

Entre fotos antigas e prateleiras cheias, a Tatumaq se tornou mais que comércio: é um capítulo da história econômica do Pinhão. “Hoje sou, com certeza, pinhãoense”, diz o fundador. A semente germinou, criou raízes e multiplicou-se nas casas erguidas, nos empregos gerados, nas famílias que passaram de cliente a tradição. Ao lado de Junior, com a presença inspiradora de Letícia, psicóloga, e a base sólida de Maria Aparecida, a araucária segue firme. E, a cada obra que começa com um saco de cimento ou uma torneira trocada, mais um pinhão encontra o solo — preparado por trabalho, honestidade e pertencimento.


Reportagem publicada originalmente na edição impressa comemorativa aos 61 anos de emancipação  política do município de  Pinhão – PR.


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