José Carlos Correia Filho – professor de História

Enquanto profissional da Educação há quase duas décadas, obviamente sempre fui um defensor da necessidade e da importância da escola para nossa sociedade, para nosso futuro. Não apenas para cada indivíduo, mas especialmente para nossa sociedade como um todo. Assim sendo, todos nós profissionais da Educação, volta e meia estamos a analisar a situação da Educação, os flagelos que nossa atividade enfrenta, nossa própria atuação, que precisa sempre estar sendo melhorada, aprimorada.

E neste momento, é bastante lógico que as reflexões nos tragam alguns questionamentos sobre os impactos da pandemia de Covid-19 no ensino/aprendizagem, na vida das crianças e adolescentes, em sua formação, em nosso próprio trabalho. Por isso, desejo compartilhar alguns pensamentos que venho tendo, analisando essa onda que varreu nossas vidas, e atingiu em cheio a vida escolar.

Inicialmente, acredito que uma das primeiras lições que a pandemia nos trouxe, é bastante elementar: a necessidade pura e simples da escola. Escola aberta, escola cheia de estudantes, escola atuando diariamente, recebendo os alunos e alunas todos os dias. Penso que muitos pais e mães jamais haviam pensado que a falta das escolas por um período tão longo, tornaria a vida familiar tão complicada. É claro que a imensa maioria das famílias fez o máximo possível para ajudar os estudantes em suas aulas remotas, fossem elas online ou por material impresso. Mas, pelo que se pode notar, nem sempre tal missão teve o sucesso pretendido.

Muitas pessoas até publicaram em redes sociais e comentaram por aí: eu não imaginava o quanto o teu trabalho era difícil. E olha que os pais atendem no máximo uns quatro rebentos por vez, muitos apenas um. E nós, nas salas de aula, são 30, 40 por aula. Somando todas as minhas turmas em 2021, eu atendo semanalmente, mais de 400 estudantes.

E o trabalho dos professores não é “apenas” a aula em si. É preciso planejar, ler, se preparar, muitas vezes disciplinar, perceber quem está conseguindo entender, retomar, revisar, avaliar, retomar de novo para sanar os problemas reavaliar. E ainda, muitas vezes somos psicólogos, terapeutas, conselheiros (…). Nas salas de aulas, ainda lidamos com a indisciplina, a falta de vontade, o desdém, o abandono, por vezes o desrespeito, as situações que vêm de fora e invadem os muros escolares, como a violência, o bullying, a ameaça das drogas, da exploração sexual, etc. Portanto, a missão vai muito, mas muito além de simplesmente “dar aulas”. E isso precisa ser reconhecido.

Lembro de ver muita gente fazendo publicações, protestos, pedidos, para que as aulas voltassem logo. Claro, com muita preocupação na formação dos estudantes, mas também para que eles fossem à aula. Muitas famílias desejavam esse retorno para que eles estivessem na escola por determinado tempo, e isso não é nada de horrível não, as famílias precisam da escola também nessa função de dar ocupação ao tempo da gurizada.

E os próprios jovens, já estavam ansiosos pelo retorno, pela convivência social escolar, sair de casa, estar com outros da sua idade. Quantos, infelizmente, precisavam desse retorno para fugir da violência (física, psicológica, sexual), e até mesmo, para ter a alimentação oferecida nas escolas! Portanto, o retorno puro e simples das escolas, já representa um grande alívio para a sociedade!

Dessa forma, neste primeiro texto sobre as lições trazidas pela pandemia, com relação à Educação, creio que a importância da escola aberta, é a primeira dessas lições. E acredito também que esse período de filhos em casa, deve trazer na mesma esteira, um reconhecimento da importância do trabalho dos professores. Não é fácil ensinar seus próprios filhos, em casa, e é muito mais complexo ensinar os filhos de tantas famílias ao mesmo tempo, no mesmo espaço, ao mesmo tempo. Quiçá essa situação trouxesse um aprendizado de valorização da escola e de seus profissionais, que a sociedade abandonasse certos ataques que ainda são proferidos contra nós! Em breve, uma nova reflexão sobre esse tema, até breve!

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