Certa feita, uma criança estava prestes a perecer no Egito. Depois de dois dias sofrendo diarreia, o bebê de três meses não tinha forças nem para levantar a cabeça e mamar no peito da mãe, e o temor pelo pior estava estampado no rosto dos médicos e outros profissionais de saúde que acompanhavam o caso. Uma diarreia grave, que matava muitas crianças naquele país, seria o pequeno mais uma vítima, sem muito o que fazer. Mas neste caso não: com um tratamento simples, pouco mais de quatro horas depois, ele estava bem o suficiente para retomar a amamentação. Qual foi o tratamento milagroso?  Na verdade, era uma solução barata de açúcar e sal, que hoje muitos de nós conhecemos bem: o soro caseiro.

O médico Norbert Hirschhorn, nascido em Viena (Áustria), em 1938 foi o grande responsável por essa importante descoberta. Na sua infância, ele lutou para seguir vivo, escapando do regime nazista com seus pais para Londres, onde passaram a guerra até imigrar para os Estados Unidos. Formou-se médico em 1962 e se especializou em medicina interna com estágio e residências em Boston. Hirschhorn ingressou no Serviço de Saúde Pública dos Estados Unidos em 1964 e foi designado para o Laboratório de Pesquisa de Cólera do Paquistão, onde conduziu pesquisas sobre cólera e outras doenças diarreicas e demonstraram a prova de conceito da terapia de reidratação oral. Se envolveu em pesquisas sobre terapia de reidratação oral em 1964.

Quando ele estava prestando seu serviço militar nos Estados Unidos, acabou sendo enviado para Bangladesh, que padecia de uma grave epidemia de cólera. Essa doença levava muitos pacientes a óbito, por causa da diarreia que fazia com que perdessem rapidamente muita água e sais. As mortes ocorriam em horas, sendo que 40% morriam.

O tratamento de reidratação, naquele tempo, era administrado por via intravenosa no hospital. Mas era caro, de difícil acesso para aquelas pessoas. Era urgente uma forma de tratar aquelas pessoas de forma barata e rápida, e já havia estudos para a utilização de açúcar e sais dissolvidos em água, mas o problema estava no equilíbrio correto destes ingredientes.

Hirschhorn se baseou em estudos já em andamento, e com um estudo pequeno, de apenas oito pacientes, no qual a terapia de reidratação foi aplicada usando uma sonda nasogástrica, que provou que a combinação funcionava. Mesmo assim, muitos profissionais duvidavam das conclusões de Hirschhorn, e desacreditavam até mesmo a segurança e a eficácia da fórmula, até mesmo por ser tão simples. Levou muito tempo, muito tempo para convencer os pediatras de que fosse segura. Mas ela foi comprovada, em eficácia e segurança, era barata, fácil e acessível!

A publicação científica Lancet descreveu a terapia de reidratação oral como “potencialmente o avanço médico mais importante” do século 20. O Unicef, fundo da ONU para infância, disse que nenhuma outra inovação médica do século “teve o potencial de evitar tantas mortes em um curto período de tempo e custo tão pequeno”. Hoje, a eficácia e a importância do soro caseiro são mundialmente conhecidas, e ele é usado por médicos em clínicas e em casas por pais.

Hirschhorn contou que fez uma viagem ao Egito, muitos anos depois de seu trabalho clínico, e que durante uma conversa com um taxista, descobriu que o filho dele havia sido salvo por reidratação oral quando criança, e que o garoto cresceu para virar um jovem estudante, realizando seus próprios estudos científicos nos EUA. Isso emocionou o médico.

As vezes, algumas pessoas vêm ao mundo para mudar realidades. Pode ser com grandes feitos artísticos, filosóficos, tecnológicos, produtivos. Mas acredito que a maior de todas as missões de um ser humano seja mesmo salvar vidas. Com algo simples, algo que está ao alcance de muita gente, o Dr. Hirschhorn fez a diferença para quantos milhões de pessoas? Quantas mães se livraram de sepultar seus filhos, graças ao poderoso soro caseiro? Por isso, devemos sempre acreditar na esperança, na salvação, na cura para os males. Deus está enviando pessoas constantemente ao nosso mundo, para que tragam os bálsamos que tanto precisamos.

José Carlos Correia Filho – professor de História

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