No sábado, 6 de abril, a equipe do Fatos do Iguaçu se dirigiu à comunidade Fazenda Rodeio, a 3,5 Km da sede do município de Reserva do Iguaçu/Pr, para fazer a cobertura da visita do deputado federal Tadeu Veneri, PT, que é membro da Comissão dos Direitos Humanos da Câmara Federal e visitar algumas propriedades para registrar esse momento difícil e angustiante da reintegração de posse que as 72 famílias de produtores da agricultura familiar estão vivendo nos últimos 12 dias.

O acampamento

Porém, na entrada da estrada para a comunidade da Fazenda Rodeio, a equipe de reportagem logo encontrou os agricultores montando um acampamento, e a primeira indagação foi: se eles têm 30 dias para saírem das casas porque estão abandonando as residências e vindo para um acampamento de lona?

Os posseiros explicaram que eles vinham sofrendo ameaças, que há duas noites teriam ateado fogo em três residências, duas ficaram destruídas com tudo que havia dentro dela e uma o incêndio não se concretizou.  Como as residências ficam uma longe da outra, decidiram vir para um acampamento improvisado, deixar suas coisas, seu trabalho, tudo que construíram ao longo de 20 anos com muito esforço e trabalho para proteger suas vidas.

Impossível não se emocionar

Uma das características de um jornalista é manter suas emoções sob controle, mas foi impossível não se emocionar ao ver senhoras de 60, 70 anos, que tinham um lar com confortos mínimos, luz e água, improvisando um café e um almoço, puxando água, homens que todos os dias levantavam cedo para tirar leite estarem batendo estaca para fazer um barraco de lona, mulheres grávidas e com crianças de colo se preparando para dias muito difíceis.

Não há controle emocional que dê conta de ouvir a senhora Milena Postal Ribeiro ,69 anos e seu esposo, Elvino Ribeiro de 70 anos, “Não foi fácil desmontar a nossa casa, proteger as madeiras que temos, as nossas coisinhas, depois de uma luta de 20 anos para termos, e nossa horta que nos dava nosso sustento, meu marido não conteve as lágrimas”. Veja o vídeo na integra.

Vamos lutar pela justiça

O deputado Tadeu Veneri fez uma reunião com os agricultores, disse que na comissão do Direitos Humanos se movimentará para que tudo que for possível seja feito para eles se manterem na terra e falou à reportagem que a situação é uma questão social, “Nessa área temos mais de 60 famílias que vivem do seu trabalho, plantam para sua subsistência e vendem o excesso. A produção de leite aqui é grande. Não há como realocar essas famílias, vamos fazer alguns encaminhamentos junto ao governo e a Comissão de Direitos Humanos, porque mais que uma questão de terras aqui, é uma questão de justiça social”.  Veja o vídeo da entrevista na integra com o deputado.

Compreenda os fatos

A Fazenda Rodeio está dividida em 68 lotes e neles 72 famílias de posseiros vivem, plantam, produzem desde verduras, panificados, frutas, criam animais, inclusive é uma área de alta produção leiteira. Essas famílias estão vivendo nessa área há mais de duas décadas.

Como conta a senhora Milena, “Quando chegamos aqui, era mato e tem muitas áreas dobradas, até para preparar o terreno para plantar mandioca nos deu muito trabalho, hoje que a terra está toda pronta e produzindo, uma pessoa quer a terra, isso é injusto”.

Todas essas famílias são posseiras e lutam na justiça pela documentação da terra e há também uma disputa de inventario pela terra. Porém, o Incra, em uma pesquisa não encontrou nenhum registro dessas terras.

O credor

Solicitou para ser inserido no processo de espolio alegando que ele teria pago uma dívida de trezentos mil reais do proprietário e que teria direito a uma parte da área para ressarcir a dívida.

Reintegração de Posse

No dia 25 de março, os moradores receberam uma intimação dando a eles 30 dias para deixar o local, isso era o que dizia o documento, no entanto, no momento da entrega da intimação a situação foi bem mais tensa.

O oficial de justiça chegou na primeira propriedade junto com policiamento e o credor e uma máquina pá escavadeira pronta para derrubar a residência do produtor rural. Após a intervenção de vários moradores e do coordenador dos posseiros, Pedro Carlos Santos, conversar com o oficial de justiça e mostrar que nos autos do processo ficava claro que eles teriam 30 dias para deixar a propriedade, levar seus animais, casas e bens, é que a máquina se afastou da casa.

No dia 26 de março, o desembargador de justiça do Paraná, Fernando Prazeres e funcionários do Incra estiveram na comunidade. Fernando Prazeres conversou com os posseiros, explicou que a ordem da justiça teria que ser cumprida, mas dentro de uma programação para a retirada dos animais e realizar a colheita, porém, a Associação dos Posseiros tinha entrado com um mandado de segurança, que o Incra estava entrando com um processo de desapropriação da área, já que as tentativas de compra não deram resultados.

Assista as entevistas com Pedro Carlos Santos e do deputado federal Tadeu Veneri, PT,

 

 

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