Geraldo Alckmin sorri e faz o “L” com a mão ao lado do presidente Lula, que segura um microfone durante a convenção nacional do PT. Ambos estão diante de um painel vermelho.

 Lula e Alckmin confirmam candidaturas para a disputa presidencial de outubro.Foto: João Valadares

Chapa com Geraldo Alckmin reúne sete partidos e aposta na defesa da soberania nacional; aliados alertaram para fake news, enquanto Flávio Bolsonaro elevou o tom contra o presidente

Redação Portal Fatos do Iguaçu


O Partido dos Trabalhadores oficializou, neste domingo (2), a candidatura do presidente Luiz Inácio Lula da Silva à reeleição. A convenção nacional, realizada no Expo Center Norte, em São Paulo, também confirmou o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) novamente como candidato a vice na chapa presidencial.

O encontro reuniu cerca de 3 mil pessoas, entre dirigentes partidários, ministros, parlamentares, governadores, militantes e representantes das legendas que integram a coligação. A chapa será apoiada pela Federação Brasil da Esperança — formada por PT, PCdoB e PV —, além de PSB, PDT e Federação PSOL-Rede.

Segundo o PT, esta é a primeira vez, desde a retomada das eleições diretas para presidente, em 1989, que sete partidos do campo progressista se unem em torno de uma mesma candidatura presidencial ainda no primeiro turno. A estratégia busca demonstrar unidade e reduzir as divisões enfrentadas pela esquerda em disputas anteriores.

Lula busca um quarto mandato

Caso seja eleito, Lula conquistará seu quarto mandato como presidente da República. Ele venceu as eleições de 2002, 2006 e 2022, além de ter disputado e perdido os pleitos de 1989, 1994 e 1998.

A candidatura de 2026 é considerada a sétima participação efetiva de Lula em uma eleição presidencial. Alguns veículos, no entanto, contabilizam uma oitava candidatura porque incluem a indicação feita pelo PT em 2018, quando o registro do petista acabou barrado pela Justiça Eleitoral.

Durante o discurso, que durou aproximadamente uma hora e dez minutos, Lula afirmou que pretende realizar uma campanha mais combativa. O presidente disse que não será apenas o candidato do chamado “Lulinha paz e amor”, expressão utilizada na campanha de 2002, mas também do “Lulinha porreta”.

O petista defendeu a continuidade dos programas sociais, mas declarou que não deseja ser lembrado somente como o presidente do Bolsa Família. Também abordou temas como crescimento econômico, geração de empregos, investimentos públicos, direitos das mulheres, fortalecimento da indústria nacional e ampliação da capacidade de defesa do país.

Lula ainda prometeu disputar com o Congresso uma parcela maior dos recursos atualmente destinados às emendas parlamentares, caso seja reconduzido ao Palácio do Planalto.

Soberania ganha destaque

A defesa da soberania nacional apareceu como um dos principais eixos políticos da convenção. Lula afirmou que o Brasil precisa proteger suas riquezas estratégicas, incluindo os minerais raros, e aumentar os investimentos na indústria de defesa e nas Forças Armadas.

O tema também ganhou repercussão internacional. A agência Associated Press destacou que o lançamento da candidatura ocorre em meio ao aumento da pressão de lideranças estrangeiras sobre o processo eleitoral brasileiro e às manifestações de apoio internacional à candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ).

O presidente nacional do PT, Edinho Silva, classificou a eleição como uma escolha entre soberania e “entreguismo”. Já Geraldo Alckmin defendeu o sistema eletrônico de votação e afirmou que a urna brasileira não aceita votos de cidadãos argentinos ou norte-americanos, em uma crítica indireta à interferência estrangeira na disputa.

Aliados alertam para fake news

A ex-ministra Simone Tebet, que participou da convenção, afirmou que a eleição deverá ser difícil e marcada por campanhas de desinformação. Segundo ela, os partidos aliados precisarão responder às notícias falsas com informações verificadas e reforçar a defesa das instituições democráticas.

Em seu discurso, Tebet também fez críticas à família Bolsonaro e declarou que a disputa colocará em lados opostos diferentes projetos para o país.

Ausência de mulheres provoca autocrítica

Apesar de o combate à violência contra a mulher ter ocupado espaço importante nos discursos, a organização da convenção recebeu críticas porque nenhuma mulher estava inicialmente incluída na lista de pronunciamentos.

O próprio Lula reconheceu a falha durante o evento e convidou a primeira-dama Janja da Silva para falar. Em um discurso de aproximadamente três minutos, ela destacou a necessidade de ampliar a proteção às mulheres e enfrentar a violência doméstica.

Lula também abordou diretamente o assunto e afirmou que homens que agridem mulheres não precisam votar nele. O episódio evidenciou uma contradição entre a composição inicial do palco e uma das principais bandeiras apresentadas pela campanha.

Oposição aumenta o tom

Enquanto o PT realizava sua convenção em São Paulo, Flávio Bolsonaro participava de um encontro do PL na Paraíba. O senador criticou a política de segurança pública do governo federal e defendeu penas mais duras contra criminosos.

Na véspera, Flávio havia chamado Lula de “projeto de ditador” e afirmado que pretende derrotá-lo nas urnas em outubro. As declarações indicam que a campanha deverá ser marcada por forte polarização entre o atual presidente e o candidato apoiado pelo ex-presidente Jair Bolsonaro.

Próximas etapas

A convenção representa a aprovação partidária da chapa. O pedido de registro ainda precisa ser apresentado à Justiça Eleitoral e será analisado pelo Tribunal Superior Eleitoral.

De acordo com o calendário oficial, os partidos têm até 5 de agosto para realizar suas convenções e até 15 de agosto para solicitar o registro das candidaturas. A propaganda eleitoral estará autorizada a partir de 16 de agosto.

Para o mesmo dia 16, a campanha de Lula prepara seu primeiro grande ato popular em São Bernardo do Campo, no ABC Paulista, região onde o petista iniciou sua trajetória sindical e política. O evento deverá ser realizado na área do Estádio 1º de Maio e marcará oficialmente o início da mobilização nas ruas.

A convenção consolidou a unidade dos partidos de esquerda em torno de Lula, mas também antecipou os principais pontos de confronto da eleição: soberania nacional, segurança pública, políticas sociais, participação das mulheres, combate à desinformação e defesa da democracia.


Nota de transparência: Esta reportagem foi elaborada pela Redação do Portal Fatos do Iguaçu com o auxílio de ferramentas de inteligência artificial na pesquisa e organização das informações. O conteúdo foi revisado pela equipe editorial, responsável pela apuração e publicação.

 

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