A professora e voluntária da causa animal Solange Borcate utilizou a Tribuna Livre da Câmara Municipal de Pinhão, durante a sessão de segunda-feira (20), para alertar sobre o aumento da população de cães, a superlotação do abrigo municipal e as dificuldades enfrentadas no atendimento de animais abandonados ou vítimas de maus-tratos.
Integrante do projeto Abraça e Adote, Solange afirmou que atua voluntariamente na proteção animal há mais de dez anos. Em sua manifestação, reconheceu avanços recentes do município, especialmente a realização de castrações, mas defendeu a implantação de uma política pública permanente, envolvendo o Executivo, o Legislativo, as escolas e a comunidade.
“Estou aqui para tentar colaborar e pedir ajuda. Não estou falando por mim, estou falando pelos munícipes que vão até a minha casa e me procuram no meu trabalho para falar sobre a situação dos cães em Pinhão”, declarou.
Segundo a voluntária, o problema atinge diferentes regiões do município, incluindo bairros da área urbana e comunidades como Santa Maria, Faxinal do Céu e Nova Divinéia.
Castrações precisam continuar, defende voluntária
Solange avaliou positivamente a campanha de castração realizada em abril, que incluiu cães e gatos. No entanto, informou que, das 300 vagas inicialmente disponibilizadas, pouco mais de 170 teriam sido utilizadas.
Na avaliação da professora, uma das dificuldades foi o deslocamento dos animais até o local do procedimento, principalmente para famílias de baixa renda ou que possuem vários cães.
“Em uma família havia oito ou nove cadelas, e a pessoa não tinha condições de transportá-las. Faltou organizar um pouco melhor, mas foi bom e o município está evoluindo”, observou.
Ela pediu que os vereadores busquem novos recursos e programas, como o castramóvel, para dar continuidade aos procedimentos. Solange afirmou possuir uma lista com cerca de 50 cadelas que poderão ter filhotes em breve.
“A gente não pode parar. Há muitas cadelas para criar e o abrigo já não suporta mais cães”, alertou.
Como referência, citou iniciativas desenvolvidas em Bituruna e Guarapuava, incluindo parcerias com clínicas veterinárias e programas de castração a preços reduzidos para famílias que não conseguem pagar pelo procedimento.
Abrigo estaria acima da capacidade
Outro ponto levantado foi a situação do abrigo municipal. Embora tenha reconhecido que a criação do espaço representou um avanço, Solange afirmou que a unidade está recebendo mais animais do que sua estrutura comporta.
“O nosso abrigo já virou um depósito de cachorro. Tem mais cachorro do que espaço”, criticou.
De acordo com a voluntária, o local abrigaria mais de 40 filhotes, além de cães com deficiência, patas amputadas ou outras condições que exigem alojamentos separados e cuidados especiais.
Ela também relatou dificuldades para encaminhar animais gravemente feridos. Segundo Solange, Pinhão não dispõe de uma clínica conveniada com estrutura suficiente para procedimentos complexos, fazendo com que alguns cães precisem ser levados a Guarapuava.
Entre os casos atendidos ao longo de sua atuação, a professora citou animais fraturados e vítimas de tiros, golpes de facão e outras formas de violência.
Feira semanal de adoção
Para reduzir a superlotação, Solange propôs a realização de feiras semanais de adoção, organizadas pelo poder público, aos sábados, na feira municipal ou em uma praça da cidade.
Ela explicou que o projeto Abraça e Adote já promoveu iniciativas semelhantes, mas sem a estrutura necessária para oferecer vacinação e acompanhamento adequado. Na avaliação da voluntária, a participação das secretarias municipais permitiria organizar as adoções com maior segurança.
“Os cães já podem sair do abrigo com carteirinha. As fêmeas saem identificadas e castradas. Precisamos da feira de adoção para diminuir essa superpopulação”, afirmou.
Palestras nas escolas e conscientização
A professora também defendeu a criação de um programa contínuo de educação e conscientização nas escolas municipais e estaduais. Segundo ela, ações isoladas já foram realizadas, mas geralmente por iniciativa dos próprios professores.
Solange relatou casos de animais que teriam sido mutilados ou feridos por crianças e destacou a necessidade de abordar desde cedo temas como guarda responsável, vacinação, alimentação adequada, castração e prevenção aos maus-tratos.
“A criança de hoje é o adulto de amanhã. A escola é o nosso maior meio de comunicação com os alunos e precisamos conscientizá-los”, ressaltou.
Para a voluntária, o trabalho deveria reunir as secretarias de Educação e Meio Ambiente, além de integrantes de projetos de proteção animal. Ela se colocou à disposição para participar das palestras.
Envenenamento de cães e gatos
Durante a fala, Solange também denunciou a ocorrência frequente de envenenamento de cães e gatos no município. Além do sofrimento provocado aos animais, ela alertou que a utilização de substâncias tóxicas em espaços públicos representa risco para crianças e outras pessoas.
“Não é envenenando que se resolve o problema. É uma morte lenta e dolorosa. Além disso, existe o risco de crianças encontrarem esse veneno exposto”, advertiu.
Lei contra maus-tratos precisa ser aplicada
A voluntária afirmou ainda que a legislação municipal de combate aos maus-tratos não estaria produzindo os resultados esperados. Conforme relatou, moradores procuram o projeto para apresentar denúncias, mas não sabem a qual órgão recorrer nem quem é responsável pela fiscalização.
“Existe uma lei municipal contra maus-tratos, mas estamos em um dilema porque ela não está funcionando. Toda semana alguém vai à minha casa fazer uma denúncia, e eu não sei para quem indicar essa pessoa”, declarou.
Solange defendeu que o município estabeleça um fluxo claro para o recebimento, a apuração e a resposta às denúncias. Também pediu fiscalização e responsabilização de tutores que abandonam animais ou permitem que permaneçam soltos nas ruas.
Propostas apresentadas
Ao longo da manifestação, a professora apresentou um conjunto de medidas para enfrentar o problema:
- continuidade e ampliação das campanhas de castração;
- utilização de unidades móveis para levar o serviço aos bairros e comunidades;
- realização de feiras semanais de adoção;
- criação de palestras permanentes nas escolas;
- campanhas de conscientização e distribuição de materiais informativos;
- parcerias com clínicas veterinárias para atender animais feridos e famílias de baixa renda;
- definição de um canal responsável pelas denúncias de maus-tratos;
- aplicação efetiva da legislação e responsabilização dos infratores;
- melhorias na estrutura do abrigo municipal.
Ao concluir, Solange reforçou que a superpopulação e o abandono não serão resolvidos apenas com o recolhimento dos animais. Para ela, o município precisa combinar prevenção, educação, adoção responsável, atendimento veterinário, fiscalização e punição.
“Estou na luta e continuarei lutando por eles. Espero voltar aqui com boas notícias e que a gente consiga avançar na conscientização, nas palestras e nas castrações”, finalizou.

