Claudemir e Valter

Por Valter Israel da Silva e  Claudemir Gulak

Todos os dias vemos na televisão bonitos comerciais sobre a soja, o tomate, o leite, a laranja, o feijão, o arroz … sempre sob o manto do chamado Agronegócio, o tal produto é Agro e o Agro é TEC, o Agro é POP, o Agro é TUDO. Este processo se dá em uma tentativa de tratar o rural brasileiro como um só, em um mesmo barco, mas, como disse o Padre Julio Lancelotti, “não estamos no mesmo bardo, estamos na mesma tempestade, uns de iate, outros a nado”.

O que temos na realidade são dois modelos de produção, que segundo o  IBGE um tem acesso a 76% das terras, 86% dos créditos para a agricultura, com foco no lucro, que produz commodities com preços definidos na bolsa de valores, que utiliza de tecnologias das mais predatórias, se estas aumentarem seus lucros e mesmo em momentos como agora, que o agronegócio bate Record de faturamento, a fome aumenta em ritmo galopante no Brasil, pois seu foco não está em alimentar a população e sim em ampliar os lucros. Por outro lado temos a agricultura familiar e camponesa, que acessa 24% das terras, 14% dos créditos (hoje nem isso), gera trabalho e renda para 76% da mão de obra ocupada no campo e produz 70% dos alimentos que vão para a mesa do povo brasileiro.

É justamente este grupo que vem sendo negado pela propaganda do “grande” agronegócio e abandonado pelo governo brasileiro. Durante a pandemia, todos os setores da economia brasileira receberam algum tipo de apoio. A Agricultura Familiar e Camponesa teve o desmonte do Ministério do desenvolvimento Agrário, a redução drástica no Programa de Aquisição de Alimentos, a redução drástica na contratação de crédito e até o momento não teve socorro por conta da pandemia.

Vale ressaltar que o congresso nacional aprovou no ano passado a Lei Acis Carvalho, que propunha crédito emergencial e prorrogação das dívidas dos pequenos agricultores. Esta lei foi vetada pelo presidente. A poucos dias, no último dia 26, a câmara dos deputados mais uma vez aprova uma segunda versão desta lei, aguardamos a posição do presidente.

De qualquer forma vale aqui ressaltar a grandeza deste modelo de agricultura que continua produzindo alimentos para o povo. Parabenizar as famílias camponesas que buscam na relação com a natureza o seu sustento e o sustento da população brasileira.

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