A atividade de leitura  e produção textual nos reconduz às doces lembranças, aos  nossos almejos surreais de outrora e revela o nosso interior, cujo, constituído pela  nossa história, personalidade e pensamentos.

Portanto, aqui eu irei voltar no tempo: Alô leitoras das revistas Júlia, Sabrina, Bianca, entre outras. Vocês que também  já foram autoras! Contemporâneas a mim. Nascidas  na segunda parte do século passado. Mais precisamente na década de setenta, oitenta  até meados dos anos noventa. Lembram dos  seus diários? Lembro de muitas delas, com aqueles cadernos.

Se lembrar os bons momentos é reviver um tempo que não volta mais, aqui, vai uma fagulha de reminiscência. Então isso, foi uma forma de registar o dia a dia de vocês. Textos inconfessáveis, ou não, só os mais íntimos poderiam ver aqueles escritos. Brincadeira à  parte, na realidade foi uma atividade escrita à caneta, que marcou a  época daquela geração. Era uma  prática  auto curativa. Perpetuando  também, momentos bons de suas vidas. É comprovado cientificamente que quando se escreve principalmente à mão, se registra, memoriza, eterniza momentos

. Então o caderno de capa floral e a caneta fora o confessionário de  muitas moçoilas,  que até então viviam na maioria das vezes, uma vida reprimida, por uma espécie de cultura, criação , e para não represar tantos, os anseios, as dúvidas, curiosidades sobre a vida humana retratada na sua própria vida, usavam a escrita, como um descarrego emocional, questionando a si próprio, os, os reveses e empecilhos que contrariavam suas vontades, cerceando sua liberdade, com relação a criação dos  homens .

Eu  me referi as meninas moças da minha geração. Mas essa atividade já vem de  gerações, muito antigas. Pois,  o escritor gaúcho Érico Veríssimo, Em Música ao Longe,  já no começo do século passado, relatava com detalhes sobre os anseios de Clarissa Albuquerque, filha de um estancieiro em decadência, nascida em 1918, professora  já aos  dezesseis anos, a qual passou com o passar do tempo, com seus salário passou a sustentar a família, e  que se encantava com o poeta Paulo Madrigal, não por sua beleza física ,pois não o conhecia, sonhava em conhecê-lo, mas pelo seus Poemas escritos n’água.

Através de belos versos, os quais, se identificava, lendo, recitando, refletindo, imaginava a beleza fisica do seu autor. Denotando que as palavras, o que escrevemos encantam, as pessoas, que nos imaginam, principalmente quando se identificam com o que produzimos, que vem verdadeiramente, do fundo da nossa alma. A moça que tinha medo de morrer de uma para outra e a mãe que também muitas vezes era sua confidencial achar o famoso diário de capa verde.

O qual literalmente a ouvia dela, o que estava ocorrendo em sua família, memórias com o que viveu com a criadagem da casa, nos tempos de criança, as inseguranças para uma moça daquela idade, com aquela cultura, até então limitada, de mundo. Questionava a liberdade de seus primo Vasco. Não fugindo da literatura, num aspecto comportamental para as mulheres, com relação aos homens. Aparto, não estou falando a favor da total liberdade feminina, mas das condições de ser e de viver a elas impostas, por as estereotiparem como um ser indefeso, inferiores intelectualmente e pré destinadas à casa, filhos e cozinha.

E a escrita muitas vezes, foi a forma que encontraram para chegar as conclusões, eram com que poderiam contar, e a poucos dias recebi um texto de uma jovem estudante, que me ratificou que as Clarissas não ficaram no passado. Ainda  existe muita essência na alma  feminina desta geração, com os mesmos anseios, com a mesma docilidade e  princípios, ainda que modernidade diga que, os tempos hoje são outros.

Edmilson Siqueira Caldas

Professor, músico e escritor.

 

 

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