Fotos: Nara Coeolho/Fatos do Iguaçu

Encontro realizado no sábado, 28 de março, reuniu lideranças de entidades rurais e urbanas, destacou protagonismo feminino, debateu desafios para captação de recursos e consolidou novos encaminhamentos para estruturação do projeto.

Por Nara Coelho – Portal Fatos do Iguaçu


Construção de uma rede colaborativa

Desde o seminário realizado em novembro de 2025, quando a Fiocruz lançou em Pinhão a proposta do Projeto de Extensão de CoLaboratório, um conjunto de entidades passou a atuar de forma articulada em torno do desenvolvimento territorial saudável, sustentável e solidário.

No sábado, 28 de março, esse movimento avançou com um encontro na sede da Associação Pequeno Anjo, reunindo representantes de mais de 15 entidades para definir estratégias, avaliar projetos inscritos no edital da Itaipu e compartilhar experiências.

 Proposta nasce de pesquisa e articulação local

A iniciativa é coordenada pela fisioterapeuta pinhãoense Ione Rodrigues Correia Woynaroski, a partir de seu projeto de doutorado. Durante a reunião, ela reforçou a proposta de criação de uma rede de colaboração entre entidades do campo e da cidade, com atuação integrada nas áreas social, de saúde e desenvolvimento comunitário.

 Lideranças femininas ganham destaque

Um dos pontos mais evidentes do encontro foi o protagonismo feminino. Segundo a coordenadora, a maioria das lideranças envolvidas no movimento é composta por mulheres atuantes em cooperativas, associações e projetos sociais.

Ela destacou que, caso o projeto se consolide como uma transformação social no município, isso ocorrerá majoritariamente pela força dessas lideranças.

 Desafios para participação e estrutura

Apesar do protagonismo, também foram apontadas dificuldades. Entre elas, a sobrecarga das mulheres, muitas vezes responsáveis pelo cuidado com filhos, o que limita a participação em reuniões.

A proposta, segundo Ione, é pensar estruturas coletivas que permitam maior inclusão, como espaços de apoio para crianças durante encontros e atividades.

 Experiências que dão resultado

O casal João Paulo Pasternak e Sirlene Monteiro Pasternak mostrou o trabalho que tem desenvolvido com a confecção de sabonetes e pomadas com propriedades medicinais, à base de produtos naturais.

Diversas entidades compartilharam iniciativas bem-sucedidas. A Produção em Partilha apresentou ações com horta comunitária e reciclagem; a Cooafapi destacou sua reorganização e crescimento; e produtores locais mostraram trabalhos com produtos naturais medicinais.

A avaliação do grupo é de que essas experiências servem como incentivo e referência para outras organizações.

 Gestão e organização são desafios centrais

Além da busca por recursos, os participantes destacaram a importância da gestão das entidades. A conclusão é de que não basta captar recursos: é necessário fortalecer a organização interna para garantir continuidade e resultados efetivos.

 Apoio político e articulação institucional

A reunião contou com a presença da deputada estadual Luciana Rafagnin, que ouviu demandas, recebeu propostas e se colocou à disposição para buscar recursos junto à Itaipu e outros órgãos.

Ela destacou a força das organizações locais e o crescimento da agricultura familiar, além de ressaltar a importância de projetos coletivos para geração de renda e melhoria da qualidade de vida.

 Questão fundiária segue como desafio histórico

Durante a agenda, também foi debatida a questão fundiária em Pinhão, especialmente em áreas como o Alecrim. A deputada afirmou que há expectativa de avanço, destacando que o tema é histórico e precisa de solução definitiva.

 Próximos passos e desafios

Entre os encaminhamentos definidos, está a ampliação do diálogo com novas entidades e a possibilidade de uma organização atuar como articuladora da rede.

Apesar do avanço, os participantes reconhecem desafios, como a dificuldade de aprovação de projetos, acesso a recursos e manutenção do engajamento coletivo ao longo do tempo.

Um movimento em construção

A reunião demonstrou que Pinhão segue mobilizando lideranças e organizações em busca de um modelo mais integrado de desenvolvimento.

O sucesso do CoLaboratório dependerá, agora, da capacidade de transformar articulação em ações concretas e sustentáveis ao longo do tempo.

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