cartas de baralho

Todo cidadão brasileiro, nos últimos dias, teve a oportunidade de testemunhar com os seus olhos que, um dia, a terra há de comer, as manifestações pró-Bolsonaro e contra ele.

As primeiras ocorreram no sete de setembro, onde todos aqueles que se fizeram presentes defenderam não apenas o presidente da república, mas também e principalmente, a liberdade de expressão, que vem sendo ferida justamente pelo poder que, em tese, deveria ser a última barrigada de defesa das liberdades individuais, não o caminho direto rumo ao cárcere para aqueles que ousam exercê-las.

Já no dia doze, tivemos a realização das manifestações daqueles que veem na figura do Presidente da República a maior ameaça que há para a democracia brasileira contemporânea. Nesta, se fizeram presentes inúmeras figuras políticas que estão almejando ocupar a cadeira presidencial após o pleito de 2022 se, é claro, a vontade popular assim desejar.

Uma manifestação que, aos olhos de todos, inclusive dos seus organizadores, mixou. Deu ruim. Não teve quórum. Enfim, faz parte do jogo.

Detalhe importante: tanto a primeira como a segunda são, sim senhor, manifestações legítimas. Todos têm o direito de expressar o que pensam e isso é da essência do jogo político, mesmo que não gostemos dos ditos e dos não ditos.

Agora, se a segunda não conseguiu atrair o povo para a rua pra soltar o seu grito de protesto e, se a primeira, conseguiu levar uma multidão imensa para dar o seu brado retumbante e, no dia seguinte, sentirem-se meio que decepcionadas, são outros quinhentos. Sim, essas são questões relevantes, mas não é para isso que gostaria de chamar a atenção do amigo leitor neste momento e, francamente, que cada um tire a conclusão que achar melhor a respeito dos fatos que marcaram os dias sete e bem como o dia doze de setembro.

O que, francamente, considero de suma importância é compararmos as imagens das manifestações, de ambas as manifestações, que foram compartilhadas através das redes sociais, com a cobertura que foi feita de cada uma delas pela velha mídia para vermos, com nossos olhos, o quão grave é o divórcio desta com a realidade; para vermos o quão baixa é a qualidade da propaganda militante que é apresentada a toda sociedade brasileira como se fosse uma cobertura jornalística isenta e objetiva.

De mais a mais, muitíssimos brasileiros já compreenderam perfeitamente que isenção e objetividade nada tem que ver com a leitura fofa, com voz empostada, de um texto, recheado com jargões vazios, num teleprompter. Uma parte significativa dos cidadãos brasileiros já compreendeu perfeitamente que as palavras objetividade e isenção não tem valor algum quando aqueles que as evocam não tem um mínimo de honestidade intelectual no coração.

Hoje em dia, qualquer pessoa com um aparelho celular em mãos, e um pingo de boa vontade, pode, com tranquilidade, ter acesso a inúmeras fontes de informação, confrontar umas com as outras e, inclusive, com as patacoadas que são espalhadas pela velha mídia pomposa e tirar a sua conclusão, porque hoje, graças a Deus, não há mais o império daquela homogeneidade artificiosa, de um consenso Mandrake, que era imposto pelos grandes veículos de mídia sobre toda a sociedade de antanho.

Eles até gritam, esperneiam, fazem o dianho para dizer que eles, e somente eles, são os fiscais absolutos, que pairam acima do bem e do mal e que, por isso, supostamente poderiam atestar o que é fato e dizer o que é fake; os únicos que poderiam dizer o que é verdade e informar o que seria uma deslavada mentira.

E é claro que eles fazem isso sem a menor presunção, não é mesmo?

Mas a internet quebrou as pernas desse feitiço. Apenas cai nele quem prefere confiar cegamente no canto de sereia da velha mídia, colocando-a no lugar de sua consciência. Há, com certeza, muita gente que prefere fazer isso e disfarçar o vexame, para si e para os seus, dizendo na frente do televisor, que está apenas exercitando a sua criticidade, confiando na narrativa que lhe é pintada com cores psicodélicas diante de suas vistas.

Porém, cada vez mais pessoas estão exercitando sua consciência e sua inteligência – dons preciosos que Deus lhes deu – confrontando fontes diversas de informação e assumindo a responsabilidade pelas suas escolhas e decisões, porque elas, as pessoas comuns, estão cada vez mais cônscias de que conhecer, antes de qualquer coisa, é isso: assumir a responsabilidade por aquilo que permitimos adentrar em nossa alma através de nossos sentidos para integrar a nossa maneira ver o mundo de ser no mundo.

Enfim, a cada dia que passa, mais e mais pessoas estão compreendendo isso e, não é à toa, que a velha mídia está agonizando e as velhas e novas oligarquias políticas estão cogitando, nervosamente, limitar com severidade a liberdade de expressão.

Quanto às manifestações do dia sete e do dia doze de setembro, bem, qualquer um pode ver a forma como a esquerda abordou o assunto, averiguar como a direita tratou do tema e, é claro, dar uma olhada na maneira como a velha mídia apresentou a encrenca toda e, ao final, cada um pode tirar as suas conclusões. Conclusões essas que não precisam ser avaliadas nem rotuladas por nenhum comensal do silêncio sombrio dos supostos defensores da democracia, tendo em vista que, até onde sei, cada cabeça tem todo o direito de ter a sentença que melhor lhe parecer. Certo? Ou você é daqueles que apenas considera válido o exercício da liberdade de expressão que esteja de acordo com a sua forma de ser no mundo e de ver o mundo?

É. No Brasil de hoje todos são livres para dizer o que pensam, porém, ao que tudo indica, alguns são muito, muito mais livres do que todos os outros.

Escrevinhado por Dartagnan da Silva Zanela

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