Dyanira e Antonio

Nos dias 29 e 30 de setembro, o Fatos do Iguaçu recebeu mensagens via WhatsApp de pacientes internatos no Hospital Santa Cruz pedindo ajuda por estarem com dores e sem a visita de médicos há vários dias.

Dyanira

Dyanira Aparecida dos Reis Costa | Foto: Naor Coelho/Fatos do Iguaçu

Dyanira Aparecida dos Reis Costa, 40 anos, casada, mãe de 5 filhos, mora nas proximidades de Faxinal do Céu. É pinhãoense, mas morou muitos anos em Camboriú/SC, lá, há alguns anos, retirou um dos ovários.

Eu tinha hemorragias, consultava com o dr. Nelson Machado pelo posto, em uma das consultas o dr Nelson me disse que seu arrumasse R$ 7.000,00 ele me operava, porque era o que precisava fazer, tirar o colo do útero”.

Como eu tinha muita hemorragia, meu marido vendeu uma moto e mais umas coisas, levantamos o dinheiro, eu voltei lá, ai já não passei pelo Posto, fui direto lá no Hospital, no dia que eu fui falar com ele, que havia conseguido o dinheiro, ele marcou para dali três dias a cirurgia”.

Quanto a exames pré-operatórios, Dyanira responde: “Não fiz nada, eles me disseram que fizeram os de sangue lá mesmo, mas eu não vi nada”.

A Cirurgia

Me internei eram umas quinze para as nove, eu entrei na sala de cirurgia e saí  eram quinze para uma hora da tarde. Não foi uma cirurgia bem normal, pelo que ele e as enfermeiras me contaram depois. Teve muita complicação na minha cirurgia. Até as 10 e meia eu estava vendo a operação, depois eu não vi mais nada”.

Segundo ela, o médico não a reconheceu e não sabia do que a operaria, “Ele chegou no dia da cirurgia, não sabia quem eu era e que cirurgia eu ia fazer, eu que disse que era a retirada do colo do útero, ele me disse, “não se preocupe, eu vou abrir e  na hora eu vejo o que precisa ser feito, não se preocupe, a sua cirurgia será de porta fechada, que eu não compreendi o que queria dizer”.

O médico operou e viajou

Eu acordei da anestesia perto das 5 horas. O médico me operou e viajou, foi para Curitiba, eu fiquei pelas mãos das enfermeiras e elas não conseguiram tirar a sonda da minha bexiga. De lá em diante eu só sentia dor, durante seis dias eu só gritava de dor, eu não comia, não dormia de dor. Eu estava igual a zumbi, eu só andava de um lado para o outro dentro daquele hospital, de tanta dor que eu sentia, nunca vi tanta dor”.

A retirada da sonda

“Dali a seis dias ele veio de Curitiba, ele perguntou para a enfermeira Suzamara, “você já tentou de toda forma tirar a sonda? Ela responde, “Sim doutor, já tentei, ela não sai, ela está presa”. Ele torceu a sonda umas três vezes, como ela não saiu ele puxou e a sonda saiu. Eu na morfina, fiquei direto na morfina, porque a minha dor era tanta, que antes de vencer o horário de dar nova dose já me era aplicada outra dose porque eu tinha muita dor. Fiquei com a perna roxa, empelotada de tanta morfina”.

A Alta

Segundo o relato da paciente Dyanira, no dia seguinte à retirada da sonda, o médico Nelson Machado, que é ginecologista obstetra, lhe deu alta, mesmo ela ainda estando com muita dor. “Quando ele me disse que ia dar alta, eu questionei por que eu ainda estava com muita dor. Ele me disse que ia dar uma medicação forte. Eu vim para casa”.

As dores continuaram

Em casa as dores continuaram,  ela não dormia e não comia de dor. Passados por volta de 10 dias em casa e com ajuda de medicação ela conseguiu comer e dormir. A dor aliviou, mas não passou.

A Bexiga

Ela conta que desde que estava no hospital ela não sentia mais a bexiga, que o dia que chegou em casa após a alta, ela não conseguiu mais conter a urina “Quando o dr. Nelson tirou a sonda estava tipo saindo um pouquinho de xixi, achei que era normal, devido ter sido operada há poucos dias, quando cheguei em casa e fui descer do carro parece que destamparam a minha bexiga, o xixi me lavou. Dali em diante eu estou na fralda”.

Procurou o médico

A paciente conta que entrou em contato com o médico, pediu uma consulta de retorno, ele disse a ela que não tinha retorno. Ela insistiu, “Como não tem retorno, eu paguei, eu não estou boa eu preciso de um retorno, pois eu não estou bem”.

O médico, segundo ela, diante de sua insistência, a atendeu e falou que ela estava com cistocele, que é a queda da bexiga, que era decorrência do excesso de peso e pelo número de filhos que ela teve. “Disse que eu voltasse quando tivesse perdido  18 quilos”.

Não houve melhoras

Dyanira continua usando fralda, passou a ter febre, por conta própria ela fez uma ultrassonografia e uma tomografia. “Os resultados não foram bons. Eu passei a ter pressão alta, coisa que nunca tive”.

Ela entrou em contato novamente com o dr. Nelson, ele pediu que ela fosse no hospital para examiná-la. Ela chegou no hospital por volta das 10 horas. Às 12 horas, a enfermeira que trabalha diretamente com o médico, avisou-a que ele não ia atendê-la porque ia viajar.  “Eu entrei em desespero, comecei a chorar, o dr. Edson Crema me viu, olhou meus exames e já me internou. Foi muito bom comigo, me deu assistência e medicou”.

O novo internamento

“Fui internada, mas eu e os outros pacientes que estavam lá ficamos esquecidos 6 dias, sem nenhum médico passar e as medicações vindo. Depois de 6 dias passou uma médica de nome Marcela, que deu uma medicação, eu passei 2 dias dopada, ela deu a mesma medicação para todo mundo que estava ali. Aí fizemos uma gritaria que veio o Alain e depois disso passaram a vir os médicos nos ver”.

Segundo Dyanira, ela ficou mais 17 dias internada e voltou para casa, com dores, continua com o problema da bexiga e agora tem um problema no rim e pressão alta.

Caso Antonio de Carvalho

Antonio de Carvalho

Antonio de Carvalho | Foto: Naor Coelho/Fatos do Iguaçu

Antonio de Carvalho tem 55 anos e já usa uma prótese no quadril. No dia 14 de setembro sofreu um acidente automobilístico na PR 170 e foi encaminhado ao Hospital Santa Cruz, segundo ele, ficou 15 dias internado e saiu do hospital da mesma forma que entrou. “Só vi médico no outro dia, o tal de dr. Nelson me atendeu, voltou a tarde, chegou na porta do quarto e perguntou como eu estava e não apareceu mais, me disse que tinha me colocado na central de leito”.

15 dias com dor

“Só na medicação fraquinha, ficava até 3 dias sem aparecer nem um médico, eu sofrendo, 15 dias internados sem nenhuma solução, a gente passava a noite acordado de dor e não tem assistencia médica. Me deram alta sem nenhuma receita para um remédio para dor pelo menos”.

Segundo seu Antonio e familiares ele está aguardando uma nova consulta com um ortopedista, que tem que ser pelo Posto de Saúde do município.

Secretaria de Saúde

Fatos do Iguaçu, procurou o secretário municipal de Saúde do município de Pinhão/Pr, Alain Cesar de Abreu, para ouvir o que a secretaria tinha a dizer sobre os dois casos.

Caso do senhor Antonio

Sobre a situação do senhor Antonio, o secretário explicou que pelo raio x realizado no hospital o médico suspeitou de uma fratura. O paciente foi colocado na Central de Leitos do Estado, “Em relação à Central de Cirurgias nós não temos como intervir e a responsabilidade de alimentar os dados e situação do paciente é do hospital. Os médicos reguladores da Central avaliam pelos dados fornecidos quem será chamado para a cirurgia”.

Para agilizar o processo, Alain informou que o paciente passou por uma consulta com um ortopedista e fez novo raio x, que confirmou a fratura, mas, infelizmente eles estão de mãos atadas porque a decisão do senhor Antonio ser chamado para a cirurgia depende do médico controlador da Central, que eles tentaram realizar o internamento no Hospital Virmond mas este não aceitou recebe-lo. “Nossas possibilidades são mínimas porque a relação com a Central de Leito é com o hospital, nós inclusive orientamos os pacientes às vezes a buscarem o Ministério Público, porque com a determinação dele podemos exigir a vaga, que é uma responsabilidade do Estado fornecer”, destacou Alain.

Caso Dyanira

Em relação ao caso da paciente Dyanira, o secretário disse que também tem feito o que é possível para que ela tenha um atendimento que possa reverter sua situação atual, “Quando ela estava internada, fui até o hospital, ouvi as queixas dos pacientes que os médicos não passavam fazer a visita, fizemos uma reunião com a direção do hospital cobrando as visitas e a responsabilidade do hospital com os pacientes”.

Ele também solicitou o que precisava ser feito para agilizar o tratamento da paciente e conversando com o doutor. Nelson, ele informou que ela precisava de um exame específico para poder colocá-la na Central de Leitos, “Segundo o médico o, atual problema dela não tinha nada a ver com a cirurgia feita por ele. Nós imediatamente encaminhamos tudo para fazer o exame, o médico queria uma uretrografia, mas colocou uma cistografia, que também é um exame feito em um centro cirúrgico, assim, quando a paciente chegou para fazer o exame não foi possível, porque o encaminhamento estava incorreto, mas aí foi remarcado, ela já fez”, relatou o secretário e complementou, “O problema que se achava que era deu negativo, segundo os médicos, não é caso cirúrgico mas de atendimento ambulatorial, ou seja, ela deverá consultar com nefrologista e realizar um tratamento, nós só estamos esperando ela vir até o Posto para encaminhar a consulta”, contou o secretário.

Hospital Santa Cruz

Na terça-feira, 5 de outubro, no período da manhã, a jornalista Nara Coelho, via telefone entrou em contato com o Hospital Santa Cruz e solicitou conversar com a diretora responsável pelo hospital, Maria Dolores Peredo e com o médico Nelson Machado Pereira, e foi informada que a diretora não se encontrava, o médico estava atendendo e não poderia atender a ligação.

Por volta das 14 horas fomos até o hospital, onde fomos informados que nem a diretora Dolores e nem o médico se encontravam no Hospital. Por um número de telefone fornecido pela recepcionista do hospital enviamos uma mensagem às 14h 43min  informando que estaríamos realizando a reportagem e que gostaríamos de ouvir o hospital e o médico, a mensagem foi vista e reproduzida às 16h19min, mas ninguém entrou em contato com o Fatos do Iguaçu.



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